Perda auditiva súbita: por que a surdez súbita é urgência
Neste artigo (12 partes)
- O que é perda auditiva súbita
- Quando procurar o otorrino ou o pronto-socorro
- Surdez súbita é comum?
- Por que a perda auditiva súbita não pode esperar
- Ouvido tampado de repente: é cera ou perda súbita?
- Como é feito o diagnóstico
- Tratamento: quem decide é o otorrino
- A audição volta? Tempo de recuperação
- Quando fica alguma perda: reabilitação e aparelho auditivo
- O que fazer hoje se o ouvido tampou de repente
- Perguntas frequentes sobre surdez súbita
- Perda auditiva súbita em Copacabana
A perda auditiva súbita, também chamada de surdez súbita, costuma começar de um jeito banal: você acorda e um ouvido parece tampado, o telefone soa abafado daquele lado, às vezes vem um zumbido junto. A tentação é esperar para ver se passa, achando que é cera ou resto de gripe. Esse é o erro mais comum. Aqui você vai entender o que é a perda auditiva súbita, por que ela é tratada como urgência, como ela se diferencia de um ouvido tampado comum e o que acontece depois, quando a audição volta e quando não volta.
O que é perda auditiva súbita
É uma queda rápida da audição que acontece de uma vez ou ao longo de poucos dias, quase sempre de um ouvido só. O problema não está no canal do ouvido nem atrás do tímpano: está no ouvido interno, a parte que transforma o som em sinal para o nervo. Por isso o nome técnico é perda auditiva neurossensorial súbita. Se quiser entender melhor esse tipo de perda, veja o artigo sobre perda auditiva neurossensorial.
O Instituto Nacional de Surdez dos Estados Unidos (NIDCD) descreve um dos critérios usados para reconhecer o quadro na audiometria: uma perda de pelo menos 30 decibéis em três frequências vizinhas, instalada em até 72 horas. Na prática, é uma queda capaz de fazer uma conversa normal soar como um cochicho. Há também casos mais discretos, que precisam de outros exames para aparecer.
O jeito como a perda aparece varia:
- muita gente percebe ao acordar;
- outros notam quando levam o telefone ao ouvido afetado;
- há quem ouça um estalo forte pouco antes de a audição sumir.
Junto com a queda da audição podem vir sensação de ouvido cheio, tontura e zumbido.
Quando procurar o otorrino ou o pronto-socorro
Procure um otorrinolaringologista no mesmo dia, e o pronto-socorro se não conseguir consulta, se você:
- perdeu a audição de um ouvido de repente, sem gripe, voo, mergulho ou água que expliquem;
- acordou com um ouvido tampado e ouvindo menos, com ou sem zumbido;
- notou um zumbido novo de um lado só, junto com a audição abafada;
- teve tontura ou sensação de que tudo gira junto com a queda da audição.
Vá direto ao pronto-socorro se a perda vier com fraqueza, dormência no rosto ou outro sinal neurológico novo. A diretriz da AAO-HNS pede atenção especial a sinais neurológicos, à perda nos dois ouvidos ao mesmo tempo e a episódios que se repetem.
O NIDCD orienta procurar o médico imediatamente, sem esperar a audição voltar sozinha. Se já passou disso, não desista: vá assim mesmo. O prazo que as diretrizes usam para exames e tratamento inicial é de duas semanas, e cada dia conta.
Surdez súbita é comum?
5 a 27
pessoas a cada 100 mil têm perda auditiva súbita por ano (AAO-HNS, 2019)
1 em 10
pessoas com o diagnóstico tem uma causa identificada (NIDCD)
Não é um problema frequente, mas também não é raro. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia (AAO-HNS) estima de 5 a 27 casos a cada 100 mil pessoas por ano. O NIDCD lembra que o número real deve ser maior, porque muita gente não chega a ser diagnosticada. Pode acontecer em qualquer idade, e aparece mais em adultos no fim dos 40 e começo dos 50 anos.
Surdez súbita: causas
Na maioria das vezes não se encontra a causa. Segundo o NIDCD, só cerca de 10% das pessoas diagnosticadas têm um motivo identificado. Entre as causas conhecidas estão infecções, pancada na cabeça, doenças autoimunes, alguns remédios usados contra câncer ou infecções graves, problemas de circulação, doenças neurológicas como a esclerose múltipla e doenças do ouvido interno, como a doença de Ménière.
Quando a perda é de um lado só, o médico também precisa descartar um tumor benigno no nervo da audição. É raro, mas é um dos motivos para a investigação não parar no primeiro exame.
Por que a perda auditiva súbita não pode esperar
Porque existe uma janela de tempo. Quanto antes o otorrinolaringologista examina e decide o tratamento, maior a chance de recuperar pelo menos parte da audição.
O NIDCD diz com todas as letras que os sintomas de surdez súbita devem ser tratados como emergência médica, com ida ao médico imediatamente. A diretriz da AAO-HNS coloca a audiometria o quanto antes, em até 14 dias do início, e situa o tratamento inicial, quando ele é oferecido, nas duas primeiras semanas. O NIDCD acrescenta que o tratamento adiado por mais de duas a quatro semanas tem menos chance de reverter ou reduzir a perda.
O que atrasa as pessoas é a confusão com problemas corriqueiros. Muita gente adia a consulta achando que a perda vem de alergia, sinusite ou cera tampando o ouvido. Por isso a primeira coisa que o médico faz é separar uma perda por bloqueio, como a da cera, da perda que vem do ouvido interno. A própria diretriz americana põe essa separação como a primeira recomendação.
Ouvido tampado de repente: é cera ou perda súbita?
Pela sensação, é difícil separar. As duas coisas dão ouvido abafado, e a surdez súbita muitas vezes vem com a sensação de ouvido cheio. Alguns contextos apontam para um lado ou para o outro:
- Mais a favor de bloqueio: o ouvido tampou depois do banho, do mar ou da piscina; você está gripado ou com rinite; acabou de descer de avião ou da serra; o ouvido estala quando você engole. Os artigos sobre ouvido tampado e ouvido entupido explicam essas causas.
- Mais a favor de perda súbita: nada disso aconteceu e você simplesmente acordou ouvindo menos de um lado; apareceu um zumbido novo naquele ouvido; veio tontura; você ouviu um estalo antes de a audição cair.
O teste de cantarolar
Existe um teste simples que os médicos usam na consulta, chamado teste de Weber: um diapasão vibrando é encostado no meio da testa, e a pessoa diz de que lado ouve mais forte. O guia de avaliação audiológica do Conselho Federal de Fonoaudiologia explica a lógica. Quando o som vai para o ouvido pior, sugere perda condutiva, a do bloqueio. Quando vai para o ouvido melhor, sugere perda neurossensorial no ouvido pior.
Um estudo da Universidade de Nova York comparou o diapasão com uma versão sem instrumento nenhum: cantarolar um “hummm” com a boca fechada e perceber de que lado o som ecoa mais. Em pessoas com um ouvido tampado de propósito, o cantarolar identificou a perda por bloqueio quase tão bem quanto o diapasão.
Vale conhecer, mas com um limite claro: o teste não substitui a consulta. O estudo foi feito com ouvidos tampados artificialmente em jovens de audição normal, não com pacientes com surdez súbita. Se o “hummm” ecoar no ouvido bom, é mais um motivo para ir ao médico no mesmo dia. Se ecoar no ouvido tampado, ainda assim quem confirma que é só cera é o otorrino, olhando o ouvido.
Como é feito o diagnóstico
O otorrinolaringologista conversa sobre como a perda começou e examina o ouvido com o otoscópio, para ver se há cera, líquido ou outro bloqueio. Depois vêm os exames:
- Audiometria. É o exame que confirma a perda auditiva súbita. Mede quanto você ouve em cada frequência, por fone e por um vibrador atrás da orelha, e mostra se a perda é do ouvido interno. É também o registro de partida: sem ele, não há como saber depois se a audição melhorou.
- Imitanciometria. Mede a pressão do ouvido médio e o movimento do tímpano, e ajuda a separar a perda súbita de um problema atrás do tímpano.
- Ressonância magnética ou outro exame do nervo. A diretriz recomenda investigar o nervo da audição, por ressonância ou por um exame que mede a resposta do nervo ao som. A mesma diretriz desaconselha tomografia da cabeça e exames de sangue de rotina na avaliação inicial.
Tratamento: quem decide é o otorrino
O tratamento da perda auditiva súbita é médico, e quem indica é o otorrinolaringologista. Ele avalia se há uma causa identificável, que pede tratamento próprio, e discute com você as opções, os benefícios, os riscos e o que a pesquisa ainda não sabe. A diretriz da AAO-HNS pede exatamente essa conversa.
Não tome nada por conta própria e não use receita da internet ou de conhecidos. A diretriz lista tratamentos que ela desaconselha usar de rotina, e o tempo gasto com o que não funciona é tempo perdido na janela de tratamento.
A audição volta? Tempo de recuperação
Em muitos casos, sim. Segundo o NIDCD, cerca de metade das pessoas com surdez súbita recupera parte ou toda a audição sozinha, em geral em uma a duas semanas. O mesmo instituto alerta que isso não é motivo para esperar em casa: adiar o diagnóstico reduz o efeito do tratamento, e o tratamento feito a tempo aumenta muito a chance de recuperar pelo menos parte da audição.
A diretriz pede nova audiometria ao fim do tratamento e outra em até 6 meses. É a comparação entre esses exames e o primeiro que mostra quanto voltou.
Quando fica alguma perda: reabilitação e aparelho auditivo
Quando a audição não volta por completo, a diretriz da AAO-HNS recomenda orientar a pessoa sobre a reabilitação auditiva. Isso vale também para quem ficou com zumbido. O NIDCD cita os aparelhos auditivos para as perdas que não respondem ao tratamento e, nos casos mais graves, o implante coclear, que é indicação médica.
O aparelho ajustado para a perda que ficou é uma das formas de reabilitação, e a fonoaudióloga acompanha a adaptação. Se o incômodo maior for o zumbido que ficou, leia o artigo sobre zumbido no ouvido. Para entender os graus e tipos de perda, veja a página sobre perda auditiva.
O que fazer hoje se o ouvido tampou de repente
- Anote a hora em que percebeu a perda e o que veio junto: zumbido, tontura, estalo.
- Não coloque cotonete, gota, óleo ou qualquer objeto no ouvido.
- Não tome remédio por conta própria.
- Procure um otorrino no mesmo dia, ou o pronto-socorro se não conseguir consulta.
- Se já tiver audiometrias antigas, leve. Elas ajudam o médico a comparar.
Perguntas frequentes sobre surdez súbita
Surdez súbita tem cura?
Muitas pessoas recuperam a audição. Cerca de metade melhora em parte ou por completo sozinha, em geral nas duas primeiras semanas, e o tratamento feito a tempo aumenta a chance de recuperação. Quando fica alguma perda, a reabilitação com aparelho auditivo ajuda a voltar a acompanhar as conversas.
Estresse pode causar surdez súbita?
O estresse aparece muito nas buscas, mas não está na lista de causas conhecidas do NIDCD, e em 9 de cada 10 casos nenhuma causa é encontrada. Seja qual for a suspeita, a conduta é a mesma: procurar o otorrino logo, sem esperar passar.
Perdi a audição de um ouvido de repente. O que pode ser?
Pode ser algo simples, como cera ou líquido atrás do tímpano, ou pode ser perda auditiva súbita, do ouvido interno. Pela sensação não dá para saber. Só o exame do ouvido e a audiometria separam uma coisa da outra, e por isso a consulta tem de ser no mesmo dia.
Surdez súbita e zumbido: é comum vir junto?
Sim. O zumbido acompanha muitos casos, assim como a tontura, e a diretriz americana cita os dois. Zumbido novo de um lado só, junto com a audição abafada, é um dos sinais que pedem atendimento rápido.
Quanto tempo depois da surdez súbita devo fazer audiometria?
O quanto antes. A diretriz da AAO-HNS pede a audiometria em até 14 dias do início, e depois novos exames ao fim do tratamento e em até 6 meses, para acompanhar a recuperação.
Perda auditiva súbita em Copacabana
Na perda auditiva súbita, quem avalia e trata é o otorrinolaringologista, e ele deve ser o primeiro a ver você. A Hear Clean entra nos exames e no que vem depois. Fazemos audiometria e imitanciometria como exames avulsos, sem pedido médico, na nossa sala acústica, e esses resultados ajudam o otorrino a confirmar o diagnóstico e a acompanhar a recuperação. Se a audição não voltar por completo, a avaliação auditiva gratuita mostra o tamanho da perda que ficou, e explicamos com calma se um aparelho auditivo faz sentido no seu caso, com acompanhamento durante todo o tratamento.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Chandrasekhar SS et al. Clinical practice guideline: sudden hearing loss (update). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2019. American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. PubMed
- National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Sudden deafness. NIH. NIDCD
- Ahmed OH et al. Validity of the Hum Test, a simple and reliable alternative to the Weber Test. Annals of Otology, Rhinology & Laryngology, 2018. PubMed
- Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia. Guia de orientação na avaliação audiológica, vol. I, 2ª ed. CFFa, 2023. CFFa