Protetor auricular para bebê, criança e autismo: o que usar

Neste artigo (11 partes)

Réveillon na praia, festa de aniversário com caixa de som, show ao ar livre, obra no apartamento de cima. Em todas essas situações aparece a mesma dúvida: vale usar protetor auricular para bebê? E qual? Para bebês e crianças pequenas, a resposta costuma ser o abafador tipo concha, aquele que parece um fone grande, e não o plug que entra no ouvido. Neste artigo você vai ver por que, quando faz sentido usar, como escolher e ajustar, o que os estudos dizem sobre o abafador no autismo e a partir de que idade dá para fazer protetor sob medida.

Mãe e pai sorriem num calçadão de pedras portuguesas à beira-mar, no fim de tarde, e a mãe segura no colo uma criança pequena que usa um abafador de ruído infantil rosa

Por que o ouvido do bebê depende do adulto

Porque o bebê não consegue se proteger sozinho. Um adulto incomodado com o barulho se afasta da caixa de som, tampa os ouvidos com as mãos ou vai embora. O bebê não faz nada disso. O NIDCD, instituto de pesquisa em audição dos Estados Unidos, inclui na lista de cuidados contra a perda auditiva causada por ruído uma orientação direta para os adultos: proteger os ouvidos das crianças que ainda são pequenas demais para se proteger.

O mesmo instituto lembra que a perda auditiva causada por barulho pode acontecer em qualquer idade, inclusive na infância, e que dá para evitá-la. O risco depende de três coisas: o volume, a distância da fonte e o tempo de exposição. A regra prática do NIDCD é evitar o barulho que for alto demais, perto demais ou longo demais.

Há também a sensibilidade. O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, explica que crianças costumam ser mais sensíveis a barulho alto que adultos e que isso muitas vezes melhora com a idade. Ou seja, um som que para você é só alto pode ser bem desagradável para a criança.

Quando procurar avaliação

Converse com o pediatra ou leve a criança ao otorrinolaringologista se:

  • ela parece não ouvir bem, pede para repetir ou não reage quando você chama;
  • depois de um barulho forte, ela se queixa de apito no ouvido ou de som abafado que não passa;
  • a sensibilidade ao som apareceu de repente ou está piorando;
  • o incômodo com barulho atrapalha a escola, o sono ou a convivência;
  • há dor de ouvido, secreção ou febre.

Se a criança tem otites com frequência, o artigo sobre dor de ouvido em criança mostra os sinais de alerta.

Quanto barulho é demais

O som é medido em decibéis (dB). A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma tabela com o tempo de exposição considerado seguro por semana para cada nível de som. Alguns exemplos:

Nível do som Exemplo da OMS Tempo seguro por semana
60 dB Conversa normal Sem limite
80 dB Campainha 40 horas
90 dB Conversa aos gritos 4 horas
100 dB Secador de cabelo 20 minutos
110 dB Grito no ouvido 2 minutos e meio
150 dB Rojões Nenhum

Pelos números do NIDCD, um show ou evento esportivo fica entre 94 e 110 dB, e um espetáculo de fogos de artifício chega a 140 a 160 dB. A distância conta muito: o mesmo show é bem mais alto ao lado da caixa de som do que no fundo do salão.

Plug não é para bebê: por que o abafador tipo concha

O plug é o protetor que entra no canal do ouvido, de espuma ou silicone. Para bebês e crianças pequenas, ele tem dois problemas.

O primeiro é o tamanho. Os plugs prontos são pequenos o bastante para ir parar na boca. Um hospital de Taiwan descreveu o caso de uma bebê de 7 meses que engoliu um tampão de espuma e teve obstrução do intestino. Os autores alertam que esse tipo de protetor pode ser perigoso para crianças e que, molhado, ele quase some nos exames de imagem.

O segundo é o próprio ouvido. Num levantamento de dez anos nos prontos-socorros dos Estados Unidos, protetores de ouvido e fones de ouvido foram 3% dos objetos estranhos que levaram crianças ao atendimento por algo preso no ouvido. Quando o plug entra fundo demais, pode ser preciso ir ao pronto-socorro para tirar.

O abafador tipo concha não tem esses riscos: ele fica do lado de fora, cobre a orelha inteira e veda com uma almofada apoiada na cabeça. É fácil de pôr e tirar, e dá para ver de longe se está no lugar. Por isso, quando o assunto é abafador de ruído para bebê, o modelo de concha é o caminho. A diferença entre os dois tipos está explicada em detalhe no artigo protetor auricular plug ou concha.

Quando usar o abafador de ruído infantil

O abafador é para momentos de barulho alto de verdade, e não para o dia a dia. Situações em que ele faz sentido:

  • fogos de artifício, no Réveillon de Copacabana, em jogos ou em festas juninas;
  • shows e festivais, principalmente perto das caixas de som;
  • festas com som alto, como casamentos e aniversários com DJ ou banda;
  • jogos em estádio ou ginásio;
  • obras e reformas por perto, com furadeira, serra ou martelete;
  • corridas de carro ou moto e outros lugares barulhentos onde a família vai ficar um bom tempo.

Mesmo com o abafador, a distância continua sendo a melhor proteção. Se o bebê está incomodado, chorando ou tentando tirar o abafador, a solução é sair de perto do barulho. Ver os fogos de longe, da janela ou de um ponto mais afastado da praia, protege mais do que qualquer abafador ao lado do palco.

E no avião?

Muitos pais procuram protetor de ouvido para bebê viajar de avião. O abafador diminui o barulho da cabine, mas não resolve a sensação de ouvido tampado na subida e na descida, que vem da diferença de pressão. O artigo sobre ouvido tampado explica por que isso acontece. Se o seu filho tem dor de ouvido ou otites frequentes, converse com o pediatra antes da viagem.

E para dormir?

Antes de pensar em protetor para a criança dormir, converse com o pediatra ou com o otorrinolaringologista. A criança pequena nem sempre consegue avisar quando algo aperta ou incomoda, e quem conhece a saúde dela é que pode orientar. Para adultos, o guia de protetor auricular para dormir compara os tipos.

Como escolher e ajustar o abafador

Na hora de comprar, procure um modelo infantil, feito para o tamanho da cabeça do seu filho. O abafador só protege bem quando a almofada encosta na pele em volta de toda a orelha. Um modelo de adulto pode ficar largo na cabeça pequena, e qualquer fresta deixa o som passar. Alguns cuidados ajudam na escolha e no uso:

  1. Ajuste a haste à cabeça da criança, sem apertar e sem deixar escorregar quando ela se mexe.
  2. Confira se as almofadas envolvem a orelha inteira, sem dobrar a orelha para dentro.
  3. Não deixe nada embaixo da almofada: gorro, tiara, laço, presilha ou mecha de cabelo abrem uma fresta.
  4. Prefira um modelo leve. Abafador pesado ou apertado demais acaba arrancado pela criança.
  5. Deixe a criança usar em casa antes, por alguns minutos, brincando. Assim ela se acostuma antes do dia da festa.
  6. Troque a almofada ou o abafador quando a almofada rasgar ou endurecer, porque ela deixa de vedar.

Por que não usar o tempo todo

O protetor é para o barulho alto, e não para o silêncio constante. O NHS orienta não usar tampão ou abafador o tempo todo, porque isso pode deixar a pessoa mais sensível ao barulho. A orientação também é não fugir do barulho por completo, pelo mesmo motivo. O uso por pouco tempo, em ambientes muito barulhentos, pode ajudar.

A explicação está no cérebro, que ajusta o “volume” conforme o que chega do ouvido. Com o ouvido sempre tapado, chega menos som e o cérebro tende a aumentar o volume, e os sons comuns passam a incomodar mais. Essa sensibilidade aumentada tem nome: hiperacusia. O artigo sobre ela explica o mecanismo e o que ajuda.

Na prática: abafador no show, nos fogos e na obra. Na casa, no carro, na escola e no parquinho, deixe a criança ouvir o mundo, porque é ouvindo que ela aprende a falar.

Protetor auricular e autismo

Muitas crianças autistas sentem os sons de um jeito mais intenso. O NHS cita o autismo entre as condições em que a hiperacusia aparece com mais frequência. Para essas famílias, o protetor auricular no autismo, quase sempre um abafador tipo concha ou um fone com redução de ruído, pode ser uma ferramenta útil. Os estudos ainda são pequenos, mas apontam alguns caminhos.

Quando o abafador ajuda

Um estudo japonês acompanhou 21 crianças autistas de 4 a 16 anos com reação forte a sons. Depois de duas semanas sem nada, elas usaram por duas semanas um abafador comum e, por outras duas, um fone com cancelamento de ruído. Durante o período do abafador, pais e professores relataram melhora nos comportamentos ligados ao incômodo com o som. Os próprios autores chamam o trabalho de estudo preliminar.

Num estudo americano, publicado numa revista de fisioterapia e terapia ocupacional pediátrica, os pesquisadores entrevistaram pais e professores de crianças autistas de 6 a 12 anos com sensibilidade ao som. Eles contaram que os abafadores e fones ajudaram as crianças a participar mais da vida em casa, na escola e na rua. Duas coisas chamaram atenção: preparar a criança antes de usar diminuiu as dificuldades, e muitas crianças aprenderam a perceber sozinhas quando precisavam do abafador e a pedir por ele.

Quando pode atrapalhar

Nem toda criança aceita. No estudo japonês, 4 das 21 crianças se recusaram a usar tanto o abafador quanto o fone. Forçar costuma piorar a experiência.

O outro cuidado é o mesmo da seção anterior: usar o tempo todo pode aumentar a sensibilidade ao som. Além disso, a audição tem papel central no desenvolvimento da fala e da linguagem, e uma pesquisa com fonoaudiólogos, audiologistas e professores encontrou dúvidas entre os profissionais sobre os efeitos do uso desses protetores e a falta de orientações claras para acompanhar esse uso. Um abafador o dia inteiro na sala de aula pode tirar dela justamente o que ela precisa ouvir.

O abafador como parte de um plano

O abafador funciona melhor como uma ferramenta dentro do acompanhamento da criança, e não como solução sozinha. Se o seu filho faz terapia ocupacional, leve o assunto para a terapeuta: ela pode ajudar a combinar em que situações usar, por quanto tempo e como ir reduzindo o uso conforme a criança se sente mais segura. O pediatra, o neuropediatra e o otorrinolaringologista também ajudam a separar o que é sensibilidade sensorial do que pode ser um problema de ouvido.

Cada criança é diferente, e nenhum protetor garante resultado. O que os estudos mostram é que, bem planejado e usado nas horas certas, ele pode deixar alguns ambientes mais fáceis.

Protetor auricular infantil: a partir de que idade dá para fazer sob medida

O protetor sob medida é um tipo de plug feito em silicone a partir do molde da orelha da criança. Na Hear Clean, ele é feito a partir de 7 anos. Antes dessa idade, a orientação é o abafador tipo concha pronto, e as dúvidas sobre o uso ficam com o pediatra.

Para fazer o molde, a criança precisa ficar quieta por alguns minutos enquanto a massa endurece na orelha. A orelha também cresce, por isso o protetor da criança precisa ser refeito todo ano.

O sob medida segue o formato da orelha e costuma ser confortável para quem usa por mais tempo. Para natação, o artigo sobre protetor auricular para natação mostra o que muda para as crianças. Um detalhe importante para os adolescentes que já trabalham: o protetor sob medida da clínica não tem CA, o Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho, e por isso não serve como equipamento de proteção individual (EPI) no emprego.

Perguntas frequentes sobre protetor auricular para bebê e criança

Bebê pode usar protetor auricular?

Pode usar abafador tipo concha, em situações de barulho alto e por pouco tempo. O plug, que entra no ouvido, não é indicado para bebês, porque pode ir parar na boca ou ficar preso no canal do ouvido.

Qual o melhor abafador de ruído infantil?

É o que fica bem na cabeça da criança: haste ajustável ao tamanho dela, almofadas macias que envolvem a orelha inteira e peso leve, para ela aceitar usar. Abafador de adulto fica largo e protege pouco.

Com quantos anos a criança pode usar plug?

Não há uma idade única definida. Plugs prontos são pequenos, podem ir parar na boca e já levaram crianças ao pronto-socorro por ficarem presos no ouvido. Na dúvida, fique com o abafador e converse com o pediatra. O protetor sob medida, na Hear Clean, é feito a partir de 7 anos.

Abafador de ruído ajuda criança autista?

Pode ajudar, segundo estudos pequenos, principalmente em lugares barulhentos. Funciona melhor dentro de um plano combinado com a terapia ocupacional, com horários definidos, e não usado o dia inteiro.

Usar abafador o tempo todo faz mal?

Pode deixar a criança mais sensível aos sons comuns, segundo o NHS. Além disso, ela precisa ouvir as pessoas em volta. Use nos momentos de barulho alto e tire depois.

Bebê pode ver fogos de artifício de perto?

Não é o ideal. Os fogos podem passar de 140 dB, um nível em que a OMS não considera nenhum tempo de exposição seguro. Prefira ver de longe e, se ficar na área, com abafador bem ajustado.

Protetor auricular infantil em Copacabana

Na Hear Clean, fazemos o protetor auricular sob medida para crianças a partir de 7 anos e para adultos, para barulho, natação ou outras necessidades. A fonoaudióloga confere o canal do ouvido, protege o fundo com uma pequena espuma e preenche a orelha com uma massa macia, que endurece em poucos minutos, sem dor. O molde vai para o laboratório, e o protetor fica pronto em torno de uma semana, em silicone, numa das várias cores disponíveis. Como a orelha cresce, o da criança é refeito todo ano. A partir de 7 anos, também fazemos a audiometria na nossa sala acústica, para quem quer saber se o barulho deixou marca na audição.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Noise-induced hearing loss. NIH, atualizado em 2025. NIDCD
  • Organização Mundial da Saúde. Deafness and hearing loss: safe listening. WHO Questions and answers. OMS
  • NHS. Hyperacusis. NHS Health A to Z. NHS
  • Hsu LS et al. A computed tomography phantom study of foam earplugs: uncommon but potentially hazardous foreign body ingestion in children. Medicine (Baltimore), 2016. PubMed
  • Ikuta N et al. Effectiveness of earmuffs and noise-cancelling headphones for coping with hyper-reactivity to auditory stimuli in children with autism spectrum disorder: a preliminary study. Hong Kong Journal of Occupational Therapy, 2016. PubMed
  • Pfeiffer B et al. Impact of noise-attenuating headphones on participation in the home, community, and school for children with autism spectrum disorder. Physical & Occupational Therapy in Pediatrics, 2019. PubMed
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