Zumbido no ouvido e ansiedade: a relação e como aliviar

Neste artigo (10 partes)

Numa semana tensa, o chiado no ouvido parece mais alto. À noite, deitado no silêncio, ele ocupa todo o espaço e o sono não vem. No dia seguinte, cansado, você fica mais irritado com o som, e a preocupação cresce. Quem convive com zumbido no ouvido e ansiedade conhece bem esse vaivém. Neste artigo você vai entender como um alimenta o outro, por que a ansiedade raramente é a causa única do zumbido, quando procurar atendimento sem esperar e o que os estudos mostram que ajuda a aliviar.

Mulher elegante de cabelo castanho com fios grisalhos, sentada numa poltrona à noite com um livro nas mãos, calma, sob a luz suave de um abajur, com a orla de Copacabana ao fundo

Ansiedade pode causar zumbido no ouvido?

A ansiedade está ligada ao zumbido, mas quase nunca explica sozinha por que ele começou. O serviço de saúde britânico (NHS) cita a ansiedade e a depressão entre as condições que aparecem junto com o zumbido, na mesma lista em que estão a perda auditiva, a doença de Ménière e alguns remédios. A perda auditiva vem em primeiro lugar nessa lista.

Na prática, o que se vê com mais frequência é outra coisa: existe uma causa no ouvido, muitas vezes uma perda auditiva que a pessoa ainda nem percebeu, e a ansiedade faz esse zumbido incomodar muito mais. Por isso “é só nervoso” não serve como explicação final. Primeiro se investiga a audição. Depois se cuida da parte emocional, que pesa bastante no incômodo.

Se você quer entender o zumbido do começo, com todas as causas, o artigo sobre zumbido no ouvido é o ponto de partida. Aqui o foco é a ligação com a ansiedade e o sono.

Quando procurar atendimento rápido

Ansiedade e zumbido juntos não costumam ser uma emergência. Mas procure um médico, de preferência o otorrinolaringologista, com urgência se o zumbido vier com algum destes sinais:

  • zumbido pulsátil, que bate no ritmo do coração;
  • perda de audição repentina, em um ou nos dois ouvidos;
  • tontura forte com sensação de que tudo gira, ou fraqueza nos músculos do rosto;
  • zumbido que começou depois de uma batida na cabeça;
  • zumbido em um ouvido só, principalmente se aquele lado também ouve menos. O artigo sobre zumbido no ouvido esquerdo ou direito explica por que o lado único pede investigação.

Há um sinal que vale tanto quanto esses. A revisão de 2025 também encontrou ligação entre zumbido e risco de suicídio. Se o zumbido está trazendo desesperança, tristeza profunda ou pensamentos de desistir de tudo, não espere a consulta do ouvido: converse com alguém agora. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188, 24 horas por dia, sem custo de ligação, em todo o Brasil, e também por chat no site cvv.org.br.

Zumbido e ansiedade: uma via de mão dupla

O zumbido e a ansiedade se reforçam. Um não precisa ter causado o outro para que os dois piorem juntos.

A ansiedade faz o zumbido parecer mais alto

Quando você está ansioso, o cérebro fica em estado de alerta e passa a vigiar tudo o que parece ameaça. O zumbido vira um desses alvos. Quanto mais atenção ele recebe, mais presente fica. O NHS dá dois conselhos que vêm justamente daí: evitar o que costuma piorar o zumbido, como o estresse, e não ficar prestando atenção nele, porque isso pode piorá-lo.

É por isso que tanta gente nota o zumbido mais forte em fases de trabalho puxado, luto, briga em família ou noite mal dormida. O som no ouvido pode ser o mesmo. O que muda é a forma como o cérebro reage a ele.

O zumbido traz ansiedade, tristeza e noites mal dormidas

O caminho inverso também existe. Um som que não para, que ninguém mais ouve e que não se sabe de onde vem assusta. Aparecem perguntas como “é algo grave?”, “vou ficar surdo?”, “isso nunca vai passar?”. Sem resposta, elas viram preocupação constante.

Uma revisão publicada em 2025 reuniu 22 estudos sobre zumbido e saúde mental. Quem tinha zumbido tinha mais chance de ter ansiedade, depressão, estresse e, principalmente, insônia. A ligação com o sono foi a mais forte entre os problemas avaliados: a chance de insônia foi cerca de três vezes maior.

3 vezes

maior foi a chance de insônia em quem tinha zumbido, numa revisão de 22 estudos (Jiang et al., 2025)

63%

maior foi a chance de ansiedade em quem tinha zumbido, na mesma revisão (Jiang et al., 2025)

Junte as duas direções e o ciclo fica claro: o zumbido chama a atenção, a atenção traz preocupação, a preocupação tira o sono, e o cansaço deixa a pessoa mais sensível ao som. A boa notícia é que dá para entrar nesse ciclo por vários pontos ao mesmo tempo: pela audição, pelo sono, pelo ambiente sonoro e pela forma de pensar no zumbido.

Por que a ansiedade raramente é a causa única

Dizer que o zumbido é “emocional” pode atrasar a descoberta de algo que tem tratamento. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda que a primeira consulta sirva para procurar condições que, identificadas e tratadas cedo, podem aliviar o zumbido. Ela também recomenda um exame completo da audição, sem demora, quando o zumbido é de um lado só, dura seis meses ou mais ou vem com dificuldade para ouvir.

As causas mais comuns estão no próprio ouvido:

  • perda auditiva ligada à idade ou ao barulho, que começa pelos sons agudos e passa despercebida por anos;
  • cera acumulada ou otite, que o otorrino examina e trata;
  • efeito colateral de alguns remédios, que só o médico que receitou pode avaliar;
  • outras condições, como a doença de Ménière e alterações da tireoide, lembradas pelo NHS.

Se o zumbido parece vir de dentro da cabeça, e não do ouvido, o artigo sobre zumbido na cabeça explica essa sensação. E quando a pessoa também passa a achar os sons do dia a dia altos demais, pode haver hiperacusia junto, que costuma andar com o zumbido e com a ansiedade.

Como é feita a avaliação

A avaliação junta o ouvido e a pessoa. O otorrinolaringologista conversa sobre como o zumbido começou, examina o ouvido e decide se precisa de algum exame a mais. A diretriz americana pede que o médico separe o zumbido que incomoda do que não incomoda, porque isso muda a prioridade do tratamento.

A audiometria mostra se existe perda auditiva, e muita gente com zumbido descobre ali que ouve menos do que imaginava. Se a ansiedade, a tristeza ou a insônia estão pesando, vale contar isso na consulta sem constrangimento. É informação clínica, tão útil quanto o tipo de som que você ouve.

O que a ciência mostra que ajuda

Para o zumbido que dura e incomoda, a diretriz americana recomenda orientar o paciente, avaliar o aparelho auditivo quando existe perda auditiva e indicar terapia cognitivo-comportamental. A terapia com sons aparece como opção. Todas essas medidas ajudam também na parte da ansiedade, cada uma de um jeito.

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma psicoterapia com começo e fim (nos estudos, de 3 a 22 semanas, no hospital ou pela internet) que trabalha a reação ao zumbido: o medo, a vigilância, os pensamentos catastróficos e os hábitos que mantêm o ciclo. Uma revisão de 2023 sobre as diretrizes de vários países chama a TCC de o tratamento mais bem estudado para o zumbido.

A revisão Cochrane de 2020 reuniu 28 estudos, com 2.733 adultos. No fim do tratamento, quem fez TCC teve um incômodo com o zumbido cerca de 11 pontos menor, num questionário de 0 a 100, do que quem ficou sem tratamento. A diferença que a pessoa sente no dia a dia começa em 7 pontos. A TCC também pode ter reduzido um pouco os sintomas de depressão. Os próprios autores são honestos sobre os limites: a certeza da evidência é baixa, faltam dados sobre o efeito depois de 6 e 12 meses, e o efeito sobre a ansiedade em si ficou incerto. Ou seja, a TCC ajuda a pessoa a sofrer menos com o zumbido, e isso já muda a rotina, mas não é garantia de que a ansiedade vai sumir. Quem aplica é o psicólogo com formação no método. O NHS cita também a TCC digital, feita por programa ou aplicativo, como primeira opção em muitos casos.

Para ver como a TCC se compara aos outros tratamentos, e o que não tem prova, leia zumbido tem cura?.

Cuidar do sono

O NHS recomenda manter uma rotina fixa para dormir e reduzir a cafeína. Na prática, ajudam horários regulares, luz baixa no fim da noite, menos tela na cama e café só até o começo da tarde. Se a insônia persiste por semanas, ela merece tratamento próprio: conte ao médico que acompanha você.

Som ambiente em vez de silêncio

O silêncio total faz o zumbido se destacar. O NHS orienta não ficar no silêncio completo e ouvir sons ou música suave, o que ele chama de terapia sonora. Um ventilador, um som de chuva ou de mar baixinho na hora de dormir diminuem o contraste entre o zumbido e o ambiente.

Relaxar o corpo

Respiração profunda e ioga estão entre as sugestões do NHS para lidar com o zumbido. Não resolvem a causa do zumbido, mas ajudam a sair do estado de alerta que deixa tudo mais difícil nos dias ruins.

Aparelho auditivo, quando há perda auditiva

Quando a audiometria mostra perda auditiva, a diretriz americana recomenda avaliar o aparelho auditivo. Ele devolve ao cérebro os sons que estavam faltando e tira a pessoa do silêncio em que o zumbido mais aparece. O caminho está na página de tratamento de zumbido.

E os remédios para ansiedade?

A diretriz americana recomenda não usar de rotina calmantes, antidepressivos ou anticonvulsivantes com o objetivo de tratar o zumbido persistente. Também desaconselha suplementos para esse fim. Isso é diferente de tratar um transtorno de ansiedade ou uma depressão que existe por si só: nesse caso, quem avalia e indica o tratamento é o médico, geralmente o psiquiatra ou o clínico que acompanha você. Não comece nem pare nenhum remédio por conta própria.

O que você pode fazer hoje

  • Marque uma avaliação da audição, principalmente se o zumbido tem mais de algumas semanas.
  • Deixe um som suave ligado na hora de dormir e evite deitar no silêncio total.
  • Defina um horário para dormir e acordar e corte o café depois do meio da tarde.
  • Reserve alguns minutos por dia para respirar devagar, alongar ou caminhar.
  • Evite “conferir” o zumbido o tempo todo. Ocupe a cabeça com algo de que você gosta.
  • Anote em que dias o zumbido incomoda mais e o que aconteceu antes: noite ruim, estresse, barulho, álcool. Leve as anotações à consulta.
  • Se a tristeza ou a desesperança aparecerem, ligue 188.

Perguntas frequentes sobre zumbido e ansiedade

Zumbido no ouvido esquerdo pode ser ansiedade?

A ansiedade pode deixar qualquer zumbido mais incômodo, mas um zumbido só no ouvido esquerdo (ou só no direito) não deve ser atribuído ao nervoso antes de uma avaliação. A diretriz americana pede exame da audição sem demora quando o zumbido é de um lado só, porque ele pode vir de cera, otite, perda auditiva daquele lado ou, bem mais raramente, de algo que precisa de investigação médica.

Crise de ansiedade dá zumbido no ouvido?

Muitas pessoas notam o zumbido mais forte durante e depois de uma crise, porque o corpo está em alerta e a atenção se volta para os sintomas. O NHS cita o estresse entre o que costuma piorar o zumbido. Se o zumbido surgiu de repente, veio com perda de audição ou não foi embora depois da crise, procure o otorrino.

Existe zumbido emocional?

O termo é popular, mas não é um diagnóstico. O que existe é a ligação forte entre zumbido, ansiedade, depressão e insônia, mostrada em muitos estudos. O mais comum é haver uma causa auditiva e um peso emocional ao mesmo tempo, e os dois precisam de cuidado.

Por que o zumbido piora à noite?

À noite a casa fica silenciosa, e o zumbido perde a concorrência dos sons do dia. Com o cansaço e as preocupações do dia, a atenção vai direto para ele. Um som suave de fundo e uma rotina para dormir costumam ajudar.

Tratar a ansiedade faz o zumbido sumir?

Nem sempre o som desaparece, mas o incômodo costuma diminuir. Na revisão Cochrane, a TCC reduziu o impacto do zumbido na vida da pessoa. Muita gente continua ouvindo o chiado de vez em quando, só que ele deixa de mandar no humor e no sono.

Qual profissional procurar para zumbido com ansiedade?

O ideal é uma equipe: o otorrinolaringologista investiga as causas médicas, o fonoaudiólogo avalia a audição e, quando há indicação, adapta o aparelho auditivo, e o psicólogo cuida da ansiedade com a TCC. Se houver um transtorno de ansiedade ou depressão, o médico entra também.

Zumbido e ansiedade em Copacabana

Na Hear Clean, o primeiro passo é a avaliação auditiva gratuita: uma audiometria completa, com tons e palavras, na nossa sala acústica, sem pedido médico e sem compromisso de compra. Ela leva de 30 a 60 minutos e mostra se existe uma perda auditiva por trás do zumbido. Quando há indicação, tratamos o zumbido com aparelho auditivo ajustado para ele, num tratamento que inclui o aparelho, os exames, a adaptação e as revisões. Quando o aparelho não é indicado, encaminhamos você ao otorrinolaringologista. Se a ansiedade ou a insônia estão pesando, vale procurar também um psicólogo com formação em TCC.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Fuller T et al. Cognitive behavioural therapy for tinnitus. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020. PubMed
  • Tunkel DE et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2014. American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. PubMed
  • Jiang Y et al. Systematic review and meta-analysis of the correlation between tinnitus and mental health. American Journal of Otolaryngology, 2025. PubMed
  • Langguth B et al. Tinnitus guidelines and their evidence base. Journal of Clinical Medicine, 2023. PMC
  • NHS. Tinnitus. National Health Service, Reino Unido, revisado em 2024. NHS
  • Centro de Valorização da Vida (CVV). Ligue 188. CVV
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