Melhor aparelho auditivo para idosos: o que pesa na escolha

Neste artigo (9 partes)

Quando a família começa a procurar o melhor aparelho auditivo para idosos, quase sempre esbarra em listas de modelos e marcas. Só que o aparelho que funciona muito bem para a vizinha pode ficar esquecido na gaveta do seu pai. O que decide o resultado é o encaixe entre o aparelho e a pessoa: o grau da perda, a firmeza das mãos, a visão, a memória, a cera no ouvido, o uso do celular e da TV e quem vai ajudar em casa. Neste artigo você vai ver cada um desses critérios, o que a ciência diz sobre audição e memória e como a família pode ajudar na adaptação.

Casal de cerca de 70 anos sorrindo e conversando com a família num almoço, em apartamento claro de frente para o mar

Qual o melhor aparelho auditivo para idosos?

É aquele que a pessoa consegue usar todos os dias, porque ouve melhor com ele e não sofre para colocar, tirar e carregar. Não existe um modelo que ganhe em todos esses pontos para qualquer idoso.

Uma revisão da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, reuniu os estudos sobre pessoas que receberam aparelho auditivo e não usavam. Os motivos mais citados foram dois: o aparelho não trazia benefício suficiente e era desconfortável. Logo depois vinham a dificuldade de cuidar do aparelho, a aparência e problemas no ouvido.

O uso ainda é baixo no mundo todo. No estudo ACHIEVE, publicado na revista The Lancet em 2023, os autores lembram que menos de 10% das pessoas com perda auditiva usam aparelho nos países de baixa renda e, nos países ricos, menos de 20% a 30%.

Perda auditiva depois dos 60 é comum?

Muito. A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 25% das pessoas com mais de 60 anos têm uma perda auditiva que já atrapalha o dia a dia. A OMS também lista o que acontece quando ela fica sem tratamento: isolamento, solidão e um risco maior de declínio cognitivo. Para entender como a perda aparece e avança, veja a página sobre perda auditiva.

O que pesa na escolha do aparelho auditivo para idosos

A fonoaudióloga observa cada um destes pontos na consulta. Vale a família pensar neles antes, porque muitos só aparecem no convívio de casa.

O grau e o tipo da perda auditiva

Tudo começa pela audiometria. O exame mostra quanto a pessoa perdeu, em quais frequências e se ela entende as palavras, e isso define a potência que o aparelho precisa ter. Uma perda leve nos agudos aceita modelos pequenos e abertos. Uma perda severa pede um aparelho mais forte, e aí a potência pesa mais que o tamanho. Os formatos e a faixa de perda de cada um estão no artigo sobre os tipos de aparelho auditivo, e o exame é explicado em audiometria tonal e vocal.

Quando a perda atinge os dois ouvidos, o caminho costuma ser usar dois aparelhos (veja a pergunta sobre isso no fim do artigo).

A firmeza das mãos

Colocar o aparelho, tirar, abrir a portinha da pilha e encaixar uma pilha do tamanho de uma lentilha exige dedos firmes e sensíveis. Um estudo canadense comparou jovens e adultos de 60 a 80 anos mexendo em aparelhos auditivos. Os mais velhos foram pior nas tarefas, e pesaram o tato na ponta dos dedos, a destreza, a dor e a rigidez nas articulações. O mesmo estudo mostrou que, mesmo entre quem tinha artrose, a perda de habilidade foi pequena.

Para quem tem tremor, artrose ou dedos menos sensíveis, ajudam um aparelho recarregável, que dispensa a troca de pilha, e um tamanho que a pessoa consiga segurar. Os detalhes da bateria estão no artigo sobre o aparelho auditivo recarregável.

A visão

Enxergar o lado certo do aparelho, a luz do carregador ou um filtro de cera minúsculo depende da visão. Na consulta, vale pedir para a pessoa colocar e tirar o aparelho sozinha.

Visão e audição andam juntas também na saúde do cérebro. A comissão da The Lancet sobre demência, no relatório de 2024, recomenda tornar acessíveis tanto os aparelhos auditivos quanto o exame e o tratamento da visão. Se a leitura de perto está difícil, a consulta com o oftalmologista entra na mesma lista.

A memória e a rotina

Quanto menos tarefas o aparelho exigir, melhor para quem esquece as coisas. Os aparelhos da linha Vista, da Argosy, têm inteligência artificial de reconhecimento de ambiente e se adaptam automaticamente a cada ambiente sonoro, sem mudanças manuais de programa.

O recarregável troca a pilha por um hábito: tirou da orelha, colocou no carregador. Ajuda deixar o carregador sempre no mesmo lugar, ao lado da cama. Se a memória já falha bastante, alguém da casa confere à noite, pelo menos no começo, se os aparelhos foram carregar.

Cera e umidade

A diretriz americana de otorrinolaringologia sobre cera recomenda que o médico examine o ouvido de quem usa aparelho auditivo em toda consulta. Ela também chama atenção para quem pode não conseguir dizer que o ouvido está tampado, como adultos com problemas de memória. Para esses idosos, as consultas de rotina contam mais ainda.

A cera e o suor também entram no aparelho. No receptor no canal, o alto-falante fica dentro do ouvido e fica mais exposto à cera e à umidade, por isso o filtro precisa ser trocado de tempos em tempos. A remoção da cera do ouvido fica com o otorrinolaringologista, e o artigo sobre como tirar cera do ouvido explica o que não fazer em casa.

Celular e televisão

Para muitos idosos, a queixa principal é o telefone e a TV. Com Bluetooth, a pessoa atende a ligação com as mãos livres, e a conectividade direta transforma os aparelhos em fones de ouvido.

Para a TV, há acessórios. O Adaptador de TV 3.0 da Oticon manda o som da televisão para os aparelhos no volume que a pessoa prefere, enquanto a família mantém a TV no volume dela. A Argosy tem o TV Connector, que faz a mesma ponte com aparelhos de som que não têm Bluetooth.

Um ponto de atenção: nem todo celular transmite som para todo aparelho. No Oticon Intent, por exemplo, a transmissão direta funciona em iPhone e em aparelhos Android selecionados, compatíveis com o padrão de transmissão para aparelhos auditivos. Leve o celular da pessoa à consulta para testar.

O apoio da família

No começo, o som novo parece estranho, e o cérebro precisa de um tempo para se acostumar. Uma revisão alemã sobre aparelhos auditivos descreve que essa fase pode levar semanas ou meses. Ter alguém por perto que incentive o uso, ajude com o carregador e anote o que incomoda faz diferença. Um familiar na consulta também percebe situações em que a pessoa ainda não ouve bem e que ela mesma nem nota.

Ajustes e revisões

O aparelho não sai da caixa pronto. Ele é programado a partir da audiometria, e na maioria dos casos a pessoa não tolera, logo de início, todo o ganho de que precisa. A mesma revisão alemã explica que o volume é aumentado aos poucos, conforme ela se acostuma, e que novos ajustes são essenciais em quem ficou anos sem ouvir bem. Por isso a pergunta “quem vai me acompanhar depois da compra?” vale tanto quanto “qual é o modelo?”. Com o aplicativo Hearing Remote, da Argosy, o fonoaudiólogo pode fazer ajustes à distância. Para saber o que entra na manutenção, veja a página de manutenção de aparelho auditivo.

Resumo: situação da pessoa e o que costuma ajudar

Se a pessoa… O que costuma ajudar
Tem tremor, artrose ou dedos pouco sensíveis Aparelho recarregável e um tamanho fácil de segurar
Enxerga mal de perto Treinar na consulta colocar e tirar o aparelho sozinha, e ir ao oftalmologista
Esquece as coisas Aparelho que se ajusta sozinho ao ambiente e carregador sempre no mesmo lugar
Acumula muita cera Troca do filtro, revisões frequentes e acompanhamento com o otorrino
Tem dificuldade no telefone e na TV Bluetooth e um acessório para a TV
Tem perda severa Potência antes de discrição: modelos maiores atrás da orelha
Mora sozinha Menos tarefas no dia a dia e revisões marcadas com antecedência

Perda auditiva e demência: o aparelho protege a memória?

A perda auditiva está associada a um risco maior de demência, e tratar a audição pode reduzir esse risco em parte das pessoas. Os estudos ainda não fecham a questão. O que se sabe até agora:

  • A comissão da revista The Lancet sobre prevenção de demência, em 2020, reuniu 12 fatores de risco modificáveis que, juntos, respondem por cerca de 40% dos casos no mundo. A perda auditiva na meia-idade foi o fator de maior peso, com cerca de 8%.
  • No relatório de 2024, a lista subiu para 14 fatores, que respondem por quase metade dos casos. Para a comissão, ficou mais forte a evidência de que tratar a perda auditiva reduz o risco de demência, e o aparelho parece funcionar melhor em quem também tem outros fatores de risco.
  • O mesmo relatório cita uma análise de 8 estudos com 126.903 pessoas: quem tinha perda auditiva e usava aparelho teve risco 19% menor de declínio cognitivo que quem não tratava a perda. São estudos de observação, que mostram associação, não causa.
  • O ACHIEVE, de 2023, testou isso com sorteio e acompanhou por três anos 977 pessoas de 70 a 84 anos. No grupo todo, o aparelho com acompanhamento não mudou o declínio cognitivo em comparação com encontros de educação em saúde. Entre os participantes com mais fatores de risco, o declínio foi 48% menor no grupo que recebeu o aparelho. Os autores concluem que o tratamento da audição pode reduzir o declínio em idosos com risco maior, mas não nos de risco menor.

Para a família, a conclusão prática é não adiar o tratamento: ouvir melhor ajuda a pessoa a conversar e a participar da vida em casa e fora dela. Já a promessa de que o aparelho “evita Alzheimer” vai além do que os estudos mostram.

Argosy Vista e Oticon Intent: os que mais adaptamos

Na Hear Clean, os aparelhos que mais adaptamos são o Argosy Vista e o Oticon Intent, quase sempre em versões recarregáveis e no formato de receptor no canal. Eles não são a resposta para todos os idosos, mas reúnem vários dos pontos acima.

O Oticon Intent é o primeiro aparelho auditivo do mundo com sensores de intenção do usuário: ele usa os movimentos da cabeça e do corpo e o ambiente para ajustar o apoio que dá à audição a cada momento. A versão miniRITE é recarregável, tem um único botão de pressão, telecoil (uma pequena bobina que capta o som dos sistemas de indução de teatros e igrejas) e Bluetooth com chamadas de mãos livres.

O Argosy Vista V-R é o menor receptor no canal recarregável da marca, com conectividade direta. A linha Vista se conecta a dispositivos Bluetooth para ouvir áudio e fazer chamadas com as mãos livres e, nos recarregáveis, permite controlar a mídia com um duplo toque no aparelho.

Trabalhamos também com Starkey e Philips e com modelos feitos sob medida, que ficam dentro da orelha. A escolha sai da audiometria e da conversa sobre a rotina.

Como a família pode ajudar desde hoje

  • Anote em quais situações a pessoa mais pede para repetir (telefone, TV, almoço de família, consultas médicas) e leve a lista na consulta.
  • Combine quem vai ajudar nas primeiras semanas com o carregador e a limpeza do aparelho.
  • Fale de frente, com calma, olhando para a pessoa.
  • Marque as revisões antes de sair da consulta, para ninguém ter de lembrar depois.

Perguntas frequentes sobre aparelho auditivo para idosos

O SUS fornece aparelho auditivo para idosos?

Sim, sem custo para o paciente. O SUS fornece aparelhos pelos serviços de saúde auditiva habilitados, que fazem a avaliação, a escolha do aparelho, a adaptação e o acompanhamento. O passo a passo está no artigo sobre o valor do aparelho auditivo.

Aparelho auditivo comprado no Mercado Livre funciona para idoso?

Muitas vezes, o que se vende barato na internet como aparelho auditivo é um amplificador de som, que aumenta o volume de tudo por igual, inclusive do barulho. Um aparelho auditivo é programado conforme a audiometria da pessoa, e o que vem depois da compra, os ajustes e as revisões, não chega pelo correio. Antes de comprar, vale fazer a avaliação auditiva. O artigo sobre o valor do aparelho auditivo explica a diferença e o que conferir no registro da Anvisa.

Qual é o melhor aparelho auditivo do mercado?

Não existe um campeão. As grandes marcas têm modelos de vários níveis de tecnologia, e o melhor é o que atende à perda auditiva e à rotina da pessoa e foi bem ajustado. O NIDCD, o instituto americano de surdez e distúrbios da comunicação, lembra que o aparelho mais caro não é necessariamente o que serve melhor e que vale escolher um que seja prático de usar.

Aparelho auditivo recarregável é melhor para idoso?

Para muitos idosos, sim, porque elimina a troca de pilhas pequenas. O cuidado é criar o hábito de carregar toda noite. Os prós e contras estão no artigo sobre o aparelho auditivo recarregável.

Idoso com perda nos dois ouvidos precisa usar dois aparelhos?

Na maioria dos casos, sim. Com os dois ouvidos atendidos, fica mais fácil saber de onde vem o som e entender a fala no barulho, e ouvir cansa menos. Quem confirma a indicação é a audiometria.

Aparelho auditivo para idosos em Copacabana

Na Hear Clean, a escolha do aparelho começa pela avaliação auditiva gratuita: a audiometria completa, com tons e palavras, feita na nossa sala acústica, sem pedido médico e sem compromisso de compra. Vale trazer um familiar. Na consulta, a pessoa experimenta modelos de demonstração, e a fonoaudióloga indica as opções entre Argosy, Oticon, Starkey e Philips que fazem sentido para a perda, as mãos e a rotina dela. Quando o caso permite, dá para testar o aparelho em casa, sem custo, antes de decidir. Quem opta pelos nossos aparelhos auditivos recebe um tratamento completo: o aparelho, os exames, a adaptação e as revisões, com limpeza do aparelho, estão incluídos.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Livingston G et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. The Lancet, 2020. PMC
  • Livingston G et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, 2024. PubMed
  • Lin FR et al. Hearing intervention versus health education control to reduce cognitive decline in older adults with hearing loss in the USA (ACHIEVE): a multicentre, randomised controlled trial. The Lancet, 2023. PubMed
  • McCormack A, Fortnum H. Why do people fitted with hearing aids not wear them? International Journal of Audiology, 2013. PubMed
  • Singh G et al. The aging hand and the ergonomics of hearing aid controls. Ear and Hearing, 2013. PubMed
  • Schwartz SR et al. Clinical practice guideline (update): earwax (cerumen impaction). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2017. PubMed
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