Zumbido no ouvido tem cura? O que a ciência diz

Neste artigo (9 partes)

Quem convive com um chiado ou um apito que não vai embora acaba fazendo a mesma pergunta: zumbido no ouvido tem cura? A resposta honesta é que depende da causa. Quando o zumbido vem de cera, de uma otite, de um remédio ou de um barulho forte recente, ele pode sumir depois que a causa é tratada. Quando dura meses e está ligado à perda auditiva, costuma ficar, mas o incômodo pode diminuir bastante. Neste artigo você vai ver o que as diretrizes médicas e as revisões de estudos dizem sobre cada caso, o que ajuda de verdade e o que é promessa sem prova.

Mulher de cerca de 60 anos, grisalha, sentada perto da janela de um apartamento, com a mão atrás da orelha e expressão tranquila e pensativa

Se você quer primeiro entender o que é o zumbido e o que o provoca, leia o nosso guia sobre zumbido no ouvido. Aqui o assunto é outro: o que dá para esperar do tratamento.

Zumbido tem cura? A resposta curta

O zumbido tem cura quando existe uma causa tratável e ela é resolvida. No zumbido que já dura muitos meses, a ciência ainda não tem cura, mas tem formas de controle: o som pode continuar e deixar de mandar na sua rotina.

Os médicos separam dois quadros. O zumbido recente começou há pouco tempo, ainda pode ter uma causa tratável e às vezes melhora sozinho. O zumbido persistente é o que dura seis meses ou mais. A diretriz de zumbido da Academia Americana de Otorrinolaringologia, publicada em 2014, pede que o médico faça essa separação já na primeira consulta, para conversar com o paciente sobre o que esperar e planejar o acompanhamento.

A mesma diretriz faz outra divisão: o zumbido que incomoda e o que não incomoda. Muita gente ouve um chiado leve no silêncio e segue a vida sem problema. O tratamento existe para quem sofre com o som, perde o sono ou a concentração por causa dele.

Infográfico com dois caminhos. Zumbido recente: procurar uma causa tratável, como cera, otite, efeito de remédio ou barulho forte; tratada a causa, o zumbido pode sumir. Zumbido há seis meses ou mais: avaliação da audição, orientação, aparelho auditivo se houver perda e terapia cognitivo-comportamental; o objetivo é o zumbido incomodar cada vez menos.
O zumbido recente pode ter uma causa que se resolve. No zumbido que dura seis meses ou mais, o tratamento busca diminuir o incômodo.

Quando procurar o médico sem esperar

Alguns sinais pedem consulta com o otorrinolaringologista logo, sem esperar o zumbido passar:

  • perda de audição repentina, em um ou nos dois ouvidos;
  • zumbido que pulsa junto com o coração;
  • zumbido que apareceu em um ouvido só (entenda por que no artigo sobre zumbido no ouvido esquerdo ou direito);
  • tontura forte, fraqueza no rosto, fala enrolada ou outro sintoma neurológico.

Na perda auditiva súbita, o tempo pesa: a diretriz americana sobre o assunto diz que reconhecer e tratar cedo pode melhorar a recuperação da audição.

Quando o zumbido some: causas que têm tratamento

A diretriz americana recomenda que a primeira avaliação procure condições que, tratadas cedo, podem aliviar o zumbido. Estas são as mais comuns no dia a dia.

Cera acumulada

Uma rolha de cera pode causar zumbido, ouvido tampado e audição abafada. Quem avalia e remove a cera é o médico otorrinolaringologista. Se a cera era a causa, o zumbido pode ir embora depois da remoção. Se ele continua, havia outra causa junto, e a investigação segue. O cotonete não resolve e ainda empurra a cera para o fundo do canal. Veja o que fazer e o que evitar com a cera em casa.

Otite e ouvido tampado

Inflamação no canal do ouvido, líquido atrás do tímpano depois de uma gripe ou ouvido que ficou tampado depois de um voo mudam o jeito como o som chega ao ouvido interno. O zumbido aparece junto com a sensação de ouvido entupido. O tratamento é com o médico, e, resolvida a inflamação, o zumbido pode sumir junto.

Efeito de remédio

Alguns medicamentos podem provocar zumbido, principalmente em doses altas. Em parte dos casos ele passa quando o médico ajusta a dose ou troca o remédio. Em outros, como em alguns tratamentos contra o câncer, o zumbido e a perda auditiva podem ficar. Não pare nenhum remédio por conta própria. Leve a lista do que você toma ao médico que receitou e conte que o zumbido começou.

Barulho forte recente

Sair de um show ou de uma festa com o ouvido apitando é comum, e muitas vezes o apito passa. Mas nem sempre. Um estudo na Finlândia acompanhou 418 recrutas do serviço militar que tiveram zumbido depois de um trauma causado por barulho de tiro. Ao fim do serviço militar, 71% já não tinham zumbido. Cerca de dez anos depois, entre os que ainda tinham o sintoma na saída e foram localizados, dois em cada três continuavam com ele.

71%

dos recrutas com zumbido depois de barulho de tiro já não tinham o sintoma ao fim do serviço militar (Mrena et al., 2002)

18,3%

dos adultos com zumbido deixaram de ter o sintoma quatro anos depois, num estudo do Reino Unido (Dawes et al., 2020)

O recado é que o zumbido depois de barulho costuma ser um aviso de que o ouvido passou do limite. Se ele não passou, faça uma avaliação auditiva. E, se o barulho faz parte da sua rotina, protetores auriculares sob medida ajudam a evitar que o problema se repita.

Zumbido que dura meses passa sozinho?

Às vezes passa, mas é menos comum do que se gostaria. Um estudo do Reino Unido reavaliou 4.746 adultos de 40 a 69 anos depois de quatro anos. Entre os que tinham zumbido no começo, 18,3% não tinham mais. Dos que continuavam com ele, 9% disseram que melhorou, 9% que piorou, e os demais não notaram mudança. Os autores concluíram que o zumbido tende a persistir.

No mesmo estudo, a dificuldade para ouvir apareceu ligada tanto a ter zumbido quanto a ele ficar mais incômodo com o tempo. Isso combina com o que se sabe sobre o mecanismo: quando o ouvido passa a mandar menos som ao cérebro, o cérebro compensa, e parte dessa atividade é percebida como um chiado. Enquanto a perda auditiva continuar sem tratamento, o gatilho continua lá.

Isso não quer dizer que o incômodo vai ser sempre o mesmo. O som e o sofrimento com o som são coisas diferentes, e os tratamentos com melhor evidência atuam justamente no segundo.

O que a ciência mostra que reduz o incômodo

Para o zumbido persistente que incomoda, a diretriz americana recomenda explicar ao paciente o que é o zumbido e como lidar com ele, avaliar o uso de aparelho auditivo quando existe perda auditiva e indicar terapia cognitivo-comportamental. A terapia com sons aparece como opção.

Informação e orientação

Saber o que é o zumbido, o que costuma piorá-lo e o que esperar do tratamento é o ponto de partida. Uma revisão de 2023 que comparou as diretrizes de vários países mostra que a orientação sobre o zumbido é recomendada por todas elas, mesmo com poucos estudos controlados sobre ela.

Aparelho auditivo, quando existe perda auditiva

A diretriz americana recomenda avaliar o aparelho auditivo em quem tem zumbido persistente e perda auditiva confirmada no exame. O aparelho devolve ao cérebro sons que ele deixou de receber e tira a pessoa do silêncio, que é quando o zumbido mais aparece.

Vale conhecer também o limite da evidência. Uma revisão Cochrane de 2018 reuniu 8 estudos, com 590 pessoas. Quem usou aparelho auditivo ou gerador de som teve uma redução importante do incômodo com o zumbido, mas os estudos eram pequenos, de qualidade baixa e sem uma boa comparação com quem não usou aparelho. A revisão de 2023 acrescenta que o resultado depende muito de como o aparelho é regulado. Por isso vale um ajuste que leve em conta o zumbido, além da audição.

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é um tipo de psicoterapia que trabalha a forma como a pessoa reage ao zumbido: o medo, a vigilância constante, o ciclo com o sono ruim. É o tratamento mais estudado para o zumbido.

Uma revisão Cochrane de 2020 reuniu 28 estudos, com 2.733 pessoas. No fim do tratamento, quem fez TCC teve um incômodo cerca de 11 pontos menor, num questionário de 0 a 100, do que quem não fez nada. A diferença mínima que a pessoa percebe no dia a dia nesse questionário é de 7 pontos. A certeza da evidência é baixa, e faltam dados sobre o efeito depois de 6 e 12 meses. A TCC é feita por psicólogo com treinamento no método.

Sons de fundo

Usar sons agradáveis e baixos, como ventilador, chuva ou mar, diminui o contraste entre o zumbido e o ambiente. A diretriz americana trata a terapia com sons como uma opção, e a revisão Cochrane de 2018 não encontrou vantagem clara de um tipo de aparelho sobre outro.

O que não tem evidência: remédios, suplementos e curas rápidas

Nenhum remédio cura o zumbido crônico. A diretriz americana recomenda não usar de rotina antidepressivos, anticonvulsivantes, calmantes ou medicamentos injetados no ouvido com o objetivo de tratar o zumbido persistente. Também recomenda não usar ginkgo biloba, melatonina, zinco ou outros suplementos para esse fim. A estimulação magnética transcraniana ficou fora do uso de rotina, e sobre a acupuntura a diretriz não fez recomendação nem a favor nem contra.

Isso não impede que o médico indique um remédio para outra coisa: tratar uma inflamação no ouvido, ou cuidar da insônia e da ansiedade que às vezes acompanham o zumbido. Quem indica é o otorrinolaringologista, ou o médico que acompanha você.

Desconfie de gota, cápsula, chá ou aparelho vendido na internet com a promessa de acabar com o zumbido em poucos dias. A revisão de 2023 concluiu que as opções com evidência ainda são limitadas e que a pesquisa por tratamentos melhores continua. Quem promete cura rápida está prometendo algo que a ciência ainda não entrega, e a pessoa perde tempo e dinheiro enquanto adia o que funciona.

O que fazer se o seu zumbido não passou

  1. Consulte o otorrinolaringologista para procurar uma causa tratável, como cera, otite ou efeito de remédio.
  2. Faça uma audiometria. A diretriz americana recomenda o exame completo da audição sem demora quando o zumbido está em um ouvido só, dura seis meses ou mais ou vem com dificuldade para ouvir.
  3. Anote como o zumbido se comporta: quando piora, quanto atrapalha o sono e a concentração. Isso ajuda a medir a melhora depois.
  4. Evite o silêncio total, principalmente na hora de dormir, e proteja os ouvidos do barulho forte.
  5. Fuja de promessas de cura e de produtos sem estudo.

Perguntas frequentes sobre a cura do zumbido

Como acabar com o zumbido no ouvido?

Se ele tem uma causa tratável, como cera, otite ou barulho recente, tratar a causa pode acabar com o zumbido. Se ele já dura mais de seis meses, o objetivo realista é que ele incomode cada vez menos, com orientação, aparelho auditivo quando há perda e terapia cognitivo-comportamental.

Existe remédio de farmácia para zumbido no ouvido?

Não existe remédio que cure o zumbido crônico. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia recomenda não usar remédios nem suplementos de rotina para tratar o zumbido persistente. Remédio só com indicação médica, para tratar uma causa específica ou problemas que vêm junto, como insônia.

Ginkgo biloba é bom para zumbido no ouvido?

Os estudos não mostram benefício. Uma revisão Cochrane de 2022, com 1.915 participantes, concluiu que o ginkgo tem pouco ou nenhum efeito sobre o zumbido em comparação com uma cápsula sem princípio ativo, e a diretriz americana recomenda não usar.

Aparelho auditivo cura o zumbido?

Não cura, mas pode reduzir muito o incômodo em quem tem perda auditiva. Ele devolve os sons que o cérebro deixou de receber e tira a pessoa do silêncio. O resultado depende da regulagem, por isso o ajuste precisa levar o zumbido em conta.

Por que o zumbido no ouvido não tem cura?

Porque, na maioria das vezes, o zumbido crônico está ligado a uma alteração no ouvido interno, como a perda auditiva da idade ou do barulho, e nenhum tratamento estudado até hoje elimina o som de forma confiável. A revisão de 2023 sobre as diretrizes descreve as opções com evidência como limitadas. O que os tratamentos conseguem é diminuir o quanto o som atrapalha a sua vida.

Tratamento de zumbido em Copacabana

Na Hear Clean, o primeiro passo é a avaliação auditiva gratuita: uma audiometria completa, com tons e palavras, feita na nossa sala acústica, sem pedido médico e sem compromisso de compra. Ela leva de 30 a 60 minutos e mostra se existe perda auditiva por trás do zumbido. Quando há indicação, tratamos o zumbido com aparelho auditivo ajustado para ele, num tratamento completo que inclui o aparelho, os exames, a adaptação e as revisões, e, quando o caso permite, você testa o aparelho em casa antes de decidir. Quando o aparelho não é indicado, encaminhamos você ao otorrinolaringologista. Saiba mais sobre o tratamento de zumbido.

Agende sua avaliação auditiva

Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.

Referências

  • Tunkel DE et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2014. American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery. PubMed
  • Langguth B et al. Tinnitus guidelines and their evidence base. Journal of Clinical Medicine, 2023. PMC
  • Sereda M et al. Sound therapy (using amplification devices and/or sound generators) for tinnitus. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018. PubMed
  • Fuller T et al. Cognitive behavioural therapy for tinnitus. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020. PubMed
  • Dawes P et al. Natural history of tinnitus in adults: a cross-sectional and longitudinal analysis. BMJ Open, 2020. PubMed
  • Mrena R et al. Characteristics of tinnitus induced by acute acoustic trauma: a long-term follow-up. Audiology and Neurotology, 2002. PubMed
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