Aparelho auditivo: qual o valor e o que faz o preço variar

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Mulher de cerca de 70 anos, de cabelos grisalhos, sentada à mesa da cozinha olhando um pequeno aparelho auditivo na palma da mão

Aparelho auditivo: qual o valor? Essa costuma ser a primeira pergunta de quem percebe que está pedindo para repetirem as frases, aumentando a TV ou evitando conversas em lugares barulhentos. Não existe um preço único. O valor muda muito conforme a tecnologia, o modelo e os serviços que vêm junto com o aparelho. Neste artigo você vai entender o que faz o preço subir ou descer, o que perguntar antes de comparar propostas, como conseguir o aparelho de graça pelo SUS e quando o plano de saúde cobre.

Qual o valor de um aparelho auditivo?

Depende de uma combinação de fatores: o nível de tecnologia, o tipo de aparelho, se ele é recarregável, se conecta ao celular, se você vai usar um ou dois e quais serviços estão incluídos. Entre o modelo mais simples e o mais avançado de uma mesma marca, a diferença de preço é grande.

Você vai encontrar na internet várias tabelas com valores, quase sempre feitas por lojas ou fabricantes. Não encontramos um levantamento independente e atualizado de preços no Brasil, por isso este artigo não traz números. Ele mostra o que pesa na conta, para você entender qualquer proposta que receber e conseguir comparar uma com a outra.

Existe ainda um caminho sem custo para o paciente: o Sistema Único de Saúde (SUS) fornece aparelhos auditivos, com avaliação, adaptação e acompanhamento. Explicamos como funciona mais abaixo.

Quantas pessoas precisam de aparelho auditivo?

Muitas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 5% da população mundial, cerca de 430 milhões de pessoas, tem uma perda auditiva que já atrapalha a vida e precisa de reabilitação. A projeção para 2050 é de quase 2,5 bilhões de pessoas com algum grau de perda auditiva, e mais de 700 milhões delas vão precisar de reabilitação.

Não tratar também tem custo. A OMS calcula que a perda auditiva sem tratamento custa ao mundo quase 1 trilhão de dólares por ano.

E o aparelho auditivo funciona. Uma revisão Cochrane (um tipo de estudo que reúne e compara as melhores pesquisas sobre um tema) analisou cinco estudos com 825 adultos, com média de idade entre 69 e 83 anos, e concluiu que o aparelho auditivo melhora a capacidade de ouvir e a qualidade de vida de quem tem perda auditiva leve a moderada.

O que faz o preço do aparelho auditivo variar

Quase todo aparelho moderno é digital. O que muda de um para outro é quanto ele consegue fazer sozinho, o formato, a bateria e o pacote de serviços.

Nível de tecnologia

Cada fabricante oferece o mesmo aparelho em várias “linhas”, do básico ao avançado. A diferença está no processador, o pequeno computador que trata o som. Os modelos mais completos reconhecem sozinhos o ambiente (uma sala silenciosa, um restaurante cheio, uma rua com trânsito) e ajustam o som sem você precisar mexer em nada. Também separam melhor a voz de quem fala com você do barulho em volta. Para quem passa o dia em casa, com poucas conversas, um modelo mais simples pode dar conta. Para quem trabalha, frequenta reuniões ou encontros de família barulhentos, esses recursos fazem mais diferença.

Número de canais

Canais são as faixas de som (dos graves aos agudos) que o aparelho ajusta separadamente. Com mais canais, o profissional consegue ajustar o aparelho de forma mais fina ao desenho da sua perda, que aparece na audiometria. Mais canais costumam significar um aparelho mais caro, mas isso não quer dizer que todo mundo precise do número máximo.

Tipo de aparelho

O formato também entra na conta. Os principais tipos são estes:

Tipo Onde fica O que considerar
Retroauricular Atrás da orelha, ligado a um molde ou a uma ponteira dentro do canal Atende dos graus leves aos mais severos. É mais fácil de manusear para quem tem pouca firmeza nas mãos.
Receptor no canal Corpo pequeno atrás da orelha e um fio fino que leva o som até dentro do canal É discreto. Muitos modelos recarregáveis e com Bluetooth têm esse formato.
Intra-auricular Dentro da concha da orelha É feito sob medida, a partir de um molde do seu ouvido.
Intracanal e microcanal Dentro do canal do ouvido, quase ou totalmente escondido Também é feito sob medida. Depende do tamanho do seu canal e do grau da perda, e pode ser difícil de manusear.

O menor aparelho não é necessariamente o mais caro, nem o mais indicado. O tipo certo depende do grau da perda, do formato do seu ouvido, da firmeza das mãos e da sua rotina.

Recarregável ou a pilha

Os aparelhos recarregáveis passam a noite numa base de carga, como um celular, e dispensam a troca de pilhas minúsculas. Costumam custar mais na compra, mas acabam com o gasto contínuo com pilhas e ajudam muito quem tem dificuldade para trocá-las. Os aparelhos a pilha continuam sendo uma boa opção, principalmente quando o orçamento é mais apertado.

Conexão com celular e TV

Muitos aparelhos se conectam por Bluetooth ao celular. Você pode atender ligações e ouvir mensagens de voz direto no aparelho, e em alguns modelos ajustar o volume por um aplicativo. Há acessórios que levam o som da TV direto para o ouvido. Tudo isso é prático, mas aumenta o preço. Vale pensar se você de fato vai usar.

Um ou dois ouvidos

Quando a perda existe nos dois ouvidos, a indicação costuma ser de um aparelho para cada lado. Ouvir com os dois ouvidos ajuda o cérebro a localizar de onde vem o som e a entender a fala no meio do barulho. Na hora de comparar propostas, pergunte sempre se o valor informado é por aparelho ou pelo par.

Recursos para zumbido

Alguns aparelhos têm geradores de som que ajudam no tratamento do zumbido. Para quem tem perda auditiva e zumbido no ouvido, esse recurso pode fazer parte do tratamento do zumbido.

Serviços incluídos

Esse item muda bastante de uma proposta para outra e quase nunca aparece nas tabelas da internet. O aparelho não sai da caixa pronto para usar. Ele precisa ser programado de acordo com a sua audiometria, conferido no seu ouvido e reajustado nas semanas seguintes, conforme você se acostuma aos sons. Depois, precisa de revisões, limpeza e acompanhamento da audição ao longo dos anos. Uma proposta mais barata que não inclui nada disso pode sair mais cara no fim.

Ilustração de quatro orelhas, cada uma com um tipo de aparelho auditivo: retroauricular com molde, receptor no canal, intra-auricular na concha e microcanal dentro do canal
Da esquerda para a direita: o retroauricular fica atrás da orelha; o receptor no canal tem um corpo pequeno atrás da orelha e um fio fino até o canal; o intra-auricular ocupa a concha da orelha; o microcanal fica escondido dentro do canal.

Aparelho auditivo mais caro é sempre melhor?

Não. O melhor aparelho é o que combina com a sua perda auditiva, com a sua rotina e com o seu ouvido, e que foi bem ajustado. Um modelo avançado mal adaptado pode acabar esquecido na gaveta. Um modelo intermediário bem regulado e com bom acompanhamento pode trazer um resultado excelente.

Por isso a escolha começa pela avaliação, e não pelo catálogo. A audiometria mostra o tipo e o grau da perda em cada frequência. Veja como funciona o exame no artigo sobre audiometria tonal e vocal. Com esse resultado e uma conversa sobre o seu dia a dia, o fonoaudiólogo consegue indicar o nível de tecnologia que faz sentido para você.

O que perguntar antes de comparar propostas

Duas propostas com o mesmo valor podem incluir coisas muito diferentes. Antes de decidir, pergunte:

  • O valor é por aparelho ou pelo par?
  • Qual é a marca, o modelo e o nível de tecnologia? Peça o nome exato para poder comparar.
  • A adaptação está incluída? Quantos retornos de ajuste estão previstos nos primeiros meses?
  • Como é o acompanhamento depois da adaptação? Estão previstas revisões, limpeza e nova audiometria quando for preciso?
  • Qual é a garantia e o que ela cobre? Existe seguro contra perda ou quebra?
  • O que vem na caixa: carregador, pilhas, moldes, filtros, estojo, acessórios?
  • Onde é feita a assistência técnica e quanto tempo o aparelho fica fora em caso de conserto?

Quais são os custos depois da compra

Depois da compra, o aparelho ainda tem gastos de manutenção. Nos modelos a pilha, a troca de pilhas é frequente. Em quase todos os modelos, há peças pequenas que se desgastam e precisam de reposição, como filtros de cera, ponteiras de silicone e tubos. Muita gente também usa um desumidificador, um estojo que ajuda a tirar a umidade do aparelho durante a noite. Fora isso, pode haver custo com consertos fora da garantia.

A cera do ouvido é uma das principais inimigas do aparelho, porque entope o filtro e a saída de som. Se você tem tendência a acumular cera, veja como cuidar da cera do ouvido com segurança. Quem remove a cera acumulada é o médico otorrinolaringologista.

Aparelho auditivo barato da internet funciona?

Muitas vezes, o que se vende muito barato na internet como “aparelho auditivo” é um amplificador de som. Ele aumenta o volume de tudo por igual, inclusive do barulho, sem levar em conta em quais frequências você ouve menos. Um aparelho auditivo de verdade é programado conforme a sua audiometria.

O amplificador pode incomodar, deixar a dificuldade de entender a fala do mesmo jeito e ainda atrasar o diagnóstico de uma perda que merecia atenção. Antes de comprar qualquer produto, confira se ele tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como produto para saúde e prefira fazer uma avaliação auditiva primeiro.

Aparelho auditivo pelo SUS: como conseguir de graça

O SUS fornece aparelho auditivo sem custo para o paciente. Segundo o Ministério da Saúde, o fornecimento é feito por serviços de saúde auditiva habilitados e pelos Centros Especializados em Reabilitação (CER) com modalidade auditiva, que fazem parte da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Esses serviços fazem a avaliação e o diagnóstico da perda auditiva, a seleção e a entrega do aparelho, a reabilitação, o acompanhamento e a manutenção.

O caminho costuma ser este:

  1. Procure a unidade de atenção primária perto da sua casa. No Rio de Janeiro, são as Clínicas da Família e os Centros Municipais de Saúde. Leve documento de identidade e o cartão do SUS.
  2. Depois do atendimento, a equipe faz o encaminhamento para a saúde auditiva pelo sistema de regulação do município.
  3. Quando chegar a sua vez, o serviço especializado faz a consulta, os exames da audição e, se o aparelho for indicado, a seleção e a adaptação.
  4. Depois da entrega, o serviço faz o acompanhamento periódico, com revisões e ajustes.

No município do Rio, a Secretaria Municipal de Saúde lista entre as unidades com reabilitação auditiva o Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark, a Policlínica Newton Bethlem, a Policlínica Manoel Guilherme da Silveira Filho e o Centro Educacional Nosso Mundo. O tempo de espera varia bastante de uma região para outra.

Plano de saúde cobre aparelho auditivo?

Em geral, não. A Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/1998, art. 10, inciso VII) permite excluir da cobertura as próteses e órteses que não estão ligadas a uma cirurgia, e o aparelho auditivo externo entra nessa categoria. Em 2021, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que o plano não é obrigado a pagar o aparelho auditivo externo quando o contrato não prevê essa cobertura.

Há duas situações diferentes:

  • Contrato que inclui o aparelho. Alguns planos oferecem essa cobertura ou reembolso parcial. Vale ler o contrato ou perguntar à operadora.
  • Implante coclear. É uma prótese colocada por cirurgia, indicada para perdas severas ou profundas quando o aparelho comum não resolve. Ele está no Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e tem cobertura obrigatória nos planos com segmentação hospitalar, seguindo critérios definidos pela agência.

Mesmo quando o plano não cobre o aparelho, ele costuma cobrir a consulta com o otorrinolaringologista e os exames de audição. Confira com a sua operadora.

Perguntas frequentes sobre o valor do aparelho auditivo

Por que o aparelho auditivo é tão caro?

Porque é um equipamento médico miniaturizado, com processador, microfones e bateria, feito para funcionar o dia inteiro dentro ou atrás da orelha, por anos. Além do aparelho em si, o valor normalmente inclui a programação, a adaptação e o acompanhamento feitos por um profissional.

Qual o valor do aparelho auditivo fornecido pelo SUS?

Para o paciente, nenhum. O aparelho, a adaptação e o acompanhamento são gratuitos nos serviços habilitados pelo Ministério da Saúde.

O aparelho auditivo do SUS é bom?

Os serviços do SUS selecionam e adaptam o aparelho de acordo com o tipo e o grau da perda auditiva, e fazem o acompanhamento depois da entrega. Como em qualquer aparelho, o resultado depende muito de uma boa adaptação e do uso diário.

Aparelho auditivo invisível é mais caro?

Nem sempre. O preço depende mais do nível de tecnologia do que do tamanho. Os modelos que ficam dentro do canal são feitos sob medida a partir do molde do seu ouvido, e não servem para todos os tipos de perda nem para todos os formatos de canal.

Quanto tempo dura um aparelho auditivo?

Com os cuidados certos (limpeza diária, proteção contra umidade e revisões), um aparelho auditivo costuma durar vários anos. A troca pode ser necessária antes disso se a sua audição mudar e o aparelho não conseguir mais acompanhar.

Preciso de exame para comprar aparelho auditivo?

Sim, é o primeiro passo. Sem a audiometria não dá para saber se o aparelho é indicado, qual tipo serve nem como programá-lo. O ideal é que o otorrinolaringologista também examine o ouvido, para descartar causas que têm outro tratamento, como a cera acumulada ou uma otite.

Avaliação auditiva em Copacabana

Antes de pensar em modelo ou em marca, vale entender como está a sua audição. Na Hear Clean, a avaliação começa com uma conversa sobre as situações em que você sente mais dificuldade. Depois, fazemos a avaliação da audição em cabina acústica e explicamos, com calma, quais aparelhos auditivos fazem sentido para o seu tipo de perda auditiva e para a sua rotina.

Agende sua avaliação auditiva. Estamos na Rua Santa Clara, 70, sala 1008, em Copacabana, Rio de Janeiro. Telefone: (21) 2547-7443, ou fale com a gente pelo WhatsApp no botão da página ou pelo formulário de contato.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde. Deafness and hearing loss (fact sheet), 2026. OMS
  • Ferguson MA et al. Hearing aids for mild to moderate hearing loss in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2017. PubMed
  • Ministério da Saúde. Como adquirir aparelho auditivo ou Sistema FM no SUS?, 2022. gov.br
  • Brasil. Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. Planalto
  • Agência Nacional de Saúde Suplementar. Parecer Técnico nº 15/GEAS/GGRAS/DIPRO/2021: cobertura de implante coclear, 2021. ANS
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