Ouvido tampado depois de gripe ou avião: como destampar com segurança
Neste artigo (12 partes)
- Por que o ouvido fica tampado: a tuba auditiva e a pressão
- Quando o ouvido tampado é urgência
- Ouvido tampado no avião é comum?
- Ouvido tampado depois de gripe, rinite ou sinusite
- Barotrauma: ouvido tampado no avião, no mergulho e na serra
- Como destampar o ouvido com segurança
- O que não fazer com o ouvido tampado
- Ouvido tampado há 5 dias: quanto tempo esperar?
- Como é feito o diagnóstico
- Tratamento: quem indica é o otorrino
- Perguntas frequentes sobre ouvido tampado
- Ouvido tampado: avaliação auditiva em Copacabana
O ouvido tampado que aparece na descida do avião ou alguns dias depois de uma gripe tem quase sempre o mesmo responsável: a tuba auditiva, um canal fininho que liga o ouvido ao fundo do nariz e cuida da pressão lá dentro. Quando ela não abre direito, o som fica abafado, o ouvido estala e às vezes dói. Aqui você vai entender por que isso acontece, como destampar o ouvido com manobras seguras, quanto tempo esperar e quais sinais pedem médico no mesmo dia.
Se o seu ouvido tampou depois do banho, com cera ou sem nenhum motivo aparente, o artigo sobre ouvido entupido explica as outras causas. Se foi água da piscina ou do mar, veja como tirar água do ouvido.
Por que o ouvido fica tampado: a tuba auditiva e a pressão
Atrás do tímpano existe uma pequena câmara com ar, o ouvido médio. Para o tímpano vibrar bem, a pressão do ar ali dentro precisa ser igual à pressão de fora. Quem faz esse ajuste é a tuba auditiva (o nome antigo é trompa de Eustáquio), um canal da largura de um grafite de lápis que vai do ouvido médio até o fundo do nariz.
Na maior parte do tempo a tuba fica fechada. Ela se abre por um instante quando você engole, boceja, mastiga ou mexe a mandíbula, e nesse momento deixa passar um pouco de ar. É o estalo que você às vezes sente ao engolir.
O ouvido tampa em duas situações:
- A pressão de fora muda mais depressa do que a tuba consegue acompanhar. É o que acontece na descida do avião, no mergulho e, com menos força, na descida da serra. O ar de fora “empurra” o tímpano para dentro.
- A tuba está inchada e não abre. É o caso da gripe, do resfriado, da rinite e da sinusite. A pressão dentro do ouvido médio fica mais baixa que a de fora, e o tímpano fica “puxado” para dentro.
Nos dois casos o tímpano fica esticado, vibra pior, e você ouve como se tivesse algodão no ouvido.

Quando o ouvido tampado é urgência
Procure um médico otorrinolaringologista no mesmo dia se o ouvido tampado vier com:
- perda de audição de repente, principalmente de um lado só e sem gripe, voo ou mergulho que explique;
- tontura forte ou vertigem, a sensação de que tudo gira, sobretudo depois de mergulho;
- dor forte que não passa depois do pouso ou do mergulho;
- secreção ou sangue saindo do ouvido;
- zumbido novo e forte que começou junto com o ouvido tampado;
- febre, ou fraqueza e dormência no rosto. Nesse último caso, vá direto ao pronto-socorro.
A perda auditiva súbita merece atenção especial porque engana: dá a mesma sensação de ouvido tampado, mas o problema está no ouvido interno, e não na tuba. Ela atinge de 5 a 27 pessoas a cada 100 mil por ano. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia pede audiometria o quanto antes, em até 14 dias do início, e coloca as duas primeiras semanas como prazo para começar o tratamento inicial, quando ele é oferecido. Por isso, ouvido que tampou “do nada” não deve ficar esperando para ver se passa.
Ouvido tampado no avião é comum?
1 em 5
adultos desembarcou com pressão negativa no ouvido médio num estudo com passageiros (Stangerup et al., 1998)
2.440 m
é a altitude equivalente máxima da pressão dentro da cabine de um avião comercial (CDC)
Muito. Mesmo com a cabine pressurizada, o ar lá dentro fica com a pressão de uma cidade entre 1.830 e 2.440 metros de altitude. Na descida, a pressão da cabine volta à do solo, e o ouvido precisa acompanhar essa mudança.
Um estudo dinamarquês examinou o ouvido de passageiros logo depois do pouso. Em 20% dos adultos e em 40% das crianças, a pressão dentro do ouvido médio continuava abaixo da de fora. Sinais de barotrauma, que é a lesão causada pela diferença de pressão, apareceram no exame de 10% dos adultos e de 22% das crianças. As crianças sofrem mais porque a tuba auditiva delas é mais estreita.
No mergulho a diferença de pressão é bem maior. O barotrauma do ouvido médio é a lesão mais comum entre mergulhadores, segundo o CDC, a agência de saúde dos Estados Unidos.
Ouvido tampado depois de gripe, rinite ou sinusite
A gripe e o resfriado inflamam o nariz, e essa inflamação chega à entrada da tuba auditiva. A tuba incha, abre pouco, e o ouvido deixa de ser ventilado. Uma crise de rinite alérgica pode fazer o mesmo. Os especialistas chamam isso de disfunção da tuba auditiva.
Um grupo internacional de otorrinolaringologistas definiu os sinais que caracterizam o problema: sensação de ouvido cheio ou tampado, estalos e desconforto ou dor. Há quem perceba a audição diferente ou um zumbido, e quem passe o dia tentando “desentupir” o ouvido com manobras repetidas.
O mesmo consenso separa os casos pelo tempo. Quando os sintomas duram menos de 3 meses, a disfunção é chamada de aguda e costuma ser passageira. Quando passam de 3 meses, ela é crônica, e a recomendação é procurar o especialista para confirmar o diagnóstico e achar a causa.
Quando a própria voz ecoa: a tuba que fica aberta demais
Existe um problema menos conhecido, o contrário do anterior: a tuba que fica aberta quando deveria estar fechada. O sintoma típico é ouvir a própria voz alta e com eco dentro do ouvido, além da sensação de ouvido tampado. Costuma melhorar quando a pessoa deita ou fica resfriada. Às vezes aparece depois de uma perda de peso recente, mas em muitos casos não se acha um motivo. Quem tem esse quadro precisa de avaliação com o otorrino, e as manobras para destampar o ouvido não são para esse caso.
Ouvido tampado e dor na mandíbula
Problemas na articulação da mandíbula, a ATM, também podem dar desconforto na frente do ouvido, estalos, zumbido e sensação de audição alterada, em geral de um lado só. O quadro se confunde com o da tuba auditiva, e o exame ajuda a separar um do outro.
Barotrauma: ouvido tampado no avião, no mergulho e na serra
Barotrauma é o nome da lesão que a diferença de pressão provoca no ouvido. A causa mais comum é a descida do avião. Os sintomas são pressão no ouvido, dor, audição abafada e, às vezes, tontura.
Na maioria das pessoas, o incômodo some quando a pressão volta ao normal, em terra firme. Quando a diferença de pressão foi grande, porém, pode se juntar um pouco de líquido ou de sangue atrás do tímpano, e aí o ouvido tampado pode durar mais.
No mergulho
Debaixo d’água a pressão aumenta rápido a cada metro de descida. Se o mergulhador não consegue equalizar, o tímpano é empurrado para dentro, e isso pode causar dor, sangramento e até furar o tímpano. O CDC alerta para um risco a mais: forçar a equalização soprando com força pode aumentar a diferença de pressão entre o ouvido médio e o ouvido interno e lesar o ouvido interno. Os sinais disso são queda da audição, zumbido e vertigem.
Doença crônica do nariz ou dos seios da face, pólipos nasais, tampões de ouvido rígidos e cirurgia anterior no ouvido ou nos seios da face aumentam o risco. Quem suspeita de barotrauma deve parar de mergulhar e procurar atendimento médico.
Na serra
A descida da serra, de Petrópolis ou de Teresópolis por exemplo, muda a pressão bem menos do que o avião. Mesmo assim, quem tem a tuba sensível, por exemplo durante uma gripe ou uma rinite, pode sentir o ouvido tampar com mudanças pequenas de pressão como essa.
Como destampar o ouvido com segurança
As medidas abaixo não usam remédio e servem para o ouvido tampado por pressão ou por gripe. Se ele tampou sem nenhum desses motivos e você passou a ouvir menos de um lado, pule para a seção sobre urgência.
1. Engolir, bocejar e mexer a mandíbula
É o jeito natural de abrir a tuba. No avião, a Academia Americana de Otorrinolaringologia orienta engolir e bocejar com frequência, principalmente pouco antes da decolagem e durante a descida. Mascar chiclete ou chupar uma bala ajuda a engolir mais vezes.
2. Ficar acordado na descida
Dormindo, você engole menos, e o ouvido não acompanha a mudança de pressão. Vale para adultos e crianças.
3. Manobra de Valsalva, sempre suave
Feche o nariz com os dedos, encha a boca de ar, sopre com delicadeza contra o nariz fechado e depois engula. Se der certo, você sente um estalo e o som volta. No estudo com passageiros, a manobra normalizou a pressão do ouvido em 46% dos adultos que desembarcaram com pressão negativa no ouvido médio.
O cuidado está na força. A orientação é soprar suavemente, nunca com força. No mergulho, o CDC alerta que a equalização forçada pode lesar o ouvido interno. Se algumas tentativas suaves não resolverem, pare e procure o otorrino.
4. Balão de autoinsuflação nasal
Existe um pequeno balão que a pessoa enche soprando pelo nariz, sem remédio nenhum. No mesmo estudo, entre os adultos que não conseguiram destampar o ouvido com a manobra de Valsalva, 73% melhoraram ou normalizaram a pressão com o balão. Pergunte ao otorrino se ele é indicado para você, principalmente se o seu ouvido costuma tampar em todo voo.
O que não fazer com o ouvido tampado
- Soprar com força com o nariz fechado, ou fazer a manobra dezenas de vezes por dia.
- Continuar descendo no mergulho com o ouvido doendo e sem conseguir equalizar.
- Dormir na descida do avião, se o seu ouvido costuma tampar.
- Tomar ou pingar remédio por conta própria. Sprays, gotas e comprimidos só com indicação do médico, que examina o ouvido antes. Quem indica o tratamento é o otorrinolaringologista.
- Colocar cotonete ou objetos no ouvido. O problema está atrás do tímpano, onde o cotonete não chega, e mexer no canal só traz o risco de machucar.
Ouvido tampado há 5 dias: quanto tempo esperar?
Depende de como ele começou.
- Depois do voo: na maioria das vezes, o ouvido destampa em pouco tempo depois do pouso. Se continuar tampado ou doendo, procure o otorrino. Um ouvido que não abre pode ter ficado com líquido atrás do tímpano.
- Durante a gripe ou a rinite: a disfunção aguda da tuba é, na definição dos especialistas, passageira. Se a gripe já passou há alguns dias e o ouvido segue tampado, marque uma consulta.
- Há mais de 3 meses, ou voltando o tempo todo: é disfunção crônica da tuba auditiva, e o consenso internacional recomenda avaliação com o especialista para achar a causa.
Em qualquer caso, se a audição não voltou ao normal depois que o ouvido destampou, faça uma avaliação da audição.
Como é feito o diagnóstico
O otorrinolaringologista começa pela conversa: quando o ouvido tampou, se houve gripe, voo ou mergulho, se estala, se a voz ecoa. Depois examina o ouvido com o otoscópio, a lanterna com lente que mostra o canal e o tímpano. Na disfunção da tuba, o tímpano costuma aparecer puxado para dentro, e às vezes há líquido atrás dele.
Dois exames de audição completam a avaliação:
- Imitanciometria (também chamada de impedanciometria). Mede a pressão do ouvido médio e o movimento do tímpano. Quando a pressão está negativa, confirma que a tuba não está ventilando bem.
- Audiometria. Mostra quanto você ouve em cada frequência e ajuda a separar a perda causada por um bloqueio, como a da tuba, da perda que vem do ouvido interno. As etapas estão explicadas em audiometria tonal e vocal.
No barotrauma que só aparece no avião ou no mergulho, os exames podem sair normais em terra, e o diagnóstico depende muito do que a pessoa conta.
Tratamento: quem indica é o otorrino
O tratamento depende da causa, e quem indica é o otorrinolaringologista. Quando a tuba inflamou por causa de rinite ou sinusite, o médico trata a doença do nariz. No barotrauma com líquido atrás do tímpano, o otorrino pode insuflar o ouvido no consultório ou, quando necessário, fazer uma pequena abertura no tímpano para aliviar a pressão. Nos casos crônicos, ele investiga a causa e discute as opções.
Se ficar alguma queda de audição depois que o ouvido destampou, a fonoaudióloga avalia o grau da perda auditiva e acompanha você.
Perguntas frequentes sobre ouvido tampado
Ouvido tampado e zumbido: o que pode ser?
Com gripe ou depois do avião, o zumbido pode fazer parte da disfunção da tuba auditiva: o consenso dos especialistas cita audição alterada e zumbido entre as queixas. Se o zumbido apareceu de repente, junto com o ouvido tampado e queda da audição, pode ser perda auditiva súbita, e a consulta é urgente. Se o zumbido ficou depois que tudo passou, leia o artigo sobre zumbido no ouvido.
Existe remédio para ouvido tampado?
Não existe um remédio que sirva para todo ouvido tampado, porque a causa muda de pessoa para pessoa. O que ajuda na rinite não resolve a cera, e só o exame do ouvido mostra qual é o caso. Quem indica o tratamento, se ele for necessário, é o otorrinolaringologista, depois de examinar o ouvido.
Por que meu ouvido tampado fica estalando?
O estalo é a tuba auditiva se abrindo por um instante e deixando o ar passar. Com a tuba inflamada pela gripe ou pela rinite, ela abre e fecha várias vezes, e o ouvido parece destampar e tampar de novo. Se isso passar de 3 meses, procure o otorrino.
Acordei com o ouvido tampado. O que fazer?
Se você está gripado ou com rinite, provavelmente é a tuba auditiva. Engula, boceje e observe como o ouvido evolui nos próximos dias. Se não há gripe e você acordou ouvindo menos de um lado, procure o otorrino no mesmo dia, porque pode ser perda auditiva súbita.
Posso viajar de avião com o ouvido tampado?
Com o ouvido já tampado e o nariz muito congestionado, o risco de dor e de barotrauma na descida aumenta. O CDC diz que, nessa situação, a pessoa pode preferir adiar o voo. Se não puder, converse antes com o médico e use as manobras suaves durante a descida.
Ouvido tampado: avaliação auditiva em Copacabana
Se o otorrino pediu exames ou se o seu ouvido destampou mas a audição não parece a mesma, a Hear Clean pode ajudar. A avaliação auditiva gratuita inclui a audiometria completa, com tons e palavras, na nossa sala acústica, e não precisa de pedido médico. Também fazemos a imitanciometria, que mede a pressão do ouvido médio, como exame avulso e sem pedido médico. Com os resultados em mãos, você volta ao otorrino com mais informação. Se ficar alguma perda auditiva, explicamos com calma os próximos passos, incluindo os aparelhos auditivos quando indicados.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Schilder AGM et al. Eustachian tube dysfunction: consensus statement on definition, types, clinical presentation and diagnosis. Clinical Otolaryngology, 2015. PMC
- Stangerup SE et al. Point prevalence of barotitis in children and adults after flight, and effect of autoinflation. Aviation, Space, and Environmental Medicine, 1998. PubMed
- Chandrasekhar SS et al. Clinical practice guideline: sudden hearing loss (update). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2019. American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. PubMed
- Centers for Disease Control and Prevention. CDC Yellow Book: Air travel (Mase SR et al.) e Scuba diving: decompression illness and other dive-related injuries (Chimiak J, Nord DA), 2025. CDC, avião e CDC, mergulho
- American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery Foundation. Ears and altitude (barotrauma). ENT Health, revisado em 2018. ENT Health