Melhores marcas de aparelho auditivo: comparativo honesto

Neste artigo (7 partes)

Quem começa a procurar aparelho auditivo quase sempre digita a mesma pergunta: quais são as melhores marcas de aparelho auditivo? Aparecem listas com cinco, dez nomes, cada uma com uma ordem diferente. A resposta honesta é menos emocionante e mais útil: as grandes fabricantes vendem tecnologias parecidas quando se compara o mesmo nível de preço, e o que mais muda o resultado é o que acontece depois da escolha. Neste artigo você vai ver o que as pesquisas mostram sobre isso, o que cada uma das quatro marcas com que a Hear Clean trabalha (Oticon, Argosy, Starkey e Philips) oferece e quais critérios usar para comparar na prática.

Fonoaudióloga da Hear Clean sorrindo e segurando um aparelho auditivo pequeno entre os dedos

Quais as melhores marcas de aparelho auditivo?

Não existe uma marca que seja a melhor para todo mundo. As grandes fabricantes têm linhas completas, do modelo básico ao mais avançado, em quase todos os formatos, com Bluetooth, versões recarregáveis e aplicativo. Dentro da mesma faixa de preço, a diferença entre elas é pequena perto da diferença que faz um aparelho bem ou mal ajustado.

Um estudo da Universidade de Memphis testou isso com cuidado. Quarenta e cinco pessoas, a maioria por volta dos 70 anos e com perda auditiva leve a moderada nos dois ouvidos, usaram quatro pares de aparelhos, um mês cada: um modelo básico e um modelo avançado (premium) de duas grandes fabricantes. Ninguém sabia qual estava usando. No fim, os participantes não relataram resultado melhor com os modelos avançados em nenhuma das medidas. Os autores resumiram assim: todos os aparelhos ajudaram muito, e ajudaram na mesma medida.

Qualquer aparelho não serve, claro. Entre fabricantes sérias, porém, a escolha da marca pesa menos do que a audiometria, o ajuste e o acompanhamento. Há outras fabricantes grandes no mercado além das quatro citadas aqui, com aparelhos do mesmo nível. Este artigo não faz ranking entre elas.

O que muda o resultado mais que a marca

Um aparelho auditivo não sai da caixa pronto para você. Ele é programado para a sua perda, que é diferente em cada frequência e muitas vezes diferente em cada ouvido. É nessa etapa que o resultado se decide.

A audiometria

Tudo começa pela audiometria, feita em ambiente silencioso, que mostra quanto você ouve em cada frequência e quanto entende das palavras. Sem esse exame bem feito, não há como programar o aparelho de forma correta. Veja como são as duas partes do exame no artigo sobre audiometria tonal e vocal.

O ajuste fino

Todo fabricante tem uma programação inicial automática, chamada de “first-fit” em inglês. Ela é um ponto de partida, calculado a partir da audiometria. Uma pesquisa da Universidade Washington em St. Louis comparou essa programação automática com a mesma programação conferida por medidas feitas dentro do ouvido de cada pessoa, as chamadas medidas no ouvido real. Participaram 24 adultos que nunca tinham usado aparelho, e cada um usou as duas regulagens por quatro semanas, sem saber qual era qual.

Com a regulagem conferida no ouvido, a vantagem típica foi de 15% mais palavras reconhecidas quando ditas em voz baixa. E 79% deles preferiram essa regulagem à automática. O mesmo aparelho, da mesma marca, rendeu mais só porque foi ajustado com mais cuidado.

A adaptação e as revisões

O cérebro leva um tempo para se acostumar de novo com sons que deixou de ouvir. Nas primeiras semanas, é comum achar a própria voz estranha, estranhar ruídos do dia a dia e precisar de ajustes. O NIDCD, o instituto americano de surdez e distúrbios da comunicação, lembra que usar aparelho com sucesso exige tempo e paciência, e que o uso regular ajuda na adaptação. No site brasileiro da Starkey, a fabricante avisa que costuma levar cerca de quatro meses para perceber todo o benefício de aparelhos novos.

Quando esse acompanhamento falha, o aparelho vai para a gaveta. Uma revisão de estudos da Universidade de Nottingham reuniu os motivos que levam pessoas a não usar o aparelho que compraram. Os mais importantes foram o aparelho não trazer benefício suficiente e o desconforto ao usar, dois pontos que o ajuste e as revisões resolvem em boa parte. A MarkeTrak 10, grande pesquisa com usuários de aparelho nos Estados Unidos, encontrou satisfação alta em geral, mas os pontos a melhorar continuam sendo ouvir no barulho e o quanto o próprio usuário entende do seu aparelho.

O suporte e a assistência técnica

Aparelho auditivo é um equipamento pequeno, usado o dia inteiro, em contato com cera, suor e umidade. Filtros entopem, ponteiras precisam de troca e, em algum momento, pode ser preciso consertar. Ter onde levar o aparelho perto de casa, e saber que a marca tem assistência no Brasil, conta tanto quanto os recursos do catálogo. Veja o que entra nos cuidados do dia a dia na página de manutenção de aparelho auditivo.

As marcas com que a Hear Clean trabalha

As quatro marcas abaixo fazem parte do portfólio da clínica. As que mais adaptamos são Argosy e Oticon. Starkey e Philips também são oferecidas quando o paciente procura por elas. Os recursos citados são os que cada fabricante publica no próprio site, e os modelos de Starkey e Philips aparecem aqui como informação de mercado.

Oticon

A Oticon chama a sua abordagem de BrainHearing: aparelhos pensados para apoiar o jeito como o cérebro dá sentido ao som, com acesso ao ambiente sonoro completo. O Oticon Intent é o primeiro aparelho auditivo do mundo com sensores de intenção do usuário. Com a tecnologia 4D Sensor, ele usa os seus movimentos, o ambiente e a conversa ao redor para ajustar o apoio que oferece a cada momento. O Intent miniRITE é recarregável e tem telecoil.

Na mesma marca estão o Oticon Real, a família Own, feita sob medida para ficar dentro da orelha, com um modelo invisível em 9 de cada 10 orelhas, e o Xceed, o aparelho mais potente da marca, para perdas severas a profundas.

Argosy

A Argosy vende no Brasil a linha Vista e tem mais de 300 parceiros de negócios no país. O Vista V se ajusta sozinho ao ambiente sonoro, realçando os sons que você quer ouvir e diminuindo o ruído de fundo, e se conecta a aparelhos com Bluetooth. O Vista V-R é o menor receptor no canal recarregável da marca, e o Vista V-312 é a versão com pilha comum. Para perdas maiores, há o Vista V-UP, um retroauricular de potência ultra com pilha 675.

Nos modelos que ficam dentro da orelha, a Argosy usa produção digital: a impressão da orelha é escaneada em 3D e o aparelho ou molde é fabricado a partir desse modelo virtual. A marca oferece até 3 anos de garantia de fábrica, e as baterias de íons de lítio têm durabilidade comprovada de até 6 anos nos modelos discretos.

Starkey

A linha mais recente da Starkey é o Omega AI, com até 51 horas de bateria por carga no modelo recarregável e resistência à água até 1 metro nos modelos recarregáveis. O recurso Edge Mode+ serve para focar na fala em lugares difíceis, como restaurantes cheios. Pelo aplicativo My Starkey, a pessoa controla o aparelho, faz ajustes por voz e pode acompanhar atividade física. A marca tem os seis formatos, do retroauricular ao invisível no canal.

Philips

Os aparelhos Philips HearLink vão das versões recarregáveis com carregador sem contato aos modelos sob medida e aos extrapotentes. O HearLink 50 miniRITE usa inteligência artificial para tirar o ruído de fundo e dar prioridade à fala, tem Bluetooth LE Audio e mede 2,8 cm de comprimento. Pelo aplicativo HearLink 2, dá para encontrar o aparelho perdido no mapa e fazer uma teleconsulta com a fonoaudióloga, que pode ajustar o aparelho a distância.

Como comparar marcas na prática

Em vez de procurar a marca campeã, compare o que vai fazer diferença no seu dia a dia. O NIDCD sugere olhar, além do aparelho, o que a garantia cobre, a previsão de manutenção e de conserto e a reputação da empresa em qualidade e atendimento. Na prática, vale conferir estes pontos:

  • Assistência no Brasil. Pergunte para onde o aparelho vai se precisar de conserto, quem faz os reparos simples e se a clínica tem as peças e os acessórios originais da marca.
  • Pilha ou recarregável. Todas as quatro marcas têm as duas opções, mas não em todos os modelos. Quem tem pouca firmeza nas mãos costuma se dar melhor com o recarregável. Veja as diferenças no artigo sobre aparelho auditivo recarregável.
  • Aplicativo. Todas têm aplicativo para mudar volume e programa pelo celular. Algumas permitem ajuste a distância pela fonoaudióloga, o que ajuda quem não pode ir à clínica toda hora.
  • Garantia do fabricante. O prazo varia por marca e modelo. A Argosy informa até 3 anos de garantia de fábrica. A Philips dá garantia internacional de pelo menos 24 meses contra defeito de fabricação, sem cobrir peças de reposição como filtros, tubos e receptores. A Starkey informa garantia limitada, com os detalhes passados pelo profissional que vendeu. Peça o prazo e o que ele cobre por escrito.
  • Formatos disponíveis. Se você quer um aparelho que fique todo dentro do ouvido, ou se precisa de muita potência, confira se a marca tem esse formato na linha atual. Os formatos estão explicados no artigo sobre tipos de aparelho auditivo.

A tabela reúne o que cada fabricante publica no site brasileiro.

Marca Formatos na linha atual Recarregável e pilha Aplicativo Fonte
Oticon Atrás da orelha (miniRITE, miniBTE e retroauricular de alta potência) e sob medida (IIC, CIC, ITC e ITE) Recarregável no Intent miniRITE; pilha descartável no Real miniRITE T Oticon Companion modelos, Real miniRITE T, aplicativo
Argosy Receptor no canal (RIC), retroauricular (BTE) e intra-auricular (ITE) Recarregável no Vista V-R e V-PR; pilha no Vista V-312 e V-UP Hearing Remote, com ajuste a distância modelos, aplicativo
Starkey RIC, BTE, IIC, CIC, ITC e ITE Recarregável no Omega AI (até 51 horas por carga); modelos a pilha, que dura de 3 a 22 dias My Starkey formatos, Omega AI, pilhas
Philips miniRITE, miniBTE, retroauricular de alta potência e sob medida (ITE, ITC, CIC e IIC) Recarregável no HearLink 50; pilha descartável no HearLink 20 BTE UP Philips HearLink 2, com teleconsulta e ajuste a distância modelos, HearLink 20, aplicativo

A tabela mostra o que existe no catálogo de cada marca. Quem confirma qual modelo serve para a sua perda e para o seu ouvido é a avaliação com a fonoaudióloga.

Qual a melhor marca de aparelho auditivo no Brasil?

A melhor é a que tem assistência perto de você e um profissional que acompanhe o seu aparelho depois da compra. As quatro marcas deste artigo mantêm site em português, canal de contato e busca de profissionais no Brasil. Por isso, na hora de decidir, vale mais perguntar quem vai ajustar, revisar e mandar o aparelho para conserto do que comparar a origem de cada fabricante.

O NIDCD sugere algumas perguntas antes da compra: se há um período de teste, quanto tempo dura a garantia e se ela pode ser estendida, se o profissional faz os ajustes e os pequenos reparos e se há aparelho reserva enquanto o seu estiver no conserto. Essas respostas dizem mais sobre o seu resultado do que o nome na caixa.

Perguntas frequentes sobre marcas de aparelho auditivo

Qual é o melhor aparelho auditivo do mercado?

Não há um único modelo melhor para todos. O melhor é o que combina com o tipo e o grau da sua perda, com o formato do seu ouvido e com a sua rotina, e que foi ajustado e revisado por um profissional. A escolha começa pela audiometria, não pelo catálogo.

Aparelho auditivo mais caro é sempre melhor?

Não necessariamente. No estudo da Universidade de Memphis, os usuários não perceberam vantagem dos modelos avançados sobre os básicos no dia a dia. O NIDCD também avisa que o aparelho mais caro não é, por isso, o que vai servir melhor para você. O que faz o valor variar está no artigo sobre o preço do aparelho auditivo.

Qual o melhor aparelho auditivo para idosos?

Depende mais do formato e da facilidade de uso do que da marca. Firmeza das mãos, visão, uso de óculos e dificuldade com pilhas pequenas pesam na escolha. O artigo sobre tipos de aparelho auditivo explica o que considerar em cada caso.

Qual a melhor marca de aparelho auditivo recarregável?

As quatro marcas têm modelos recarregáveis, e a autonomia muda de um modelo para outro. Na Hear Clean, os recarregáveis que mais adaptamos são o Oticon Intent e o Argosy Vista. Compare as opções no artigo sobre aparelho auditivo recarregável.

Onde fazer a manutenção do aparelho auditivo?

Com o profissional que acompanha o seu aparelho. Na Hear Clean, alguns reparos, principalmente em acessórios, são feitos na própria clínica. Dependendo do problema, o aparelho vai para a assistência do fabricante. Veja como funciona na página de manutenção de aparelho auditivo.

Marcas de aparelho auditivo em Copacabana

Na Hear Clean, a escolha da marca vem depois da avaliação auditiva gratuita, com a audiometria completa feita na nossa sala acústica, sem pedido médico e sem compromisso de compra. Trabalhamos com aparelhos auditivos Oticon, Argosy, Starkey e Philips. Na consulta, você experimenta modelos de demonstração, e a fonoaudióloga indica, entre as marcas, as opções que fazem sentido para a sua perda e a sua rotina. Quando o caso permite, você testa o aparelho em casa, sem custo, antes de decidir. Quem opta pelo tratamento recebe o aparelho com os exames, a adaptação e as revisões incluídos. Também atendemos quem já usa aparelho de qualquer marca para o acompanhamento da audição.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Cox RM, Johnson JA, Xu J. Impact of hearing aid technology on outcomes in daily life I: the patients’ perspective. Ear and Hearing, 2016. PubMed
  • Valente M et al. Differences in word and phoneme recognition in quiet, sentence recognition in noise, and subjective outcomes between manufacturer first-fit and hearing aids programmed to NAL-NL2 using real-ear measures. Journal of the American Academy of Audiology, 2018. PubMed
  • McCormack A, Fortnum H. Why do people fitted with hearing aids not wear them? International Journal of Audiology, 2013. PubMed
  • Picou EM. MarkeTrak 10 (MT10) survey results demonstrate high satisfaction with and benefits from hearing aids. Seminars in Hearing, 2020. PubMed
  • National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Hearing aids, 2022. NIDCD
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