Zumbido no ouvido: causas, tipos e tratamento

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Mulher de cerca de 60 anos com a mão no ouvido e expressão preocupada

O zumbido no ouvido é a sensação de ouvir um som que não existe no ambiente: um chiado, um apito, um barulho de chuva, de panela de pressão ou de cigarra. Às vezes aparece só no silêncio da noite. Em outras, acompanha a pessoa o dia inteiro. É um sintoma muito mais comum do que parece, e na maioria dos casos tem explicação e tem manejo. Neste artigo você vai entender o que causa o zumbido, quando ele pede atendimento rápido e quais tratamentos têm resultado comprovado.

O que é zumbido no ouvido

Zumbido (ou tinnitus, o nome em inglês que aparece em muitos exames) não é uma doença. É um sintoma: um sinal de que alguma parte do sistema auditivo está funcionando de um jeito diferente. Esse sistema vai da orelha externa até o cérebro, e o zumbido pode nascer em qualquer ponto do caminho.

Uma forma simples de entender: quando o ouvido passa a enviar menos informação sonora, o cérebro tenta compensar e “aumenta o volume” da atividade nervosa. Parte dessa atividade é percebida como som. Por isso o zumbido anda tão junto da perda auditiva, mesmo quando a pessoa ainda não percebe que ouve menos.

Ilustração da cabeça em corte: o som entra pela orelha, passa pelo tímpano, pelos ossinhos e pela cóclea e segue pelo nervo auditivo até o cérebro
O som entra pela orelha, faz o tímpano vibrar, passa pelos ossinhos do ouvido médio e chega à cóclea, no ouvido interno. De lá, o nervo auditivo leva o sinal ao cérebro. O zumbido pode surgir em qualquer ponto desse caminho.

Zumbido subjetivo e zumbido objetivo

Quase todos os casos são de zumbido subjetivo: só a própria pessoa ouve. É o tipo associado à perda auditiva, ao ruído e ao estresse.

Bem mais raro, o zumbido objetivo vem de um som real produzido pelo corpo, como o fluxo de sangue em um vaso próximo ao ouvido ou pequenas contrações musculares. Uma variação importante é o zumbido pulsátil, que acompanha as batidas do coração. Esse tipo sempre merece avaliação médica, porque pode ter origem vascular.

Zumbido é comum?

22%

das pessoas entrevistadas numa pesquisa na cidade de São Paulo tinham zumbido (Oiticica e Bittar, 2015)

23,6%

dos adultos com mais de 65 anos, no mundo, têm zumbido (Jarach et al., 2022)

Muito. Uma pesquisa feita com 1.960 moradores da cidade de São Paulo encontrou zumbido em 22% dos entrevistados, ou seja, mais de uma em cada cinco pessoas. O sintoma apareceu mais em mulheres (26%) do que em homens (17%) e ficou mais frequente com a idade. Para a maioria, o zumbido ia e voltava. Cerca de um terço convivia com ele de forma constante.

No mundo, uma revisão de 83 estudos publicada em 2022 estimou que 14,4% dos adultos têm zumbido, chegando a 23,6% depois dos 65 anos. São mais de 740 milhões de pessoas, e para cerca de 120 milhões delas o sintoma é um problema sério no dia a dia.

Saber disso não diminui o incômodo, mas ajuda a tirar um peso: você não está sozinho, e o zumbido é um dos sintomas mais estudados da audiologia.

Quais são as causas do zumbido

Em muitas pessoas o zumbido tem mais de uma causa ao mesmo tempo. As mais frequentes são estas.

Perda auditiva

É a causa mais comum. Pode ser a perda que vem com a idade, que começa pelos sons agudos e avança devagar, ou uma perda provocada por ruído. Muita gente descobre a perda auditiva justamente ao investigar o zumbido. Por isso a audiometria é o primeiro exame pedido.

Exposição a ruído

Show, festa, fone de ouvido alto por horas, trânsito, obra, ambiente de trabalho barulhento. Depois de uma exposição forte, é comum sair com o ouvido apitando. Esse zumbido costuma passar em horas ou dias, mas é um aviso: repetido com frequência, o ruído lesa as células do ouvido interno de forma permanente. Quem trabalha em ambiente barulhento ou toca instrumento deve usar proteção auditiva adequada.

Cera acumulada e problemas no ouvido

Uma rolha de cera, uma otite ou líquido atrás do tímpano mudam a forma como o som chega ao ouvido interno e podem provocar zumbido, muitas vezes com sensação de ouvido tampado. É uma das causas com melhor solução: removida a cera ou tratada a inflamação, o zumbido costuma diminuir ou sumir. Um detalhe importante: tentar tirar a cera com cotonete empurra a cera para dentro e pode piorar o quadro.

Estresse, ansiedade e sono ruim

O estresse não costuma ser a causa inicial, mas aumenta muito a percepção do zumbido. E o zumbido, por sua vez, gera ansiedade e atrapalha o sono. Forma-se um ciclo: quanto mais atenção e preocupação, mais alto o som parece. Quebrar esse ciclo é parte central do tratamento.

Infográfico do ciclo do zumbido: o zumbido chama a atenção para o som, a atenção traz preocupação e ansiedade, a ansiedade atrapalha o sono, e o sono ruim faz o zumbido parecer mais alto, recomeçando o ciclo

Medicamentos, mandíbula e outras condições

Alguns remédios podem provocar ou piorar o zumbido, como certos antibióticos, quimioterápicos, diuréticos e altas doses de anti-inflamatórios. Nunca interrompa um medicamento por conta própria: converse com o médico que o receitou. Problemas na articulação da mandíbula (ATM), tensão no pescoço, pressão alta e alterações de circulação também aparecem com frequência nas pessoas com zumbido.

Zumbido no ouvido esquerdo ou direito: faz diferença?

Faz. Quando o zumbido aparece nos dois ouvidos, a causa mais comum é a perda auditiva relacionada à idade ou ao ruído, que costuma afetar os dois lados de forma parecida.

Quando aparece só em um lado, seja o esquerdo ou o direito, a investigação precisa ser mais cuidadosa. Pode ser algo simples, como cera ou uma otite daquele lado, mas também pode indicar uma perda auditiva assimétrica, que o médico otorrinolaringologista vai querer investigar com exames adicionais. O lado em si não tem um significado especial. O que importa é ser de um lado só.

Quando o zumbido exige atendimento rápido

A maioria dos zumbidos não é uma emergência. Mas procure um médico otorrinolaringologista com urgência se o zumbido vier com algum destes sinais:

  • Perda de audição repentina, em um ou nos dois ouvidos. A perda auditiva súbita tem melhor chance de recuperação quando tratada nos primeiros dias.
  • Zumbido pulsátil, que acompanha as batidas do coração.
  • Tontura forte ou vertigem, com sensação de que tudo gira.
  • Fraqueza ou dormência no rosto, dificuldade para falar ou outros sintomas neurológicos.
  • Dor de ouvido com secreção, febre ou sangramento.
  • Zumbido que começou depois de uma batida na cabeça.

E um cuidado que vale tanto quanto os outros: se o zumbido está tirando seu sono de forma persistente, trazendo tristeza profunda ou pensamentos de desistir, busque ajuda psicológica. O Centro de Valorização da Vida atende 24 horas pelo telefone 188, de graça.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do zumbido é feito em conjunto. O otorrinolaringologista examina o ouvido e investiga causas médicas. O fonoaudiólogo avalia a audição em detalhe e conduz a reabilitação auditiva.

A avaliação começa com uma conversa: desde quando o zumbido existe, como ele soa, em que momentos piora, quanto atrapalha o sono e a concentração. Depois vem a audiometria, feita em cabina acústica. É um exame indolor, de cerca de 30 minutos, que mostra se existe perda auditiva, em quais frequências e em que grau. Quando indicado, a avaliação pode incluir a imitanciometria, que verifica o tímpano e o ouvido médio, e a acufenometria, que mede a frequência e a intensidade aproximadas do zumbido.

Com esses dados, o tratamento deixa de ser um tiro no escuro e passa a ser feito sob medida.

Zumbido tem cura? O que funciona no tratamento

Depende da causa. Quando o zumbido vem de cera, otite ou de uma exposição pontual a ruído, ele costuma desaparecer quando a causa é resolvida.

O zumbido crônico, que dura mais de seis meses, geralmente não some por completo. A boa notícia é que ele pode ficar muito mais baixo e deixar de incomodar, a ponto de a pessoa esquecer que ele existe na maior parte do dia. Esse é o objetivo realista do tratamento, e as diretrizes internacionais apontam os caminhos com melhor evidência.

Aparelhos auditivos

Quando existe perda auditiva, o aparelho auditivo é uma das abordagens mais eficazes. Ao devolver ao cérebro os sons que ele deixou de receber, o aparelho reduz a “compensação” que gera o zumbido e, de quebra, faz o som ambiente cobrir o chiado. Muitos modelos atuais também têm geradores de som próprios para zumbido. Veja como funciona a adaptação de aparelhos auditivos.

Terapia sonora

O silêncio total deixa o zumbido em evidência. A terapia sonora usa sons suaves e agradáveis, como ruído de chuva, de mar ou sons específicos ajustados pelo profissional, para diminuir o contraste entre o zumbido e o ambiente e treinar o cérebro a dar menos importância a ele.

Aconselhamento e terapia cognitivo-comportamental

Entender o que é o zumbido já reduz muito o medo que ele provoca. O aconselhamento feito pelo fonoaudiólogo e a terapia cognitivo-comportamental (TCC), feita por profissional treinado, ajudam a mudar a relação com o sintoma e a quebrar o ciclo de ansiedade e atenção. A TCC é uma das abordagens com evidência mais sólida para reduzir o incômodo do zumbido.

E os remédios?

Essa é uma das dúvidas mais comuns, e a resposta honesta é: não existe um remédio que cure o zumbido crônico. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda não usar de rotina antidepressivos, anticonvulsivantes ou calmantes com o objetivo de tratar o zumbido, e também desaconselha ginkgo biloba, melatonina, zinco e outros suplementos para esse fim. Medicamentos podem ser indicados pelo médico para tratar uma causa específica, como uma inflamação, ou condições associadas, como ansiedade e insônia. Evite comprar produtos que prometem acabar com o zumbido: além de não funcionarem, atrasam o tratamento que funciona.

O que você pode fazer hoje para aliviar o zumbido

  • Evite o silêncio completo, principalmente na hora de dormir. Um ventilador, um som de chuva baixinho ou uma música tranquila já ajudam.
  • Proteja os ouvidos do barulho. Use protetor em shows, obras e ambientes ruidosos, e mantenha o fone de ouvido em volume moderado.
  • Não use cotonete dentro do ouvido. A limpeza deve ser só na parte externa.
  • Cuide do sono e mantenha horários regulares.
  • Observe o que piora o seu zumbido, como cafeína em excesso, álcool, estresse ou noites mal dormidas, e anote para contar na consulta.
  • Não fique “testando” o zumbido o tempo todo. Quanto mais atenção ele recebe, mais alto parece.

Perguntas frequentes sobre zumbido no ouvido

Zumbido no ouvido é perigoso?

Na maioria das vezes, não. O zumbido costuma ser um sinal de alteração auditiva, e não de uma doença grave. Mas ele precisa ser investigado, e alguns sinais, como zumbido pulsátil, perda auditiva repentina ou zumbido em um lado só, pedem avaliação médica rápida.

Zumbido pode causar surdez?

Não. O zumbido não causa perda auditiva. O que acontece é o contrário: a perda auditiva é uma das principais causas do zumbido. Por isso vale fazer a audiometria.

Ansiedade pode causar zumbido no ouvido?

A ansiedade raramente é a causa inicial, mas amplifica muito a percepção do zumbido e dificulta a adaptação. Tratar a ansiedade costuma trazer alívio real.

Cera no ouvido pode dar zumbido?

Pode. O acúmulo de cera é uma das causas mais simples de resolver. A remoção deve ser feita por um profissional, e não com cotonete ou objetos em casa.

Qual especialista procurar para zumbido?

O ideal é o trabalho em conjunto: o médico otorrinolaringologista investiga as causas médicas, e o fonoaudiólogo faz a avaliação auditiva completa e conduz a reabilitação, com aparelhos auditivos, terapia sonora e aconselhamento.

Avaliação de zumbido em Copacabana

Na Hear Clean, a avaliação do zumbido começa com escuta: queremos entender como o sintoma aparece na sua rotina antes de qualquer exame. Em seguida, fazemos a avaliação completa da audição em cabina acústica e indicamos o caminho mais adequado para o seu caso, do tratamento do zumbido à adaptação de aparelhos auditivos, que você pode testar em casa antes de decidir.

Agende sua avaliação auditiva gratuita. Estamos na Rua Santa Clara, 70, sala 1008, em Copacabana, Rio de Janeiro. Telefone: (21) 2547-7443, ou fale com a gente pelo WhatsApp no botão da página ou pelo formulário de contato.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.

Referências

  • Oiticica J, Bittar RSM. Tinnitus prevalence in the city of São Paulo. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2015. PubMed
  • Jarach CM et al. Global prevalence and incidence of tinnitus: a systematic review and meta-analysis. JAMA Neurology, 2022. PubMed
  • Tunkel DE et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2014. American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery. PubMed
  • Langguth B et al. Tinnitus guidelines and their evidence base. Journal of Clinical Medicine, 2023. PMC
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