Zumbido na cabeça: o que pode ser e quando procurar ajuda

Neste artigo (10 partes)

O zumbido na cabeça é aquele chiado, apito ou barulho de grilo que parece vir de dentro do crânio, e não de um ouvido. Muita gente se assusta justamente por isso: se o som está “na cabeça”, será que o problema está no cérebro? Na maior parte das vezes, a explicação está na audição. Neste artigo você vai entender por que o zumbido pode ser sentido no meio da cabeça, o que costuma provocá-lo, quais sinais pedem atendimento rápido e como é feita a avaliação.

Homem de cerca de 60 anos sentado perto da janela, com os dedos encostados na têmpora e expressão calma de quem presta atenção a um som

A visão geral do sintoma está no nosso guia sobre zumbido no ouvido. Aqui o foco é o que significa ouvir esse som na cabeça.

Por que o zumbido parece estar dentro da cabeça

Zumbido (ou tinnitus, o nome em inglês que aparece em muitos exames) é a percepção de um som sem nenhuma fonte sonora do lado de fora. O ouvido capta o som e manda o sinal pelo nervo auditivo. Quem reconhece o som e calcula de onde ele vem é o cérebro, e ele também “coloca” o zumbido em algum lugar.

Esse lugar varia de pessoa para pessoa. Uma revisão de 2024 sobre a localização do zumbido concluiu que ele pode ser ouvido em qualquer ponto dentro e ao redor da cabeça, e que a expressão “zumbido no ouvido” simplifica o que as pessoas sentem. Outra revisão, do mesmo ano, resume a distribuição assim: cerca de 45% das pessoas com zumbido ouvem o som em um ouvido, 45% nos dois e perto de 10% não conseguem apontar um lado, porque ele parece estar no meio da cabeça.

Ouvir o zumbido na cabeça não quer dizer que a origem esteja no cérebro. Os pesquisadores ainda não sabem prever por que uma pessoa ouve o som no ouvido e outra dentro da cabeça, e em algumas pessoas o lugar muda com o tempo.

Ilustração da orelha em corte com uma seta entrando pelo canal do ouvido, a cóclea destacada em azul e outra seta saindo pelo nervo auditivo em direção ao cérebro
O som entra pelo canal (1), vira sinal elétrico na cóclea (2) e segue pelo nervo auditivo até o cérebro (3). É o cérebro que decide onde um som parece estar. Por isso uma alteração na audição pode ser sentida como zumbido no meio da cabeça.

Um ponto da diretriz de zumbido da Academia Americana de Otorrinolaringologia ajuda a tirar o medo. Ela recomenda não pedir exame de imagem da cabeça de rotina quando o zumbido não fica em um ouvido só, não pulsa e não vem com alteração neurológica nem com diferença de audição entre os ouvidos. Sem esses sinais, a investigação começa pela audição.

Quando procurar atendimento para zumbido na cabeça

A maior parte dos zumbidos pode ser investigada em consulta marcada. Procure o otorrinolaringologista com urgência, de preferência no mesmo dia, se o zumbido vier com:

  • Perda de audição repentina, sobretudo de um lado só, com zumbido novo daquele lado. A diretriz de perda auditiva súbita diz que reconhecer e tratar cedo pode melhorar a recuperação da audição e pede audiometria em até 14 dias do início.
  • Zumbido que pulsa junto com o coração.
  • Tontura forte, com sensação de que tudo gira.
  • Zumbido que começou depois de uma batida na cabeça.
  • Fraqueza ou dormência no rosto ou em um lado do corpo, boca torta, fala enrolada ou visão alterada. Nesse caso, ligue para o SAMU no 192.

Marque consulta sem deixar para depois se o zumbido ficou em um ouvido só, dura seis meses ou mais ou vem com dificuldade para ouvir. Nesses casos, a diretriz de zumbido recomenda uma avaliação auditiva completa sem demora. Para entender o caso do zumbido de um lado só, leia o artigo sobre zumbido no ouvido esquerdo ou direito.

Chiado ou barulho na cabeça é comum?

22%

dos moradores entrevistados na cidade de São Paulo tinham zumbido (Oiticica e Bittar, 2015)

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pessoas com zumbido não sabe dizer de que lado ele está: o som parece vir do meio da cabeça (Langguth et al., 2024)

É muito comum. Uma pesquisa com 1.960 moradores da cidade de São Paulo encontrou zumbido em 22% dos entrevistados, mais em mulheres (26%) do que em homens (17%), com aumento conforme a idade. Para 68% deles, o zumbido ia e voltava. Os outros 32% conviviam com ele o tempo todo.

Ouvir o som dentro da cabeça também não é raro. No arquivo de dados de uma clínica de zumbido do Oregon, nos Estados Unidos, com 1.629 pacientes, 11,4% responderam que o zumbido “enche a cabeça”. Outros apontaram lugares mais precisos: dentro da cabeça, do lado esquerdo ou do direito, no alto ou na nuca.

O que pode causar zumbido na cabeça

O lugar onde o som aparece não aponta, sozinho, para uma causa. Por isso a investigação passa pelas mesmas causas do zumbido em geral. Em muita gente, mais de uma delas pesa ao mesmo tempo.

Perda auditiva, a causa mais comum

Receber menos som é o fator de risco mais importante para o zumbido. Quando o ouvido interno passa a mandar menos sinal, o cérebro tenta compensar a falta, e parte dessa atividade extra é percebida como som. Vários estudos mostram que a altura do zumbido costuma coincidir com a faixa de frequência em que a audição mais caiu. Quem perdeu audição nos sons agudos tende a ouvir um chiado agudo.

Nem todo mundo com zumbido tem perda auditiva no exame. A audiometria de rotina testa oito frequências, e alguns estudos acharam, nessas pessoas, perda em frequências mais altas, que o exame comum não mede. Mesmo assim, a audiometria é o primeiro exame da investigação.

Barulho forte

Show, festa, fone alto por horas, obra e trabalho em ambiente ruidoso entram na conta. A exposição a barulho no trabalho aparece entre os principais fatores de risco para o zumbido. Se o barulho faz parte da sua rotina, protetores auriculares sob medida ajudam a evitar que o problema se repita. Eles seguem o formato da orelha e costumam ser mais confortáveis para usar por horas.

Tensão no pescoço e na mandíbula (ATM)

Os nervos que levam as sensações da cabeça e do pescoço se comunicam com as vias da audição. Por isso, em muitas pessoas, movimentos da cabeça, do pescoço ou do rosto mudam o zumbido. Ele sobe ou baixa quando você aperta os dentes, abre bem a boca ou vira o pescoço. Os médicos chamam esse tipo de zumbido somatossensorial.

O zumbido é mais frequente em quem tem problema na articulação da mandíbula, a ATM, que fica logo na frente do ouvido. Em algumas pessoas, ele começa depois de uma lesão no pescoço. Quando o pescoço ou a mandíbula pesam no zumbido, a fisioterapia voltada para essas regiões, com orientação, exercícios e técnicas manuais, costuma diminuir a intensidade ou o incômodo. Sumir de vez é raro. O dentista especializado em ATM também pode entrar na avaliação.

Remédios que afetam o ouvido

Alguns medicamentos podem lesar o ouvido interno e provocar ou piorar o zumbido. São os chamados ototóxicos, e a lista inclui certos antibióticos e remédios usados contra o câncer, entre outros. Não pare nenhum remédio por conta própria. Se o zumbido começou depois de um remédio novo, converse com o médico que receitou.

Estresse, sono e atenção

Algumas pessoas sentem o zumbido mais alto em fases de tensão. Muitas notam que o zumbido do dia depende da noite anterior: quanto melhor o sono, mais baixo ele fica. E, quando a atenção vai para uma atividade, o zumbido tende a ir para o fundo. Para 10% a 20% das pessoas com zumbido, ele atrapalha muito a qualidade de vida, e ansiedade, depressão e insônia aparecem com frequência junto.

Zumbido na cabeça e pressão

Quem procura “zumbido na cabeça e pressão” em geral quer saber de duas coisas. A primeira é a pressão alta. Alguns estudos, mas não todos, encontraram mais hipertensão entre pessoas com zumbido, e essa ligação ainda não está clara. Vale manter a pressão acompanhada pelo seu médico, principalmente se o zumbido pulsa.

A segunda é a sensação de pressão ou de ouvido cheio. Cera, gripe que fecha a tuba auditiva e líquido atrás do tímpano deixam o ouvido tampado e podem trazer zumbido junto. Esse caso tem um artigo só dele: ouvido tampado e zumbido.

Zumbido pulsátil: quando o barulho na cabeça acompanha o coração

O zumbido pulsátil bate no ritmo do coração, como um “tum, tum” ou um “chiu, chiu”. Ele sugere uma alteração no fluxo de sangue perto do ouvido: um vaso estreitado ou malformado, ou um fluxo maior que o normal, como acontece na anemia. O aumento da pressão dentro do crânio também pode facilitar que a pessoa ouça o próprio sangue passando.

Uma revisão de 2022 mostrou que, com uma investigação bem feita, a causa do zumbido pulsátil aparece em mais de 70% das pessoas. Os autores lembram que, em alguns casos, ele é um aviso de risco de AVC, e é por isso que esse tipo pede avaliação médica sem demora. Em muitas pessoas, os exames não mostram nenhuma alteração. Uma explicação possível é que elas sejam mais sensíveis aos sons do próprio corpo e ouçam até o fluxo normal do sangue. Comece pelo otorrinolaringologista, que decide se é preciso chamar outro especialista.

Como é feita a avaliação do zumbido na cabeça

A avaliação junta dois profissionais. O otorrinolaringologista examina o ouvido e procura causas médicas. O fonoaudiólogo mede a audição em detalhe e cuida da reabilitação auditiva.

Tudo começa por uma conversa. Desde quando o zumbido existe? Ele pulsa? Muda quando você aperta os dentes ou mexe o pescoço? Começou depois de um remédio novo ou de um barulho forte? A diretriz recomenda essa conversa e um exame dirigido já na primeira consulta, para achar problemas que, tratados cedo, podem aliviar o zumbido.

Depois vem a audiometria, feita em sala acústica. Ela mostra se existe perda auditiva, em quais frequências e se um ouvido ouve pior que o outro. Costuma vir junto com o teste de compreensão de palavras, que você conhece melhor no artigo sobre audiometria tonal e vocal. A imitanciometria pode completar o quadro, verificando o tímpano e o ouvido médio. O exame de imagem, quando o médico acha necessário, costuma ficar para quem tem sinais como os da lista acima.

Zumbido na cabeça tem cura? Como é o tratamento

Depende da causa. Quando o zumbido vem de cera, otite, barulho recente ou efeito de remédio, ele pode diminuir ou sumir depois que o problema é tratado. Quando dura meses e está ligado à perda auditiva, costuma continuar, mas pode incomodar bem menos. O assunto está em detalhe no artigo zumbido no ouvido tem cura?

Para o zumbido que persiste e incomoda, a diretriz americana recomenda três caminhos:

  • Orientação sobre o que é o zumbido e como lidar com ele.
  • Avaliação para aparelho auditivo quando o exame mostra perda auditiva. Em quem tem perda, melhorar a audição reduz o zumbido. Veja como funciona a adaptação de aparelhos auditivos.
  • Terapia cognitivo-comportamental, feita por psicólogo com treinamento no método, que trabalha a forma como a pessoa reage ao som.

Quando o pescoço ou a mandíbula influenciam o zumbido, o tratamento dessas regiões entra no plano. Não existe remédio que cure o zumbido crônico. A mesma diretriz recomenda não usar de rotina antidepressivos, anticonvulsivantes, calmantes nem suplementos com esse objetivo. O médico pode indicar tratamento para uma causa específica, e quem indica é o otorrinolaringologista. Conheça o nosso tratamento de zumbido.

O que você pode fazer hoje

  • Anote como é o seu zumbido: onde você sente, desde quando, o que piora e se ele muda ao apertar os dentes ou mexer o pescoço. Leve as anotações para a consulta.
  • Confira se ele pulsa. Encoste os dedos no pulso e veja se o som acompanha as batidas. Se acompanhar, marque o otorrino.
  • Compare os ouvidos ouvindo o telefone de um lado e depois do outro. Se um lado parecer mais fraco, conte ao médico.
  • Evite o silêncio total na hora de dormir. Um ventilador ou um som de chuva baixinho já ajudam.

Perguntas frequentes sobre zumbido na cabeça

Barulho na cabeça tipo grilo: o que é?

Grilo, cigarra, apito, chiado e panela de pressão são jeitos diferentes de descrever o zumbido. A altura do som costuma coincidir com a faixa em que a audição mais caiu, então um som agudo como o de grilo pode apontar para perda nos agudos. Só a audiometria confirma.

Chiado na cabeça tem cura?

Quando existe uma causa tratável, como cera, otite, barulho recente ou efeito de remédio, o chiado pode sumir depois do tratamento. Quando está ligado à perda auditiva e dura meses, o objetivo é que ele incomode cada vez menos. Aparelho auditivo, quando há perda, e terapia cognitivo-comportamental são as opções que a diretriz recomenda.

Existe remédio para zumbido na cabeça?

Não existe remédio que cure o zumbido crônico, e a diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda não usar remédios nem suplementos de rotina com esse objetivo. Remédio caseiro também não resolve, e pingar óleo ou gotas no ouvido pode piorar o quadro se houver infecção ou furo no tímpano. O médico pode indicar tratamento para uma causa específica.

Zumbido na cabeça e tontura: o que pode ser?

Zumbido e tontura juntos podem vir do ouvido interno, que cuida da audição e do equilíbrio. A perda auditiva súbita, por exemplo, muitas vezes vem com zumbido e pode vir com tontura. Se a tontura for forte, vier com queda da audição ou com fraqueza, fala enrolada ou visão alterada, procure atendimento no mesmo dia.

Zumbido na cabeça pode ser um problema no cérebro?

Sentir o som dentro da cabeça, sem outros sinais, é uma das formas como o zumbido é percebido e não indica, por si só, doença no cérebro. Por isso a diretriz recomenda não pedir exame de imagem de rotina quando nenhum destes sinais está presente: zumbido pulsátil, zumbido de um lado só, diferença de audição entre os ouvidos ou alteração neurológica.

Zumbido na cabeça em Copacabana

Na Hear Clean, o primeiro passo é a avaliação auditiva gratuita: uma audiometria completa, com tons e palavras, feita na nossa sala acústica, sem pedido médico e sem compromisso de compra. Ela leva de 30 a 60 minutos e mostra se existe perda auditiva por trás do zumbido que você sente na cabeça. Quando há indicação, tratamos o zumbido com aparelho auditivo ajustado para ele, num tratamento completo que inclui o aparelho, os exames, a adaptação e as revisões. Quando o caso permite, você testa o aparelho em casa antes de decidir. Quando o aparelho não é indicado, ou quando o zumbido pulsa ou vem com algum sinal de alerta, encaminhamos você ao otorrinolaringologista.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Tunkel DE et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2014. American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. PubMed
  • Langguth B et al. Tinnitus: clinical insights in its pathophysiology. A perspective. Journal of the Association for Research in Otolaryngology, 2024. PMC
  • Searchfield GD et al. A scoping review of the spatial perception of tinnitus and a guideline for the minimum reporting of tinnitus location. Journal of the Royal Society of New Zealand, 2024. PMC
  • Oiticica J, Bittar RSM. Tinnitus prevalence in the city of São Paulo. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2015. PubMed
  • Narsinh KH et al. Diagnostic approach to pulsatile tinnitus: a narrative review. JAMA Otolaryngology-Head & Neck Surgery, 2022. PubMed
  • Chandrasekhar SS et al. Clinical practice guideline: sudden hearing loss (update). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2019. American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. PubMed
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