Grau de perda auditiva: tabelas e como ler o audiograma
Neste artigo (11 partes)
- O que é o grau de perda auditiva
- Como ler o audiograma para achar o grau
- Como calcular a média: tritonal ou quadritonal
- Graus de perda auditiva pela OMS (2021)
- Grau de perda auditiva de Lloyd e Kaplan
- Por que o mesmo exame pode ter graus diferentes
- O que a pessoa ouve em cada grau
- Qual grau de perda auditiva é considerado PCD
- O grau decide se eu preciso de aparelho auditivo?
- Perguntas frequentes sobre grau de perda auditiva
- Grau de perda auditiva em Copacabana
O grau de perda auditiva é a palavra que aparece no laudo da audiometria para dizer o tamanho da perda: leve, moderada, severa ou profunda. Muita gente recebe o exame, lê “perda de grau moderado” e fica sem saber o que isso quer dizer na vida real, de onde saiu esse número e por que um laudo antigo dizia “leve” e o novo diz outra coisa. Neste artigo você vai ver como o grau é calculado, as duas tabelas mais usadas no Brasil, o que a pessoa costuma ouvir em cada faixa e como encontrar o grau no audiograma, o gráfico do exame.
O que é o grau de perda auditiva
É a medida do tamanho da perda. O laudo da audiometria descreve a audição em quatro pontos, segundo o guia do Conselho Federal de Fonoaudiologia: o tipo, o grau, a configuração (o desenho da curva) e a lateralidade (se a perda está em um ouvido ou nos dois). O grau é só um desses pontos.
O tipo diz em que parte do ouvido está a dificuldade, e ele depende da comparação entre o fone e o vibrador atrás da orelha. Esse assunto está no artigo sobre audiometria via óssea. Aqui o assunto é só o tamanho da perda: de onde ele sai, como ler e o que ele diz sobre o seu dia a dia.
Como ler o audiograma para achar o grau
O audiograma é o gráfico da parte do exame em que você ouve apitos e avisa quando escuta. Para achar o grau, basta entender três coisas.
- Eixo de cima: as frequências. Vão do som grave, à esquerda (250 Hz), ao agudo, à direita (8.000 Hz). Hz, ou hertz, é a medida de quão grave ou agudo é o som.
- Eixo da lateral: o volume. Vai de -10 dB, no alto, a 120 dB, embaixo. O gráfico é “de cabeça para baixo”: os sons fracos ficam em cima. Quanto mais para baixo estiver a marca, mais forte o som precisou ser para você ouvir.
- Os símbolos. O círculo (O), em geral vermelho, marca a orelha direita pelo fone. O xis (X), em geral azul, marca a orelha esquerda. Os sinais < e > são da via óssea, o vibrador, e não entram na conta do grau.
O guia do Conselho é claro: o grau se baseia só na média dos limiares da via aérea, os resultados do fone. Limiar é o som mais fraco que você consegue ouvir em cada frequência. Por isso, para achar o grau, olhe apenas os O e os X.

Se quiser ver um audiograma completo, com todos os símbolos e o quadro das palavras, leia como ler a audiometria tonal e vocal. Na página de perda auditiva há um audiograma interativo em que você toca em cada grau e vê onde ele fica no gráfico.
Como calcular a média: tritonal ou quadritonal
O grau não sai de um ponto isolado do gráfico. Ele sai da média de algumas frequências, sempre em uma orelha de cada vez. Existem dois jeitos principais de fazer a conta, e o laudo usa um deles.
- Média tritonal: a média de três frequências, 500, 1.000 e 2.000 Hz. É a usada na classificação de Lloyd e Kaplan.
- Média quadritonal: a média de quatro frequências, 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz. É a usada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Um exemplo com números redondos, de uma orelha só. O fone precisou de 25 dB em 500 Hz, 30 dB em 1.000 Hz, 40 dB em 2.000 Hz e 60 dB em 4.000 Hz.
- Média tritonal: (25 + 30 + 40) ÷ 3 = 31,7 dB.
- Média quadritonal: (25 + 30 + 40 + 60) ÷ 4 = 38,75 dB.
A diferença entre as duas contas vem do 4.000 Hz, um som agudo que só entra na média quadritonal. Quando os agudos estão bem piores que os graves, essa escolha muda bastante o resultado, como você vai ver adiante.
E se só uma frequência que não entra na média estiver alterada, como 6.000 Hz? Nesse caso o laudo não fala em grau. O Conselho orienta a escrever apenas as frequências alteradas, por exemplo “perda auditiva em 6.000 Hz”. O guia também lembra que não existe “perda auditiva de grau normal”.
Graus de perda auditiva pela OMS (2021)
A classificação da OMS saiu no World Report on Hearing, o relatório mundial sobre audição, publicado em 2021. Ela usa a média quadritonal e considera audição normal abaixo de 20 dB. Antes, o limite era 26 dB. O relatório explica que baixou esse número e criou o grau “moderadamente severo” e a categoria “unilateral”, para a perda em um ouvido só.
A tabela da OMS tem uma vantagem para quem não é da área: além da faixa em dB, ela descreve como a pessoa costuma ouvir em lugar silencioso e em lugar barulhento.
| Grau | Média de 500 a 4.000 Hz | No silêncio | No barulho |
|---|---|---|---|
| Normal | Menos de 20 dB | Sem dificuldade para ouvir sons | Nenhuma ou pouca dificuldade |
| Leve | 20 a menos de 35 dB | Ouve bem a conversa | Pode ter dificuldade com a conversa |
| Moderada | 35 a menos de 50 dB | Pode ter dificuldade com a conversa | Tem dificuldade para ouvir e participar da conversa |
| Moderadamente severa | 50 a menos de 65 dB | Tem dificuldade com a conversa, mas ouve a voz alta | Tem dificuldade com a maior parte da fala |
| Severa | 65 a menos de 80 dB | Não ouve a maior parte da conversa e pode ter dificuldade até com voz alta | Extrema dificuldade com a fala |
| Profunda | 80 a menos de 95 dB | Extrema dificuldade mesmo com voz alta | Não ouve a conversa |
| Completa (surdez) | 95 dB ou mais | Não ouve a fala nem a maioria dos sons do ambiente | Não ouve a fala nem a maioria dos sons do ambiente |
| Unilateral | Menos de 20 dB na orelha melhor e 35 dB ou mais na pior | Pode ouvir bem, a não ser quando o som vem do lado pior; pode ter dificuldade para saber de onde vem o som | Pode ter dificuldade com a conversa e para localizar os sons |
Dois detalhes fazem diferença na leitura. Primeiro, a OMS monta essa tabela para estudos de população e usa a orelha que ouve melhor. No seu laudo, cada orelha tem a própria descrição. Segundo, o próprio relatório avisa que a média e o grau não devem ser usados sozinhos para decidir sobre aparelho auditivo ou implante coclear, e que ouvir apitos no silêncio não mostra bem a dificuldade no barulho, que é a queixa mais comum de quem tem perda.
Pelo mesmo relatório, mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo têm algum grau de perda auditiva, e a maior parte delas, 1,16 bilhão, tem perda leve. Cerca de 430 milhões têm perda moderada ou maior na orelha que ouve melhor.
Grau de perda auditiva de Lloyd e Kaplan
A classificação de Lloyd e Kaplan, de 1978, é a que mais aparece em laudos no Brasil. Ela usa a média tritonal (500, 1.000 e 2.000 Hz) e considera normal abaixo de 26 dB. O Conselho Federal de Fonoaudiologia a lista no seu guia entre as classificações validadas.
| Grau | Média de 500, 1.000 e 2.000 Hz |
|---|---|
| Audição normal | Menos de 26 dB |
| Leve | 26 a 40 dB |
| Moderada | 41 a 55 dB |
| Moderadamente severa | 56 a 70 dB |
| Severa | 71 a 90 dB |
| Profunda | Mais de 90 dB |
Diferente da OMS, essa tabela não diz o que a pessoa ouve em cada faixa. O guia do Conselho observa que os autores não relacionam o grau com a capacidade de entender a fala. Existe ainda uma versão de 1993, de Kaplan, Gladstone e Lloyd, que cria um grau “discreto” entre 16 e 25 dB.
O guia cita outras tabelas, como a de Davis, de 1970, e a do BIAP, um órgão europeu de audiofonologia, de 1996. A escolha fica a critério do fonoaudiólogo, mas o Conselho exige que o laudo diga qual classificação foi usada. Procure o nome dela perto do resultado, geralmente entre parênteses.
Por que o mesmo exame pode ter graus diferentes
Porque cada tabela usa frequências e limites próprios. Volte ao exemplo da orelha com 25, 30, 40 e 60 dB.
- Pela tabela de Lloyd e Kaplan, a média tritonal de 31,7 dB fica na faixa de 26 a 40 dB: perda leve.
- Pela OMS, a média quadritonal de 38,75 dB fica na faixa de 35 a menos de 50 dB: perda moderada.
A audição é a mesma. Mudou a régua. Por isso, antes de comparar um laudo novo com um antigo, confira se os dois usam a mesma classificação. Se não usam, a mudança de nome pode não significar que a audição piorou. Quem compara os exames com segurança é a fonoaudióloga ou o médico, olhando os limiares de cada frequência e não só o nome do grau.
O que a pessoa ouve em cada grau
A tabela da OMS dá uma boa ideia, e a do BIAP, também reproduzida no guia do Conselho, acrescenta detalhes do dia a dia. Juntando as duas, o quadro geral é este:
- Leve. A conversa a dois, em lugar calmo, vai bem. A dificuldade aparece com voz baixa, com quem fala de longe e em lugar barulhento, como restaurante.
- Moderada. A conversa normal já exige esforço. Pela descrição do BIAP, a pessoa entende melhor quando olha para quem fala. É comum pedir para repetir e aumentar a TV.
- Moderadamente severa. A voz em volume normal se perde com frequência. A voz alta ainda é ouvida.
- Severa. A maior parte da conversa não é ouvida. A fala só chega quando é forte e perto da orelha.
- Profunda e completa. Mesmo a voz alta é muito difícil ou impossível de ouvir. Só sons muito fortes são percebidos, ou nenhum.
São descrições de grupo, e cada pessoa tem a sua experiência. O desenho da curva também pesa. Duas pessoas com a mesma média podem ouvir de jeitos bem diferentes se uma perdeu mais os agudos e a outra perdeu tudo por igual.
Qual grau de perda auditiva é considerado PCD
No Brasil, a Lei nº 14.768, de 2023, define deficiência auditiva como a limitação de longo prazo da audição, unilateral total ou bilateral parcial ou total. Como valor de referência, a lei adota a média de 41 dB ou mais no audiograma, nas frequências de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 Hz.
Repare que essa média é outra conta: ela usa 3.000 Hz, que não entra nem na média da OMS nem na de Lloyd e Kaplan. Por isso o grau escrito no laudo não responde sozinho se a pessoa se enquadra. A mesma lei diz que outros instrumentos também servem para constatar a deficiência, conforme o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
O grau decide se eu preciso de aparelho auditivo?
Não sozinho. O relatório da OMS diz com todas as letras que o grau não deve ser o único critério para indicar aparelho auditivo ou implante coclear. Entram na decisão a sua queixa, o tipo da perda, o desenho da curva e o quanto você entende as palavras, medido na parte do exame com fala.
Na prática, uma perda leve pode atrapalhar muito quem trabalha em reunião ou vive em ambiente barulhento, e pouco quem passa o dia em casa, em silêncio. Nas perdas severas e profundas em que o aparelho não basta para entender a fala, o otorrinolaringologista avalia o implante coclear. Veja como é a reabilitação com aparelhos auditivos.
Se a perda apareceu de repente, em um ouvido, não espere: procure o otorrinolaringologista no mesmo dia. Se o exame mostrou diferença entre o fone e o vibrador, também é o médico quem investiga a causa.
Perguntas frequentes sobre grau de perda auditiva
Perda auditiva moderada tem quantos decibéis?
Depende da tabela. Pela OMS, de 35 a menos de 50 dB na média de 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz. Por Lloyd e Kaplan, de 41 a 55 dB na média de 500, 1.000 e 2.000 Hz.
O que quer dizer perda auditiva leve de 26 a 40 dB?
É a faixa da perda leve na classificação de Lloyd e Kaplan. A média das frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz ficou entre 26 e 40 dB. Na tabela da OMS, a perda leve vai de 20 a menos de 35 dB.
Perda auditiva leve tem cura?
Depende da causa, e não do grau. Quando o problema está na passagem do som, como cera ou líquido atrás do tímpano, muitas vezes o tratamento médico resolve. Quando está no ouvido interno, em geral a perda é permanente, e o aparelho auditivo ajuda a ouvir melhor. Quem investiga a causa é o otorrinolaringologista.
Por que o meu laudo diz “perda auditiva em 4.000 Hz” sem grau?
Porque só frequências fora da média estão alteradas, ou a média ficou dentro do normal. Nesses casos, o Conselho orienta a informar só as frequências afetadas, sem citar grau.
Os dois ouvidos podem ter graus diferentes?
Sim. O grau é calculado em cada orelha. Quando os dois lados têm grau ou desenho de curva diferentes, a perda é chamada de assimétrica.
Grau de perda auditiva em Copacabana
Na Hear Clean, a audiometria é feita na sala acústica da clínica, mais moderna e mais confortável que a cabina tradicional, e atende a partir de 7 anos. A audiometria completa faz parte da avaliação auditiva gratuita, que não precisa de pedido médico. Na consulta, a fonoaudióloga explica o que o seu audiograma mostra e qual é o próximo passo: acompanhamento, encaminhamento ao otorrinolaringologista ou teste de aparelhos auditivos. Se você precisa do exame com laudo, ele é feito à parte.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia. Guia de orientação na avaliação audiológica, volume I: audiometria tonal limiar, logoaudiometria e medidas de imitância acústica. 2ª edição. Conselho Federal de Fonoaudiologia, 2023. CFFa
- World Health Organization. World report on hearing. Organização Mundial da Saúde, 2021. OMS
- Brasil. Lei nº 14.768, de 22 de dezembro de 2023: define deficiência auditiva e estabelece valor referencial da limitação auditiva. Presidência da República, 2023. Planalto