Otite externa (ouvido de nadador): sintomas, causas e prevenção
Neste artigo (10 partes)
- O que é otite externa
- Quando procurar o médico com urgência
- Otite externa é comum?
- Sintomas da otite externa
- O que causa a otite externa
- Como é feito o diagnóstico
- Tratamento da otite externa
- Como prevenir a otite externa
- Perguntas frequentes sobre otite externa
- Protetor para natação e avaliação auditiva em Copacabana
A otite externa é uma inflamação do canal do ouvido, o tubo que vai da orelha até o tímpano. Muita gente conhece como ouvido de nadador, porque ela aparece com frequência depois de piscina, mar ou banhos longos: primeiro vem a coceira, depois a dor, que piora quando se puxa a orelha. Neste artigo você vai entender o que causa a otite externa, como diferenciar da otite média, quando procurar o médico com pressa e o que fazer para ela não voltar.
O que é otite externa
Otite externa é a inflamação da pele que reveste o canal do ouvido. Na grande maioria das vezes é uma infecção por bactéria, e em alguns casos a inflamação chega à orelha, à parte de fora. O nome ouvido de nadador vem do principal gatilho: água que fica parada dentro do canal por muito tempo.
O canal do ouvido tem uma defesa natural. A cera forma uma camada que protege a pele e deixa o ambiente levemente ácido, o que dificulta o crescimento de bactérias e fungos. Quando a água fica presa ali, ou quando a pele é machucada por cotonete, essa proteção se desfaz. A pele amolece, a cera sai, o canal fica úmido, e as bactérias encontram o ambiente de que precisam.

Otite externa e otite média não são a mesma coisa
A otite média acontece atrás do tímpano, geralmente depois de um resfriado, e é muito comum em crianças pequenas. A otite externa fica do lado de fora do tímpano, no canal. Uma pista simples: na otite externa, a dor costuma piorar quando você puxa a orelha ou aperta o trago, aquela saliência de cartilagem na frente do canal. Só o exame do médico confirma qual é o caso, e às vezes as duas acontecem juntas.
Quando procurar o médico com urgência
Otite externa não é uma emergência na maioria das vezes, mas precisa de consulta com o otorrinolaringologista. Procure atendimento no mesmo dia se houver:
- dor muito forte, que não deixa dormir;
- febre ou mal-estar;
- vermelhidão e inchaço que se espalham pela orelha, pelo rosto ou pelo pescoço;
- canal tão inchado que fechou por completo;
- diabetes ou imunidade baixa, junto com a dor de ouvido;
- fraqueza de um lado do rosto;
- nenhuma melhora depois de 2 ou 3 dias de tratamento.
O cuidado com quem tem diabetes tem motivo. Em pessoas mais velhas com diabetes, a infecção pode avançar para o osso ao redor do ouvido. É a otite externa necrotizante, também chamada de maligna, uma forma rara e grave que precisa de tratamento rápido.
Otite externa é comum?
1 em 10
pessoas tem otite externa em algum momento da vida (Hajioff e MacKeith, 2015)
2,4 milhões
de consultas por otite externa nos Estados Unidos, só em 2007 (CDC, 2011)
Bastante. Estima-se que cerca de 10% das pessoas tenham otite externa pelo menos uma vez na vida. Nos Estados Unidos, o CDC, a agência de saúde do país, calculou 2,4 milhões de consultas pela doença em 2007, com pico no verão. As crianças de 5 a 14 anos são as que mais têm, mas 53% das consultas foram de adultos.
O calor e a umidade pesam. A otite externa aparece mais no verão e em clima tropical, o que combina com o verão do Rio, entre praia, piscina e dias abafados.
Sintomas da otite externa
Os sintomas costumam começar de forma rápida, em um ou dois dias. Os mais comuns são:
- Coceira dentro do ouvido, muitas vezes o primeiro sinal.
- Dor que piora ao mexer na orelha: ao puxar a orelha, apertar o trago, mastigar ou deitar sobre aquele lado. A dor pode ser forte, maior do que parece pelo tamanho do problema.
- Ouvido tampado e audição abafada, porque o canal incha e fecha.
- Secreção saindo do ouvido.
- Vermelhidão e inchaço no canal e, às vezes, na orelha.
Febre (acima de 38,3 °C) e mal-estar não são típicos. Quando aparecem, sugerem que a infecção passou do canal e pedem avaliação médica rápida.
O que causa a otite externa
Quase sempre a causa é uma bactéria, com mais frequência Pseudomonas aeruginosa ou Staphylococcus aureus. O que muda de pessoa para pessoa é o motivo que deixou o canal desprotegido.
Água parada no canal
É o gatilho mais conhecido. Nadar aumenta em cerca de cinco vezes o risco de otite externa em relação a quem não nada. Mas não é só a piscina: mar, banho demorado, suor e umidade do ar também deixam o canal molhado por tempo demais.
Cotonete e objetos no ouvido
Cotonete, grampo, tampa de caneta e a ponta da toalha arranham a pele fina do canal e tiram a cera que protege. Essa pequena lesão é uma porta de entrada para a bactéria. Coçar o ouvido por causa da coceira piora o quadro e cria um ciclo.
Aparelho auditivo, fone e protetor
Tudo o que fica dentro do canal por horas pode irritar a pele, principalmente se estiver sujo, úmido ou apertado. Uma revisão da BMJ aponta a otite externa como mais comum em quem usa aparelho auditivo. Quem usa aparelho não precisa parar: basta cuidar da limpeza e do encaixe.
Pele sensível, canal estreito e excesso de cera
Eczema, psoríase e alergias de pele deixam o canal mais vulnerável. Canal estreito e rolha de cera prendem a água lá dentro. Diabetes, tratamentos que baixam a imunidade e radioterapia na região também aumentam o risco.
Fungos
Mais raramente, a otite externa é causada por fungos. É a otomicose. Quem diferencia uma da outra é o médico, pelo exame do canal.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico: o otorrinolaringologista conversa sobre os sintomas e examina o ouvido com o otoscópio, o aparelho com luz que permite ver o canal e o tímpano. Na otite externa, o canal aparece vermelho, inchado e, muitas vezes, com secreção.
Nos casos simples, exames de laboratório não são necessários. O médico pode pedir cultura da secreção quando a otite volta muitas vezes, não melhora com o tratamento ou aparece em quem tem a imunidade baixa.
Tratamento da otite externa
Quem indica o tratamento é o médico. Em geral ele é feito com gotas próprias para o ouvido, e o médico também orienta como controlar a dor. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda que antibiótico em comprimido não seja a primeira escolha nos casos simples. Ele fica reservado para quando a infecção passa do canal ou para pessoas com diabetes ou imunidade baixa.
Quando o canal está muito inchado ou cheio de secreção, o médico pode limpá-lo com cuidado ou colocar um pequeno pavio para a gota chegar ao lugar certo. Ele também ensina a pingar do jeito correto: deitado, com o ouvido doente para cima, por alguns minutos.
A dor costuma melhorar em 48 a 72 horas. Se não melhorar nesse prazo, é preciso voltar ao médico para confirmar o diagnóstico. Com o tratamento, de 65% a 90% dos casos se resolvem em 7 a 10 dias.
Não pingue nada no ouvido por conta própria, nem remédio de outra pessoa, nem receita caseira. Se o tímpano estiver furado, algumas gotas podem lesar o ouvido interno, e só o exame mostra isso.
Como prevenir a otite externa
O principal cuidado é manter o canal do ouvido o mais seco possível e deixar a cera fazer o trabalho dela. As orientações do CDC são simples:
- Use touca, protetor de ouvido ou molde de natação feito sob medida ao nadar.
- Seque bem as orelhas depois de nadar ou tomar banho, só com a toalha na parte de fora.
- Incline a cabeça para um lado e para o outro, com o ouvido virado para baixo, e puxe de leve a orelha em direções diferentes para a água escorrer.
- Se a água continuar lá dentro, use o secador de cabelo na temperatura e na velocidade mais baixas, a vários centímetros da orelha.
- Não coloque nada dentro do canal: nem cotonete, nem grampo, nem chave.
- Não tente tirar a cera. Ela protege o ouvido contra infecção.
Gotas para secar o ouvido depois da natação existem, mas só devem ser usadas com orientação do médico, e nunca por quem tem tímpano furado, tubo de ventilação no ouvido, otite ou secreção.
Para quem usa aparelho auditivo
- Tire o aparelho para tomar banho e para nadar, e só coloque de volta com a orelha seca.
- Limpe o aparelho todos os dias e guarde num lugar seco.
- Ponta de silicone amarelada, endurecida ou folgada irrita o canal. Leve o aparelho para revisão.
- Se aparecer dor, coceira forte ou secreção, deixe de usar o aparelho naquele ouvido e procure o otorrinolaringologista.
Para quem nada com frequência
Para quem nada várias vezes por semana ou tem otite externa de repetição, o protetor auricular sob medida é feito a partir do molde do próprio ouvido, segue o formato da sua orelha e costuma ser mais confortável para usar por horas. Ele também precisa ser lavado e secado depois de cada uso.
Perguntas frequentes sobre otite externa
Otite externa é contagiosa?
Não. A otite externa não passa de uma pessoa para outra. Dividir a piscina com alguém que tem otite não transmite a doença.
Quanto tempo dura a otite externa?
Com o tratamento indicado pelo médico, a dor melhora em 2 a 3 dias, e a maioria dos casos se resolve em 7 a 10 dias. A otite que dura mais de três meses é chamada de crônica e costuma ter outra causa por trás, como uma doença de pele.
Posso entrar na piscina ou no mar com otite externa?
O ideal é evitar a água no ouvido durante o tratamento. Pergunte ao médico quando pode voltar a nadar e, na volta, siga as medidas de prevenção.
Otite externa causa perda de audição?
Durante a crise, a audição pode ficar abafada porque o canal incha e fecha. Na maioria das vezes ela volta ao normal com o tratamento. Se o ouvido continuar abafado depois que a otite passou, vale fazer uma audiometria.
Remédio caseiro resolve otite externa?
Não. Pingar óleo, alho, álcool ou vinagre sem avaliação pode irritar ainda mais o canal e é perigoso se o tímpano estiver furado. O tratamento seguro é o indicado pelo otorrinolaringologista.
Criança pode ter otite externa?
Pode, e é na infância que ela mais aparece, principalmente entre 5 e 14 anos, na época de piscina. A prevenção é a mesma: ouvido seco e nada de cotonete.
Protetor para natação e avaliação auditiva em Copacabana
O tratamento da otite externa é com o médico otorrinolaringologista. Na Hear Clean, cuidamos do que vem antes e depois: fazemos o protetor auricular sob medida para quem nada e quer manter a água fora do ouvido, a partir de 7 anos, e a avaliação auditiva gratuita para quem sente que a audição não voltou ao normal. Quem usa aparelho auditivo também encontra aqui a revisão e a limpeza do aparelho.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Rosenfeld RM et al. Clinical practice guideline: acute otitis externa. Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2014. PubMed
- Centers for Disease Control and Prevention. Estimated burden of acute otitis externa: United States, 2003-2007. MMWR, 2011. PubMed
- Hajioff D, MacKeith S. Otitis externa. BMJ Clinical Evidence, 2015. PMC
- Wiegand S et al. Otitis externa. Deutsches Ärzteblatt International, 2019. PubMed
- Medina-Blasini Y, Sharman T. Otitis externa. StatPearls, 2023. NCBI
- Centers for Disease Control and Prevention. Preventing swimmer’s ear. CDC