Labirintite: o que é, sintomas e quando procurar o médico
Neste artigo (10 partes)
- O que é labirintite e onde fica o labirinto
- Quando procurar o pronto-socorro: tontura com sinais de AVC
- Labirintite ou tontura? Por que o nome confunde
- Quais são os sintomas da labirintite
- O que causa labirintite e outras tonturas parecidas
- Quem trata labirintite e que exames o médico pede
- O que é bom para labirintite enquanto você espera a consulta
- Labirintite e audição: zumbido e perda auditiva
- Perguntas frequentes sobre labirintite
- Audição depois da labirintite em Copacabana
A labirintite virou, no Brasil, o nome de quase toda tontura. A pessoa levanta, o quarto gira, vem o enjoo, e alguém logo diz: “é labirintite”. Às vezes é mesmo. Muitas vezes é outra coisa, como os cristais soltos do ouvido, uma inflamação do nervo do equilíbrio, uma crise de enxaqueca e, em poucos casos, um AVC. Neste artigo você vai entender o que é a labirintite de verdade, quais são os sintomas, o que mais pode causar a tontura e quais sinais pedem pronto-socorro na hora.
Se a sua tontura aparece só quando você deita, vira na cama ou olha para cima, leia também o artigo sobre tontura ao deitar e levantar, que explica a VPPB. O artigo sobre otite mostra as outras inflamações do ouvido.
O que é labirintite e onde fica o labirinto
Labirintite é a inflamação do labirinto, a parte da orelha interna que cuida do equilíbrio. Quando ele inflama, o sintoma principal é a vertigem, a sensação de que tudo gira, que costuma vir com enjoo, vômito, zumbido ou perda de audição.
O labirinto fica dentro do osso da cabeça, atrás do tímpano, ao lado da cóclea, que é a parte da audição. O nome vem do formato: é uma estrutura cheia de curvas, feita de osso e tecido mole. Ali estão três canais semicirculares, tubos com líquido que avisam o cérebro quando a cabeça gira, e duas pequenas bolsas, o utrículo e o sáculo, que percebem a posição da cabeça em relação à gravidade: se você está sentado, inclinado ou deitado. Esses sinais seguem pelo nervo vestibular até o cérebro, que junta tudo com o que os olhos veem e com o que os pés sentem no chão.

Quando um dos lados para de mandar o sinal certo, o cérebro recebe informações que não batem. O resultado é a vertigem: o corpo está parado, mas a sensação é de movimento.
Quando procurar o pronto-socorro: tontura com sinais de AVC
Ligue para o SAMU (192) ou vá direto a um hospital se a tontura vier junto com qualquer um destes sinais:
- fraqueza ou formigamento num lado do corpo: no rosto (a boca pode ficar torta), no braço ou na perna;
- fala enrolada, dificuldade para falar ou para entender o que os outros dizem;
- visão dupla, perda de visão num olho ou nos dois;
- dificuldade para engolir;
- dor de cabeça súbita e muito forte, sem causa aparente;
- confusão mental;
- dificuldade forte para ficar em pé ou para andar, ou falta de coordenação nos braços e nas pernas.
Procure atendimento no mesmo dia, mesmo sem esses sinais, se a tontura vier com perda de audição repentina, se começou depois de uma batida na cabeça ou se você tem pressão alta ou diabetes, que aumentam a chance de a causa estar no cérebro. A perda de audição que aparece junto com a vertigem pode vir de um entupimento da artéria que irriga o labirinto, e a perda auditiva súbita também é urgência por si só.
Para dar uma ideia do risco: num estudo com 1.666 pessoas acima de 44 anos atendidas num pronto-socorro dos Estados Unidos por tontura, vertigem ou desequilíbrio, 3,2% tinham AVC ou isquemia passageira. Entre quem tinha só a tontura, sem nenhum outro sinal neurológico, a taxa caiu para 0,7%. Quem chegou com desequilíbrio, a dificuldade de se manter em pé, teve mais AVC do que quem chegou só com tontura. Na maioria das vezes não é derrame, mas é o médico, e não a pessoa em casa, quem consegue fazer essa separação.
Labirintite ou tontura? Por que o nome confunde
42%
dos adultos entrevistados na cidade de São Paulo tinham tontura (Bittar et al., 2013)
8,3%
tinham tontura vinda do labirinto ou do nervo do equilíbrio (Bittar et al., 2013)
No consultório, “labirintite” é um diagnóstico específico: inflamação do labirinto. Na conversa do dia a dia, a palavra cobre qualquer tontura, e é aí que mora a confusão. Uma pesquisa com 1.960 adultos da cidade de São Paulo encontrou tontura em 42% dos entrevistados, com o pico de queixas entre 46 e 55 anos. Só 8,3% da população tinha uma tontura de origem vestibular, ou seja, vinda do labirinto ou do nervo do equilíbrio.
A mesma pesquisa mostrou que a tontura atrapalhava a rotina de 67% de quem sentia, mas só 46% tinham procurado um médico. Chamar tudo de labirintite ajuda a explicar essa diferença: a pessoa acha que já sabe o que tem e deixa de investigar. A pressão que cai quando a pessoa levanta rápido, o efeito de um remédio e problemas de visão também dão tontura, e cada causa pede um cuidado diferente.
Quais são os sintomas da labirintite
Os sintomas da labirintite começam de repente e costumam ser fortes logo no primeiro dia. Os mais comuns são estes:
- vertigem: a sensação de que você ou o ambiente estão girando, mesmo parado;
- enjoo e vômito;
- desequilíbrio, com tendência a cair ou a andar torto para um lado;
- piora com qualquer movimento da cabeça, o que faz a pessoa ficar imóvel na cama;
- a impressão de que a imagem pula ou balança, por causa de um movimento involuntário dos olhos que os médicos chamam de nistagmo;
- zumbido ou perda de audição de um lado, quando a inflamação chega também à cóclea.
O último item ajuda a separar a labirintite da neurite vestibular, a inflamação do nervo do equilíbrio. As duas dão a mesma vertigem forte, mas na neurite a audição não muda. Pelos critérios da Sociedade Bárány, a entidade internacional que define os diagnósticos de tontura, a neurite tem vertigem que dura pelo menos 24 horas, sem perda de audição, sem zumbido e sem sinais neurológicos.
A vertigem forte vai diminuindo aos poucos. O desequilíbrio e a tontura ao mexer a cabeça melhoram ao longo de semanas, conforme o cérebro se adapta à diferença entre os dois lados.
O que causa labirintite e outras tonturas parecidas
As causas abaixo são as que mais aparecem quando alguém chega ao médico dizendo que está com labirintite. Só o exame separa uma da outra.
Neurite vestibular
É a inflamação do nervo que leva os sinais do equilíbrio até o cérebro. A causa mais provável é a reativação de um vírus que fica adormecido no nervo, o herpes simples tipo 1, mas isso ainda não foi comprovado. Ela aparece com mais frequência entre os 30 e os 60 anos, e os estudos estimam de 3,5 a 15,5 casos por 100 mil pessoas a cada ano. Entre as doenças do ouvido interno que dão tontura, é a terceira mais comum.
Labirintite por vírus ou bactéria
Aqui a inflamação atinge o próprio labirinto, e por isso a audição costuma sofrer junto. A labirintite aparece muitas vezes depois de uma infecção das vias respiratórias, como uma gripe. Também pode vir de uma infecção do ouvido que se espalhou para dentro. Mais raramente, é sinal de uma doença do corpo todo, como uma doença autoimune, uma infecção como sífilis ou HIV, ou o efeito tóxico de algum medicamento.
VPPB, os cristais soltos
É a causa mais comum de vertigem que vem do ouvido. Pequenos cristais da orelha interna, os otólitos, se soltam e caem num canal semicircular. A vertigem é curta e intensa e aparece com a mudança de posição da cabeça: ao deitar, virar na cama, olhar para cima ou abaixar. O artigo sobre tontura ao deitar e levantar explica a VPPB e a manobra que o médico usa para tratar.
Doença de Ménière
Provoca crises de vertigem acompanhadas de perda de audição, zumbido e sensação de ouvido cheio. As crises vão e voltam. A causa exata ainda não é conhecida, mas parece envolver uma mudança na quantidade de líquido dentro do labirinto.
Enxaqueca vestibular
É uma forma de enxaqueca em que a crise vem com vertigem. A tontura pode durar até 72 horas e nem sempre aparece junto com dor de cabeça, o que confunde muita gente. Quem tem crises repetidas de tontura e histórico de enxaqueca deve contar isso ao médico.
AVC
Um derrame na parte de trás do cérebro, no cerebelo ou no tronco cerebral, pode começar com vertigem muito parecida com a da labirintite. É a causa menos comum, mas é a mais grave, e por isso tem uma seção só para ela logo abaixo.
Quem trata labirintite e que exames o médico pede
Quem trata a labirintite é o médico otorrinolaringologista. Na crise forte, ou se houver qualquer sinal de AVC, o primeiro atendimento é no pronto-socorro, onde a equipe investiga se a causa está no ouvido ou no cérebro.
O diagnóstico começa pela conversa: como a tontura começou, quanto tempo dura, se aparece com a mudança de posição, se veio com zumbido, perda de audição ou dor de cabeça. Depois vem o exame à beira do leito. O médico observa o movimento dos olhos, faz manobras rápidas com a cabeça e testa a marcha. Um conjunto desses testes, chamado HINTS, ajuda a separar a tontura do ouvido da tontura que vem do cérebro.
Conforme o caso, o médico pode pedir:
- exame de audição, a audiometria, para ver se a cóclea também foi atingida;
- exames do equilíbrio, como a videonistagmografia, que registra o movimento dos olhos, e testes de rotação ou de postura;
- exames de sangue;
- exame de imagem da cabeça, como a ressonância, quando é preciso descartar AVC ou outras lesões.
O tratamento depende da causa, e quem indica é o otorrino. Na fase aguda, o médico pode tratar a inflamação e aliviar a tontura e o enjoo. Na VPPB, o tratamento é uma manobra de reposicionamento dos cristais. Quando o desequilíbrio demora a passar, o médico pode indicar a reabilitação vestibular, uma série de exercícios orientados por profissional com formação nessa área, para treinar o cérebro a compensar o lado afetado.
O que é bom para labirintite enquanto você espera a consulta
Não existe chá, suco ou receita caseira que trate a labirintite. O tratamento muda conforme a causa, e uma tontura forte pode ser AVC disfarçado. Tentar resolver em casa atrasa justamente a avaliação que separa uma coisa da outra. Também não tome remédio para tontura por conta própria nem use o de outra pessoa: além de esconder sintomas que o médico precisa ver, alguns dão sono.
O que ajuda de fato, até a consulta:
- sente ou deite assim que a tontura começar, em lugar seguro;
- levante devagar e use apoio para andar, principalmente à noite;
- não dirija, não suba em escada e não faça trabalho em altura enquanto houver tontura;
- beba líquidos aos poucos se estiver vomitando, e procure atendimento se não conseguir manter nada no estômago;
- anote quando a tontura começa, quanto dura, o que piora e se vem com zumbido ou ouvido abafado. Leve a lista para o médico, junto com os remédios que você toma.
Labirintite e audição: zumbido e perda auditiva
Como o labirinto e a cóclea ficam lado a lado, na mesma estrutura cheia de líquido, a labirintite pode afetar a audição. Parte das pessoas se recupera por completo. Outras ficam com alguma sequela de equilíbrio ou de audição, como perda auditiva de um lado ou um zumbido que não existia antes.
Por isso, depois que a crise passa, vale observar a audição. Se o ouvido continuou abafado, se você passou a pedir para repetirem mais ou se ficou um zumbido, faça uma audiometria. O exame mostra se a audição voltou ao normal e, se não voltou, em quais frequências e em que grau. Esse resultado ajuda o otorrino a acompanhar o caso e, se houver perda permanente, a pensar na reabilitação auditiva.
Perguntas frequentes sobre labirintite
Labirintite tem cura?
Muitas pessoas se recuperam por completo. A vertigem forte diminui aos poucos, e o equilíbrio melhora ao longo de semanas, porque o cérebro aprende a compensar o lado afetado. Algumas pessoas ficam com desequilíbrio ou perda de audição, e por isso o acompanhamento com o otorrino vale até o fim.
Labirintite pode causar AVC?
A ligação que preocupa os médicos é a inversa: um AVC pode começar com uma tontura muito parecida com a da labirintite e ser confundido com ela. Por isso tontura com fraqueza, formigamento, fala enrolada, visão dupla ou dificuldade para ficar em pé é caso de pronto-socorro na hora.
Labirintite dá dor de cabeça?
Dor de cabeça não está entre os sintomas típicos da labirintite, que são vertigem, enjoo, vômito, zumbido e perda de audição. Tontura com dor de cabeça pode ser enxaqueca vestibular. Mas dor de cabeça súbita e muito forte junto com a tontura é sinal de alerta para AVC e pede atendimento imediato.
Como saber se tenho labirintite?
Só o médico consegue dizer. Vertigem forte, enjoo e piora ao mexer a cabeça aparecem na labirintite, na neurite, na VPPB, na doença de Ménière, na enxaqueca vestibular e no AVC. A história da tontura e o exame dos olhos e do equilíbrio fazem a diferença, e às vezes são precisos exames complementares.
Qual médico trata labirintite?
O otorrinolaringologista. Na crise forte, ou com qualquer sinal de AVC, o primeiro atendimento é no pronto-socorro.
Audição depois da labirintite em Copacabana
A Hear Clean é uma clínica de fonoaudiologia e não faz exame do equilíbrio nem reabilitação vestibular. Quem investiga e trata a tontura é o otorrinolaringologista, e a crise forte é caso de pronto-socorro. O nosso papel é cuidar da audição. Se depois de uma labirintite ficou zumbido, ouvido abafado ou a sensação de ouvir menos de um lado, fazemos a audiometria completa na sala acústica, a partir de 7 anos, e a imitanciometria, que avalia o tímpano e o ouvido médio. Para adultos, a avaliação auditiva é gratuita e não precisa de pedido médico. Se houver perda auditiva, explicamos as opções de tratamento com aparelhos auditivos e, no zumbido, quando há indicação, o tratamento do zumbido com aparelho ajustado para ele.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Barkwill D, Winters R, Arora R. Labyrinthitis. StatPearls, 2025. PubMed
- Strupp M et al. Acute unilateral vestibulopathy/vestibular neuritis: diagnostic criteria. Consensus document of the Bárány Society. Journal of Vestibular Research, 2022. PMC
- Bittar RSM et al. Population epidemiological study on the prevalence of dizziness in the city of São Paulo. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 2013. PubMed
- Kerber KA et al. Stroke among patients with dizziness, vertigo, and imbalance in the emergency department: a population-based study. Stroke, 2006. PubMed
- National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Balance disorders. NIDCD
- Ministério da Saúde. Acidente Vascular Cerebral (AVC). gov.br/saude