Dor de ouvido em criança: sinais e o que fazer

Neste artigo (10 partes)

A dor de ouvido em criança costuma aparecer do jeito que mais assusta os pais: de noite, alguns dias depois de um resfriado, com choro que não passa no colo e, às vezes, febre. O bebê ainda não sabe dizer onde dói, e a criança pequena nem sempre sabe explicar. Neste artigo você vai ver como perceber a dor de ouvido em bebês e crianças pequenas, o que costuma causar, o que os pais podem fazer com segurança até a consulta, quando ir ao pronto-socorro e como o pediatra decide o tratamento. No fim, falamos das otites que se repetem e de quando vale olhar a audição.

Mãe de blusa de linho clara sentada no sofá de uma sala iluminada, acariciando o cabelo da filha de uns 4 anos, que descansa tranquila no colo dela sob uma manta

Se a dúvida é sobre dor de ouvido em adulto, o artigo sobre dor de ouvido trata das causas em todas as idades. Aqui o foco é a criança.

Como saber se o bebê está com dor de ouvido

Criança maior aponta e diz que o ouvido dói. No bebê e na criança de 1 a 3 anos, a dor aparece no comportamento. O CDC, a agência de saúde dos Estados Unidos, e o NHS, o serviço de saúde do Reino Unido, listam estes sinais:

  • choro e irritação fora do normal, difícil de acalmar;
  • dificuldade para dormir, com a criança acordando várias vezes;
  • febre;
  • mão na orelha: esfregar, puxar ou coçar;
  • recusa da comida ou da mamada;
  • não reagir a alguns sons, como se estivesse ouvindo menos;
  • desequilíbrio, com quedas mais frequentes que o habitual;
  • secreção saindo do ouvido.

Nenhum desses sinais, sozinho, confirma que é o ouvido. Quem junta as peças é o pediatra, no exame.

Puxar a orelha quer dizer dor de ouvido?

Nem sempre. Muitos bebês mexem na orelha quando estão com sono ou descobrindo o próprio corpo. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) chama atenção para um detalhe: a criança com dor de ouvido de verdade costuma não tocar nem deixar ninguém tocar na orelha. Quem leva a mão ao ouvido o tempo todo muitas vezes sente coceira ou pressão. Por isso a SBP resume que o diagnóstico da otite é feito olhando o tímpano, não pelos sintomas.

Dor de ouvido infantil à noite

Muitos pais só percebem a dor quando a criança deita e acorda chorando. A dificuldade para dormir está entre os sinais que o CDC lista. Se vier junto com resfriado recente, febre ou mão na orelha, marque o pediatra para o dia seguinte. Com algum dos sinais de alerta mais abaixo, não espere amanhecer.

Quando procurar o pronto-socorro

A maioria das dores de ouvido na infância pode esperar a consulta com o pediatra no mesmo dia ou no seguinte. Procure atendimento logo, no pronto-socorro se o consultório estiver fechado, quando houver:

  • bebê com menos de 3 meses e febre de 38 °C ou mais;
  • febre de 39 °C ou mais em qualquer idade;
  • bebê com menos de 1 ano com dor nos dois ouvidos;
  • pus ou secreção saindo do ouvido;
  • inchaço, vermelhidão ou dor atrás da orelha, ou a orelha empurrada para a frente;
  • criança muito abatida, com vômitos, tontura ou dor de garganta forte;
  • dor ou febre que pioram, ou que não melhoram em 2 a 3 dias;
  • mudança na audição, como se a criança de repente ouvisse menos.

O inchaço atrás da orelha merece atenção especial. A SBP descreve esse quadro, com vermelhidão, calor, apagamento da dobra atrás da orelha e a orelha projetada para a frente, como sinal de mastoidite, uma complicação rara da otite média que precisa de avaliação médica rápida.

Dor de ouvido em criança é comum?

60%

das crianças tiveram pelo menos uma otite média aguda até os 3 anos (Kaur et al., 2017)

6 a 12 meses

é a faixa de idade em que a otite média aguda mais aparece (Kaur et al., 2017)

É muito comum. Num estudo que acompanhou 615 crianças dos 6 aos 36 meses de vida, 23% tiveram pelo menos uma otite média aguda até completar 1 ano, e 60% até os 3 anos. Aos 3 anos, 24% já tinham tido três episódios ou mais. As otites foram mais frequentes em meninos, em quem frequentava creche e em quem tinha casos na família. A amamentação nos primeiros 6 meses apareceu como fator de proteção.

O que causa dor de ouvido em criança

Na criança pequena, a causa mais frequente é a otite média. Na criança que nada, entra também a otite externa.

Otite média depois do resfriado

A otite média é a inflamação atrás do tímpano, na orelha média. Ela quase sempre vem depois de um resfriado ou de uma gripe. A SBP explica por que ela é tão comum na infância: a imunidade ainda está amadurecendo, a criança pega muitos resfriados na creche e na escola e, principalmente, a tuba auditiva é diferente. Esse pequeno canal liga o ouvido ao fundo do nariz. Na criança pequena ele é mais curto, mais horizontal e mais mole, e deixa a secreção do nariz chegar à orelha média e ficar presa ali.

Vírus e bactérias podem causar a otite média. O artigo sobre otite média explica a doença em detalhe, em crianças e adultos.

Otite externa em quem nada

A otite externa é a inflamação do canal do ouvido, do lado de fora do tímpano. É o chamado ouvido de nadador, porque a água parada no canal é o gatilho mais conhecido. Aparece bastante nas férias de piscina e praia, e a dor costuma piorar quando se puxa a orelha. O artigo sobre otite externa mostra os sintomas e a prevenção.

Líquido no ouvido sem infecção

Depois de uma otite, ou mesmo sem ela, pode sobrar líquido atrás do tímpano. Os médicos chamam isso de otite média com efusão. Segundo o CDC, ela não causa febre nem dor. O problema é outro: o líquido abafa a audição, e os pais às vezes só percebem porque a criança passa a não responder quando é chamada. Voltamos a esse ponto na parte sobre audição.

O que fazer em casa até a consulta

Em casa, o objetivo é deixar a criança confortável e observar os sinais até o pediatra examinar. Estes cuidados são seguros:

  • Colo, descanso e líquidos. O CDC orienta repouso e mais água ou outros líquidos durante a infecção.
  • Controle da dor e da febre só com orientação do pediatra. Aliviar a dor faz parte do tratamento da otite, e a diretriz da Academia Americana de Pediatria (AAP) inclui o controle da dor entre as suas recomendações. Mas qual remédio dar, e em que dose, depende da idade e do peso da criança. Quem decide é o pediatra. Se a criança tem menos de 3 meses e está com febre, ligue para o pediatra antes de dar qualquer coisa.
  • Nada dentro do ouvido. Nem cotonete, nem dedo, nem algodão enfiado no canal.
  • Secreção se limpa só por fora, com um algodão, na entrada da orelha.
  • Nada de água no ouvido. No banho, cuidado com a água e o xampu, e piscina só depois de liberada pelo médico.
  • Anote o que você observa: quando a dor começou, a temperatura, se houve secreção e de que lado. Isso ajuda na consulta.

O NHS também lembra que remédio para nariz entupido e para alergia não ajuda na infecção de ouvido. Se você está procurando alívio rápido, o artigo o que é bom para dor de ouvido reúne os cuidados seguros para todas as idades.

Por que não usar remédio caseiro

Óleo morno, alho, leite materno pingado no ouvido, álcool, vapor e cone de vela aparecem muito nas buscas. Nenhum deles trata a otite, e o NHS orienta não colocar nada dentro do ouvido. Tem mais um motivo: quando sai secreção, o tímpano pode estar furado, e só o exame mostra isso. Pingar qualquer coisa num ouvido nessas condições leva o líquido direto para a orelha média. Gota de ouvido, inclusive a que sobrou de outra otite ou de outra pessoa, só com indicação do médico que examinou a criança.

Como o pediatra confirma a otite

O pediatra conversa sobre os sintomas e olha o ouvido com o otoscópio, o aparelho com luz que mostra o canal e o tímpano. Na otite média, o sinal mais forte é o tímpano abaulado, empurrado para fora pelo líquido atrás dele. Segundo a SBP, só o tímpano vermelho não basta para fechar o diagnóstico.

Se a otite volta muitas vezes, se o líquido demora a sair ou se há dúvida no exame, o pediatra encaminha ao otorrinolaringologista, que também examina a criança e pode pedir exames da audição.

Observação vigiada ou antibiótico: quem decide é o médico

Nem toda otite média precisa de antibiótico logo no primeiro dia. A diretriz da AAP de 2013, feita com a Academia Americana de Médicos de Família para crianças de 6 meses a 12 anos, trata do controle da dor, da escolha entre observar e tratar com antibiótico e das otites de repetição. O CDC explica as duas estratégias que o médico pode propor nos casos leves:

  • Observação vigiada: acompanhar por 2 a 3 dias para ver se o próprio organismo resolve a infecção, com retorno se a criança não melhorar.
  • Receita adiada: o médico já entrega a receita, mas pede para esperar 2 a 3 dias e só começar se a criança continuar com sintomas.

A SBP informa que, nos estudos em que parte das crianças recebeu placebo, cerca de 80% dessas crianças melhoraram. Isso não quer dizer que dá para esperar em casa sem consulta. Bebês com menos de 6 meses, dor forte com febre acima de 39 °C, otite nos dois ouvidos em menores de 2 anos, secreção saindo do ouvido e sintomas que passam de 2 a 3 dias pedem avaliação rápida, e é o médico quem decide se trata na hora.

A escolha depende da idade, do exame do tímpano, da força dos sintomas e de a família poder acompanhar a criança nos dias seguintes. É decisão do pediatra ou do otorrino. Não use antibiótico que sobrou em casa nem repita a receita de outra otite.

Otite de repetição e audição: quando pedir avaliação

Fala-se em otite de repetição quando a criança tem 3 episódios em 6 meses ou 4 em um ano. Foi esse o critério usado no estudo de Kaur e colegas para as crianças propensas a otite. Nesses casos, o pediatra costuma encaminhar ao otorrinolaringologista.

A audição entra na conversa por causa do líquido que pode ficar atrás do tímpano depois da otite. Ele não dói, mas abafa os sons. A diretriz americana de otite média com efusão lembra que, na maioria das crianças, esse líquido some sozinho com o tempo. Quando fica, pode atrapalhar a fala, a linguagem e o aprendizado. A diretriz orienta o médico a:

  • fazer um exame de audição adequado para a idade quando o líquido dura 3 meses ou mais;
  • reavaliar a cada 3 a 6 meses enquanto o líquido continuar;
  • conversar com a família sobre o efeito na fala quando o líquido está nos dois ouvidos e há perda de audição confirmada.

Em casa, alguns sinais pedem essa conversa com o pediatra: a criança que não responde quando é chamada de outro cômodo, que pede para repetir, que aumenta o volume da televisão, que fala menos palavras que o esperado para a idade ou que começa a ir mal na escola sem outro motivo aparente.

Dá para prevenir?

Nem sempre, porque a otite média acompanha os resfriados. Mas algumas medidas diminuem o risco, segundo o CDC e a SBP:

  • manter as vacinas em dia, incluindo a pneumocócica e a da gripe (a SBP destaca que a vacina pneumocócica precisa das doses do primeiro ano de vida);
  • amamentar, se possível só no peito até os 6 meses;
  • não fumar perto da criança;
  • lavar as mãos com frequência;
  • restringir a chupeta, de preferência só na hora de dormir;
  • secar bem as orelhas depois da piscina ou do mar.

Para a criança que nada várias vezes por semana e já teve otite externa, o artigo sobre protetor auricular para natação mostra as opções e como usar.

Perguntas frequentes sobre dor de ouvido em criança

Dor de ouvido em criança é perigoso?

Na maioria das vezes, não. A otite média costuma melhorar em poucos dias, com ou sem antibiótico, conforme a decisão do médico. O que pede atendimento rápido são os sinais de alerta: bebê com menos de 3 meses e febre, febre de 39 °C ou mais, secreção, inchaço atrás da orelha e criança muito abatida.

Dor de ouvido em criança passa sozinha?

Muitas vezes, sim. O NHS informa que a maioria das infecções de ouvido melhora em cerca de 3 dias, e às vezes os sintomas duram até uma semana. Mesmo assim, a criança pequena com dor de ouvido deve ser examinada: só o exame mostra se é otite, de que tipo e se precisa de tratamento.

Dor de ouvido em criança sem febre pode ser otite?

Pode. A febre é comum, mas não aparece sempre, e a otite externa costuma não dar febre. Se a dor dura mais de um dia ou volta, leve ao pediatra.

Qual remédio é bom para dor de ouvido em criança?

Quem indica é o pediatra, depois de examinar. A dose de qualquer remédio para dor ou febre depende da idade e do peso, e alguns não servem para certas idades. Em casa, os cuidados seguros são colo, descanso, líquidos e nada dentro do ouvido.

Criança com dor de ouvido pode ir para a piscina?

Durante a infecção, não. O NHS orienta não nadar enquanto houver infecção de ouvido. A volta à água é o médico quem libera.

Otite repetida pode afetar a audição da criança?

Pode, principalmente quando o líquido fica atrás do tímpano por meses e abafa os sons. A diretriz americana orienta um exame de audição adequado para a idade quando o líquido dura 3 meses ou mais. Na maioria das crianças, porém, o líquido some sozinho.

Audição da criança depois das otites em Copacabana

O tratamento da dor e da otite é com o pediatra ou o otorrinolaringologista. Na Hear Clean, clínica de fonoaudiologia, cuidamos da audição: fazemos a audiometria em crianças a partir de 7 anos, útil depois de otites que se repetem ou quando os pais sentem que a criança ainda não voltou a ouvir bem, e o protetor auricular sob medida para natação, também a partir de 7 anos. Para bebês e crianças menores, o pediatra ou o otorrino indica o serviço com os exames próprios para a idade.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Lieberthal AS et al. The diagnosis and management of acute otitis media. Pediatrics, 2013. PubMed
  • Rosenfeld RM et al. Clinical practice guideline: otitis media with effusion (update). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2016. PubMed
  • Kaur R et al. Epidemiology of acute otitis media in the postpneumococcal conjugate vaccine era. Pediatrics, 2017. PubMed
  • Lubianca Neto JF. Otite média. Sociedade Brasileira de Pediatria, 2023. SBP
  • Centers for Disease Control and Prevention. Ear infection basics. CDC, 2024. CDC
  • National Health Service. Ear infections. NHS. NHS
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