Otite externa (ouvido de nadador): sintomas, causas e prevenção

Neste artigo (10 partes)

A otite externa é uma inflamação do canal do ouvido, o tubo que vai da orelha até o tímpano. Muita gente conhece como ouvido de nadador, porque ela aparece com frequência depois de piscina, mar ou banhos longos: primeiro vem a coceira, depois a dor, que piora quando se puxa a orelha. Neste artigo você vai entender o que causa a otite externa, como diferenciar da otite média, quando procurar o médico com pressa e o que fazer para ela não voltar.

Mulher de cerca de 60 anos, de cabelo grisalho e enrolada numa toalha branca, na beira da piscina, com a mão sobre a orelha e expressão de incômodo

O que é otite externa

Otite externa é a inflamação da pele que reveste o canal do ouvido. Na grande maioria das vezes é uma infecção por bactéria, e em alguns casos a inflamação chega à orelha, à parte de fora. O nome ouvido de nadador vem do principal gatilho: água que fica parada dentro do canal por muito tempo.

O canal do ouvido tem uma defesa natural. A cera forma uma camada que protege a pele e deixa o ambiente levemente ácido, o que dificulta o crescimento de bactérias e fungos. Quando a água fica presa ali, ou quando a pele é machucada por cotonete, essa proteção se desfaz. A pele amolece, a cera sai, o canal fica úmido, e as bactérias encontram o ambiente de que precisam.

Ilustração da orelha em corte com o canal do ouvido destacado em vermelho, do lado de fora do tímpano, e a orelha média e a interna sem destaque
A otite externa acontece no canal do ouvido, em destaque, antes do tímpano. A otite média acontece do outro lado do tímpano, na orelha média, onde ficam os ossinhos da audição.

Otite externa e otite média não são a mesma coisa

A otite média acontece atrás do tímpano, geralmente depois de um resfriado, e é muito comum em crianças pequenas. A otite externa fica do lado de fora do tímpano, no canal. Uma pista simples: na otite externa, a dor costuma piorar quando você puxa a orelha ou aperta o trago, aquela saliência de cartilagem na frente do canal. Só o exame do médico confirma qual é o caso, e às vezes as duas acontecem juntas.

Quando procurar o médico com urgência

Otite externa não é uma emergência na maioria das vezes, mas precisa de consulta com o otorrinolaringologista. Procure atendimento no mesmo dia se houver:

  • dor muito forte, que não deixa dormir;
  • febre ou mal-estar;
  • vermelhidão e inchaço que se espalham pela orelha, pelo rosto ou pelo pescoço;
  • canal tão inchado que fechou por completo;
  • diabetes ou imunidade baixa, junto com a dor de ouvido;
  • fraqueza de um lado do rosto;
  • nenhuma melhora depois de 2 ou 3 dias de tratamento.

O cuidado com quem tem diabetes tem motivo. Em pessoas mais velhas com diabetes, a infecção pode avançar para o osso ao redor do ouvido. É a otite externa necrotizante, também chamada de maligna, uma forma rara e grave que precisa de tratamento rápido.

Otite externa é comum?

1 em 10

pessoas tem otite externa em algum momento da vida (Hajioff e MacKeith, 2015)

2,4 milhões

de consultas por otite externa nos Estados Unidos, só em 2007 (CDC, 2011)

Bastante. Estima-se que cerca de 10% das pessoas tenham otite externa pelo menos uma vez na vida. Nos Estados Unidos, o CDC, a agência de saúde do país, calculou 2,4 milhões de consultas pela doença em 2007, com pico no verão. As crianças de 5 a 14 anos são as que mais têm, mas 53% das consultas foram de adultos.

O calor e a umidade pesam. A otite externa aparece mais no verão e em clima tropical, o que combina com o verão do Rio, entre praia, piscina e dias abafados.

Sintomas da otite externa

Os sintomas costumam começar de forma rápida, em um ou dois dias. Os mais comuns são:

  • Coceira dentro do ouvido, muitas vezes o primeiro sinal.
  • Dor que piora ao mexer na orelha: ao puxar a orelha, apertar o trago, mastigar ou deitar sobre aquele lado. A dor pode ser forte, maior do que parece pelo tamanho do problema.
  • Ouvido tampado e audição abafada, porque o canal incha e fecha.
  • Secreção saindo do ouvido.
  • Vermelhidão e inchaço no canal e, às vezes, na orelha.

Febre (acima de 38,3 °C) e mal-estar não são típicos. Quando aparecem, sugerem que a infecção passou do canal e pedem avaliação médica rápida.

O que causa a otite externa

Quase sempre a causa é uma bactéria, com mais frequência Pseudomonas aeruginosa ou Staphylococcus aureus. O que muda de pessoa para pessoa é o motivo que deixou o canal desprotegido.

Água parada no canal

É o gatilho mais conhecido. Nadar aumenta em cerca de cinco vezes o risco de otite externa em relação a quem não nada. Mas não é só a piscina: mar, banho demorado, suor e umidade do ar também deixam o canal molhado por tempo demais.

Cotonete e objetos no ouvido

Cotonete, grampo, tampa de caneta e a ponta da toalha arranham a pele fina do canal e tiram a cera que protege. Essa pequena lesão é uma porta de entrada para a bactéria. Coçar o ouvido por causa da coceira piora o quadro e cria um ciclo.

Aparelho auditivo, fone e protetor

Tudo o que fica dentro do canal por horas pode irritar a pele, principalmente se estiver sujo, úmido ou apertado. Uma revisão da BMJ aponta a otite externa como mais comum em quem usa aparelho auditivo. Quem usa aparelho não precisa parar: basta cuidar da limpeza e do encaixe.

Pele sensível, canal estreito e excesso de cera

Eczema, psoríase e alergias de pele deixam o canal mais vulnerável. Canal estreito e rolha de cera prendem a água lá dentro. Diabetes, tratamentos que baixam a imunidade e radioterapia na região também aumentam o risco.

Fungos

Mais raramente, a otite externa é causada por fungos. É a otomicose. Quem diferencia uma da outra é o médico, pelo exame do canal.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico: o otorrinolaringologista conversa sobre os sintomas e examina o ouvido com o otoscópio, o aparelho com luz que permite ver o canal e o tímpano. Na otite externa, o canal aparece vermelho, inchado e, muitas vezes, com secreção.

Nos casos simples, exames de laboratório não são necessários. O médico pode pedir cultura da secreção quando a otite volta muitas vezes, não melhora com o tratamento ou aparece em quem tem a imunidade baixa.

Tratamento da otite externa

Quem indica o tratamento é o médico. Em geral ele é feito com gotas próprias para o ouvido, e o médico também orienta como controlar a dor. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda que antibiótico em comprimido não seja a primeira escolha nos casos simples. Ele fica reservado para quando a infecção passa do canal ou para pessoas com diabetes ou imunidade baixa.

Quando o canal está muito inchado ou cheio de secreção, o médico pode limpá-lo com cuidado ou colocar um pequeno pavio para a gota chegar ao lugar certo. Ele também ensina a pingar do jeito correto: deitado, com o ouvido doente para cima, por alguns minutos.

A dor costuma melhorar em 48 a 72 horas. Se não melhorar nesse prazo, é preciso voltar ao médico para confirmar o diagnóstico. Com o tratamento, de 65% a 90% dos casos se resolvem em 7 a 10 dias.

Não pingue nada no ouvido por conta própria, nem remédio de outra pessoa, nem receita caseira. Se o tímpano estiver furado, algumas gotas podem lesar o ouvido interno, e só o exame mostra isso.

Como prevenir a otite externa

O principal cuidado é manter o canal do ouvido o mais seco possível e deixar a cera fazer o trabalho dela. As orientações do CDC são simples:

  • Use touca, protetor de ouvido ou molde de natação feito sob medida ao nadar.
  • Seque bem as orelhas depois de nadar ou tomar banho, só com a toalha na parte de fora.
  • Incline a cabeça para um lado e para o outro, com o ouvido virado para baixo, e puxe de leve a orelha em direções diferentes para a água escorrer.
  • Se a água continuar lá dentro, use o secador de cabelo na temperatura e na velocidade mais baixas, a vários centímetros da orelha.
  • Não coloque nada dentro do canal: nem cotonete, nem grampo, nem chave.
  • Não tente tirar a cera. Ela protege o ouvido contra infecção.

Gotas para secar o ouvido depois da natação existem, mas só devem ser usadas com orientação do médico, e nunca por quem tem tímpano furado, tubo de ventilação no ouvido, otite ou secreção.

Para quem usa aparelho auditivo

  • Tire o aparelho para tomar banho e para nadar, e só coloque de volta com a orelha seca.
  • Limpe o aparelho todos os dias e guarde num lugar seco.
  • Ponta de silicone amarelada, endurecida ou folgada irrita o canal. Leve o aparelho para revisão.
  • Se aparecer dor, coceira forte ou secreção, deixe de usar o aparelho naquele ouvido e procure o otorrinolaringologista.

Para quem nada com frequência

Para quem nada várias vezes por semana ou tem otite externa de repetição, o protetor auricular sob medida é feito a partir do molde do próprio ouvido, segue o formato da sua orelha e costuma ser mais confortável para usar por horas. Ele também precisa ser lavado e secado depois de cada uso.

Perguntas frequentes sobre otite externa

Otite externa é contagiosa?

Não. A otite externa não passa de uma pessoa para outra. Dividir a piscina com alguém que tem otite não transmite a doença.

Quanto tempo dura a otite externa?

Com o tratamento indicado pelo médico, a dor melhora em 2 a 3 dias, e a maioria dos casos se resolve em 7 a 10 dias. A otite que dura mais de três meses é chamada de crônica e costuma ter outra causa por trás, como uma doença de pele.

Posso entrar na piscina ou no mar com otite externa?

O ideal é evitar a água no ouvido durante o tratamento. Pergunte ao médico quando pode voltar a nadar e, na volta, siga as medidas de prevenção.

Otite externa causa perda de audição?

Durante a crise, a audição pode ficar abafada porque o canal incha e fecha. Na maioria das vezes ela volta ao normal com o tratamento. Se o ouvido continuar abafado depois que a otite passou, vale fazer uma audiometria.

Remédio caseiro resolve otite externa?

Não. Pingar óleo, alho, álcool ou vinagre sem avaliação pode irritar ainda mais o canal e é perigoso se o tímpano estiver furado. O tratamento seguro é o indicado pelo otorrinolaringologista.

Criança pode ter otite externa?

Pode, e é na infância que ela mais aparece, principalmente entre 5 e 14 anos, na época de piscina. A prevenção é a mesma: ouvido seco e nada de cotonete.

Protetor para natação e avaliação auditiva em Copacabana

O tratamento da otite externa é com o médico otorrinolaringologista. Na Hear Clean, cuidamos do que vem antes e depois: fazemos o protetor auricular sob medida para quem nada e quer manter a água fora do ouvido, a partir de 7 anos, e a avaliação auditiva gratuita para quem sente que a audição não voltou ao normal. Quem usa aparelho auditivo também encontra aqui a revisão e a limpeza do aparelho.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Rosenfeld RM et al. Clinical practice guideline: acute otitis externa. Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2014. PubMed
  • Centers for Disease Control and Prevention. Estimated burden of acute otitis externa: United States, 2003-2007. MMWR, 2011. PubMed
  • Hajioff D, MacKeith S. Otitis externa. BMJ Clinical Evidence, 2015. PMC
  • Wiegand S et al. Otitis externa. Deutsches Ärzteblatt International, 2019. PubMed
  • Medina-Blasini Y, Sharman T. Otitis externa. StatPearls, 2023. NCBI
  • Centers for Disease Control and Prevention. Preventing swimmer’s ear. CDC
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