Teste de audição: o online funciona? Quando fazer o exame de verdade
Neste artigo (10 partes)
- Teste de audição online funciona?
- Quando procurar o otorrino sem esperar
- O que o teste no celular mede
- Por que o fone e o ambiente mudam o resultado
- Teste de audição por idade: a frequência mais aguda que você ouve
- Sinais de que vale fazer a audiometria
- Como é a audiometria de verdade
- Se for fazer o teste online, faça do jeito certo
- Perguntas frequentes sobre teste de audição
- Teste de audição em Copacabana
Fazer um teste de audição no celular leva poucos minutos e não custa nada, e por isso tanta gente começa por ele. A dúvida que vem depois é se o resultado vale alguma coisa. Vale como alerta, mas não como exame. Neste artigo você vai ver o que um teste online ou de aplicativo mede, o que ele não consegue medir, por que o fone e o barulho da casa mudam o resultado, o que o tal teste por idade mostra de verdade e quando é hora de fazer a audiometria.
Teste de audição online funciona?
Funciona como triagem, ou seja, para separar quem provavelmente ouve bem de quem deveria fazer um exame completo. Ele não dá diagnóstico, não diz o tipo nem o grau da perda e não substitui a audiometria, que é o exame de referência.
Os estudos mostram os dois lados. Uma revisão de 25 estudos, com 4.470 pessoas, comparou testes feitos no smartphone com a audiometria tradicional e encontrou bons números: o teste no celular acertou 89% de quem tinha perda auditiva e 93% de quem não tinha. Uma revisão brasileira, publicada na revista CoDAS, reuniu 17 estudos e viu os aplicativos mais estudados acertarem entre 75% e 100%, mas só 4 desses estudos cumpriram todos os critérios de qualidade.
O detalhe que muda tudo: quase todos esses estudos foram feitos com fones escolhidos pelos pesquisadores, aparelhos conferidos e pessoas orientadas. Em casa, com o fone que você tiver e a televisão ligada no outro cômodo, o cenário é outro. Quando pesquisadores canadenses testaram dois aplicativos populares em 130 adultos, numa sala silenciosa e com fone de boa qualidade, os resultados foram bem mais modestos, como você vai ver abaixo.
Quando procurar o otorrino sem esperar
Alguns casos não são para teste em casa nem para agendar com calma. Procure o otorrinolaringologista logo se:
- a audição caiu de repente, de um dia para o outro, em um ouvido ou nos dois. A perda auditiva súbita é urgência, e o tratamento rápido pode ajudar na recuperação;
- a perda veio junto com tontura, ou com fraqueza, formigamento ou mudança na fala;
- a audição piorou depois de uma pancada na cabeça ou no ouvido.
Nesses casos, um teste de celular normal não tranquiliza. Quem avalia e trata é o médico.
O que o teste no celular mede
Os testes de audição online e de aplicativo seguem, em geral, um destes dois caminhos.
Teste com apitos (tons puros)
O aplicativo toca apitos graves e agudos, cada vez mais baixos, e você toca na tela quando ouve. É uma imitação da parte tonal da audiometria. O problema é o volume real que chega ao seu ouvido: ele depende do celular, do fone e de como o fone está encaixado. Na revisão de 25 estudos, a maioria nem descreveu como o som foi calibrado, ou seja, como garantiram que o volume marcado na tela era o volume que chegava ao ouvido. Os autores lembram que há diferenças importantes entre modelos de aparelho.
Teste de números no ruído
Uma voz fala três números, por exemplo 6, 2 e 8, no meio de um chiado, e você digita o que entendeu. O chiado fica mais forte ou mais fraco conforme você acerta ou erra. Esse formato mede algo muito prático: entender fala com barulho em volta, que costuma ser a primeira queixa de quem começa a perder audição.
É o caso do hearWHO, o aplicativo gratuito da Organização Mundial da Saúde (OMS). A OMS diz que ele usa uma tecnologia validada de números no ruído e serve para a pessoa acompanhar a própria audição ao longo do tempo, e o recomenda em especial para quem ouve música alta no fone. O resultado vai de 0 a 100 pontos: abaixo de 50 sugere algum grau de perda, acima de 75 indica boa audição, e entre 50 e 75 pede acompanhamento. Um porém para o leitor brasileiro: a página da OMS lista o app em chinês, holandês, inglês, russo e espanhol, sem português.
O que nenhum dos dois mede
- O tipo da perda. Só a comparação entre o som que chega pelo fone e o som que chega pelo vibrador atrás da orelha (via óssea) mostra se o problema está no canal e no tímpano ou no ouvido interno.
- Cada ouvido com precisão. O ouvido bom pode “ajudar” o ruim se o som vazar de um lado para o outro. Na audiometria, o profissional controla isso com um ruído de mascaramento.
- A causa. Cera, líquido atrás do tímpano, ruído, idade: o teste não sabe de onde vem o resultado.
- O grau oficial. O grau da perda sai da média de frequências específicas medidas em equipamento calibrado, como explicamos no artigo sobre graus de perda auditiva.
Por que o fone e o ambiente mudam o resultado
Três coisas pesam mais do que o próprio aplicativo: o fone, o silêncio e quem está fazendo o teste.
- Fone. Na revisão de 25 estudos, os testes feitos com fone de cabeça, que fica sobre a orelha, acertaram mais do que os feitos com fone de inserir no ouvido. Os autores lembram que a posição do fone de inserir muda o resultado, e em casa ninguém confere se ele está bem encaixado.
- Silêncio. Os estudos feitos em ambiente com isolamento acústico tiveram precisão maior que os feitos fora dela. Um ventilador, o trânsito da rua ou uma conversa na sala encobrem justamente os sons mais fracos que o teste tenta medir.
- Idade. O teste no celular acertou menos em idosos e em crianças do que em adultos. Os autores levantam a hipótese de dificuldade com a tecnologia, visão e o tempo para se acostumar com o aplicativo.
Há ainda o efeito de aprendizado. No estudo canadense com o hearWHO e um aplicativo comercial, feito numa sala silenciosa (mas sem isolamento acústico), com iPad e fone de boa qualidade, os dois aplicativos deram resultados pouco estáveis de uma vez para outra. Os dois foram melhores na segunda tentativa, e os autores sugerem fazer o teste duas vezes. Na segunda medida, o hearWHO identificou 67% das pessoas com perda de 50 dB ou mais no ouvido melhor, ou seja, deixou passar cerca de uma em cada três. E apontou perda em 29% de quem não tinha esse grau de perda.
Teste de audição por idade: a frequência mais aguda que você ouve
Muita gente chega à audição pelo “teste da idade”: um vídeo ou site toca um apito cada vez mais agudo e diz que, se você parou de ouvir em certo ponto, seu ouvido tem tal idade. A ideia tem um fundo verdadeiro. Um estudo espanhol mediu a audição de 645 pessoas saudáveis, de 5 a 90 anos, desde os sons graves até 20.000 Hz (hertz, a unidade que mede quão agudo é o som). Quanto mais agudo o som e mais velha a pessoa, maior o volume necessário para ouvir. Entre 20 e 69 anos, as mulheres ouviram melhor que os homens nos agudos de 12.500 e 16.000 Hz.
Só que o teste por idade tem três problemas:
- O volume que chega ao ouvido depende do celular e do fone, e esses testes não conferem a calibração. Você pode deixar de ouvir o apito por limitação do aparelho, e não do ouvido.
- Esses apitos ficam acima da faixa da audiometria de rotina, que vai até 8.000 Hz. O grau de perda que a OMS usa é calculado pela média de 500 a 4.000 Hz, a região mais importante para entender a fala.
- Ouvir o apito mais agudo não garante entender conversa no restaurante. Não ouvir também não quer dizer perda que atrapalhe o dia a dia.
Pode ser divertido, mas não serve para decidir nada. Se o resultado deixou você preocupado, o próximo passo é a audiometria.
| Teste online ou de celular | Audiometria | |
|---|---|---|
| Para que serve | Triagem: sinal de que vale investigar | Diagnóstico da audição |
| Equipamento | O seu celular e o seu fone, sem calibração conferida | Audiômetro calibrado, fone próprio e vibrador atrás da orelha |
| Ambiente | Casa, com o barulho que houver | Sala com isolamento acústico |
| Mostra o tipo e o grau | Não | Sim, em cada ouvido |
| Quem conduz | Você mesmo | Fonoaudiólogo, que também olha o canal do ouvido antes |
Sinais de que vale fazer a audiometria
Não precisa esperar o aplicativo apontar perda. O Instituto Nacional de Surdez dos Estados Unidos (NIDCD) sugere algumas perguntas simples. Se você responder “sim” a duas ou mais, ou “às vezes” a três ou mais, vale fazer o exame:
- A audição atrapalha você a ouvir televisão ou rádio?
- Fica difícil acompanhar a conversa numa festa ou num restaurante?
- Você se sente frustrado ao conversar com a família por causa da audição?
- Você se sente de fora quando está num grupo?
- A audição atrapalha as visitas a amigos, parentes ou vizinhos?
- Você tem evitado grupos ou saído menos por causa disso?
A OMS acrescenta quem deveria conferir a audição de tempos em tempos, mesmo sem queixa: quem ouve música alta com frequência, quem trabalha em lugar barulhento, quem usa remédios que podem fazer mal à audição e quem tem mais de 60 anos. A perda ligada à idade costuma chegar devagar, nos dois ouvidos, e por isso muita gente demora a perceber.
Também faça a audiometria se o teste online deu alterado, se o resultado foi diferente entre um ouvido e outro, se você tem zumbido ou se a família reclama do volume da TV antes de você notar qualquer coisa.
Como é a audiometria de verdade
A audiometria é o exame que o teste online tenta imitar, feita com equipamento calibrado e num ambiente isolado do barulho. Não dói e não precisa de preparo especial. Em resumo:
- Conversa e olhada no ouvido. O fonoaudiólogo pergunta sobre as queixas e examina o canal do ouvido. Uma rolha de cera, por exemplo, abafa o som e altera o resultado.
- Tons pelo fone (via aérea). Você ouve apitos de várias frequências, um ouvido de cada vez, e avisa sempre que escuta, mesmo bem baixinho.
- Tons pelo vibrador (via óssea). Um pequeno vibrador atrás da orelha manda o som direto ao ouvido interno. A diferença entre as duas vias mostra onde está o problema.
- Palavras. Você repete palavras que ouve pelo fone. Essa parte mostra o quanto você entende a fala, e não só se ouve o som.
O resultado vira um gráfico, o audiograma, com o tipo e o grau da perda em cada ouvido. O passo a passo completo, e como ler cada símbolo, está no artigo sobre audiometria tonal e vocal.
Se for fazer o teste online, faça do jeito certo
- Escolha um aplicativo que diga em que estudo foi testado. O hearWHO, da OMS, é gratuito.
- Use fone de ouvido, de preferência o de cabeça, bem ajustado sobre as orelhas. Nada de alto-falante do celular.
- Fique no cômodo mais silencioso da casa, com janelas fechadas, TV e ventilador desligados.
- Faça o teste duas vezes. A segunda tentativa costuma ser mais confiável.
- Anote o resultado e a data para comparar no futuro.
- Resultado normal com queixa no dia a dia não encerra a questão. Faça a audiometria assim mesmo.
Perguntas frequentes sobre teste de audição
Como fazer teste de audição em casa?
Com um aplicativo de triagem, fone de ouvido bem encaixado e um cômodo silencioso, seguindo os cuidados da lista acima. O resultado serve de alerta. Se der alterado, ou se você tem dificuldade para ouvir mesmo com resultado bom, o próximo passo é a audiometria.
Teste de audição online grátis substitui a audiometria?
Não. O teste online é uma triagem feita sem equipamento calibrado e sem controle do barulho. Ele não mostra o tipo nem o grau da perda e não serve como exame para o médico ou para indicar aparelho auditivo.
Passei no teste do celular. Preciso fazer audiometria mesmo assim?
Se você tem queixa, sim. No estudo canadense, o hearWHO deixou passar cerca de uma em cada três pessoas com perda de 50 dB ou mais. Se você ainda pede para repetir, aumenta a TV ou se cansa em conversas com barulho, o exame tira a dúvida.
Qual o nome do teste de audição feito na clínica?
É a audiometria tonal e vocal, chamada no dia a dia só de audiometria. Outro exame de audição comum é a imitanciometria, que avalia o tímpano e o ouvido médio.
Quem faz o teste de audição?
A audiometria é feita pelo fonoaudiólogo. Quando o exame sugere uma causa médica, como otite, líquido atrás do tímpano ou perda súbita, quem investiga e trata é o otorrinolaringologista.
Dá para fazer teste de audição em criança pelo celular?
Não é o caminho indicado. Nos estudos, o teste no celular acertou menos em crianças do que em adultos. Se você desconfia da audição do seu filho, converse com o pediatra; o exame muda conforme a idade, como explicamos no artigo sobre audiometria infantil.
Teste de audição em Copacabana
Se o teste online deu alterado, ou se você só quer saber como está a sua audição, a Hear Clean, clínica de fonoaudiologia em Copacabana, faz a avaliação auditiva gratuita. Ela inclui a audiometria completa, com tons e palavras, na nossa sala acústica, mais moderna e confortável que a cabina tradicional. A avaliação dura de 30 a 60 minutos, não precisa de pedido médico e não obriga você a comprar nada depois. A fonoaudióloga explica o audiograma sem termos difíceis e diz o próximo passo: acompanhar, procurar o otorrino ou conhecer as opções de aparelhos auditivos.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- World Health Organization. hearWHO. OMS
- Lunney M et al. Performance of hearing test software applications to detect hearing loss. JAMA Network Open, 2025. PubMed
- Chen CH et al. Diagnostic accuracy of smartphone-based audiometry for hearing loss detection: meta-analysis. JMIR mHealth and uHealth, 2021. PubMed
- Melo IMM et al. Accuracy of smartphone-based hearing screening tests: a systematic review. CoDAS, 2022. PubMed
- Rodríguez Valiente A et al. Extended high-frequency (9-20 kHz) audiometry reference thresholds in 645 healthy subjects. International Journal of Audiology, 2014. PubMed
- National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Age-related hearing loss (presbycusis), 2023. NIDCD