Tipos de cera de ouvido: o que cada cor indica
Neste artigo (11 partes)
- Quais são os tipos de cera de ouvido
- Quando procurar o otorrinolaringologista
- Por que algumas pessoas têm cera seca e outras úmida
- Cor da cera de ouvido: o que é normal
- Cera de ouvido preta e dura: por que acontece
- Cera de ouvido líquida: é cera ou secreção?
- Quando a cor ou a textura pedem avaliação médica
- Como o médico avalia a cera e a secreção
- A cor da cera muda o cuidado em casa?
- Perguntas frequentes sobre a cor da cera de ouvido
- Cera de ouvido e audição em Copacabana
Existem basicamente dois tipos de cera de ouvido: a úmida, mais mole e escura, e a seca, clara e quebradiça. Quem nasce com uma ou outra é a genética que decide. Por isso a cor da cera de ouvido varia tanto de uma pessoa para outra, e quase sempre essa variação é normal. Neste artigo você vai entender de onde vêm as diferenças, qual é a faixa de cores comum, o que significa cera preta, dura ou líquida e em que situações a cor ou a textura pedem uma consulta com o otorrinolaringologista.
Quais são os tipos de cera de ouvido
A cera de ouvido, que os médicos chamam de cerume, se divide em dois tipos definidos pelos genes: a úmida e a seca. Uma revisão sobre cera publicada em 2020 descreve assim a diferença: a cera seca é quebradiça e varia do tom claro ao cinza amarronzado; a úmida costuma ser escura, molhada e pegajosa.
Os dois tipos fazem o mesmo trabalho. A cera é uma substância gordurosa, que repele a água e protege a pele do canal do ouvido contra atrito e contra germes. E os dois saem sozinhos do mesmo jeito: a pele do canal cresce devagar de dentro para fora e leva a cera junto, com a ajuda dos movimentos da mandíbula quando você fala e mastiga.
Cera úmida
É mole, grudenta e tem cor de mel a marrom. Predomina nas pessoas de origem africana e europeia. Quando sai no banho ou na toalha, costuma deixar uma mancha amarelada ou marrom.
Cera seca
É esfarelada, em flocos ou pequenas cascas, de cor bege, cinza ou marrom acinzentada. Predomina nas pessoas de origem do leste da Ásia e nos povos indígenas das Américas. Quem tem cera seca às vezes estranha quando vê a cera úmida de outra pessoa da família, e vice-versa. As duas são normais.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Mudança de cor, sozinha, raramente é urgência. Marque consulta com o otorrinolaringologista se a cera ou o que sai do ouvido vier com qualquer um destes sinais:
- dor de ouvido, principalmente se piora ao tocar ou puxar a orelha;
- líquido que escorre, amarelo, verde ou com cheiro ruim;
- sangue, sobretudo se volta ou aparece depois de pancada, mergulho ou barulho muito forte;
- coceira forte com massa branca ou pontinhos pretos;
- ouvido tampado ou audição mais baixa que não melhora;
- zumbido ou tontura novos;
- febre, inchaço ou vermelhidão atrás da orelha.
Procure atendimento no mesmo dia se tiver diabetes ou imunidade baixa e sentir dor ou notar secreção no ouvido, ou se houver perda de audição de repente, fraqueza no rosto ou febre alta. A diretriz de otite externa lista diabetes e imunidade baixa entre os fatores que mudam o cuidado.
Por que algumas pessoas têm cera seca e outras úmida
Por causa de uma única letra no DNA. Em 2006, pesquisadores japoneses mostraram que uma pequena variação no gene ABCC11 decide o tipo de cera. Quem herda a versão ligada à cera seca do pai e da mãe tem cera seca. Quem herda pelo menos uma cópia da versão ligada à cera úmida tem cera úmida. Na genética, isso quer dizer que a cera úmida é dominante e a seca é recessiva.
O mesmo estudo mapeou a variação pelo mundo. A versão ligada à cera seca é mais frequente entre chineses e coreanos e vai ficando mais rara para o sul e para o oeste. Os autores concluíram que ela surgiu no nordeste da Ásia e se espalhou a partir dali. Foi o primeiro exemplo conhecido de uma variação no DNA que decide uma característica que se pode ver a olho nu.
O gene ABCC11 trabalha nas glândulas que produzem a cera. Um estudo de 2009 mostrou que, na versão ligada à cera seca, a proteína feita por esse gene sai com defeito e é descartada pela própria célula. O mesmo gene também é estudado por sua relação com o odor das axilas.
No Brasil, com a mistura de origens, uma mesma família pode ter gente com cera seca e gente com cera úmida. Nenhum dos dois tipos indica doença.
Cor da cera de ouvido: o que é normal
A cor normal vai do amarelo claro ao marrom escuro na cera úmida, e do bege ao cinza na cera seca. A mesma pessoa pode ver tons diferentes em épocas diferentes, dependendo de quanto tempo a cera ficou no canal e de quanto ela secou.

Amarelo claro ou cor de mel
É a cera úmida mais mole, geralmente a que acabou de chegar à entrada do ouvido. Aparece muito na ponta da toalha depois do banho. Não pede nenhuma providência.
Âmbar e marrom
Também é cera úmida, um pouco mais firme. A revisão de 2020 descreve a cera úmida como frequentemente escura, e o marrom é o tom mais comum desse tipo. Normal.
Cinza, bege ou em flocos
É a aparência típica da cera seca. Ela se solta em pedacinhos finos e leves, que às vezes lembram casquinhas. Também é normal.
Cera de ouvido preta ou marrom muito escura
Cera muito escura, quase preta, costuma ser cera úmida que ficou mais tempo no canal e escureceu. Sozinha, sem outros sintomas, não costuma indicar problema. Ela chama atenção por outro motivo: quando aparece junto com ouvido tampado ou audição abafada, pode ser sinal de que a cera está se acumulando lá dentro, assunto do artigo sobre excesso de cera no ouvido.
Outra coisa são pontinhos pretos no meio de uma massa esbranquiçada ou úmida, com coceira forte. Isso não é o mesmo que cera escura e pode ser fungo, como explicamos mais abaixo.
Cera de ouvido preta e dura: por que acontece
Cera escura e endurecida quase sempre é cera que não conseguiu sair. A revisão de 2020 explica os motivos mais comuns:
- Cotonete e dedo no ouvido: tiram um pouco da cera da entrada, mas empurram o resto para o fundo, onde ela se compacta.
- Aparelho auditivo, protetor e fone intra-auricular: ficam horas no canal e atrapalham a saída natural da cera.
- Idade: as glândulas que fazem a cera diminuem com os anos, e a cera fica mais seca. A cera seca anda mais devagar na “esteira” da pele, e os pelos do canal, que engrossam com a idade, seguram a cera no caminho.
- Canal estreito ou curvo, ou pequenas saliências de osso no canal, que prendem a cera.
Cera dura que tampa o ouvido não se resolve com cotonete nem com objeto pontudo, que empurram a cera e podem machucar a pele ou o tímpano. O caminho seguro está no artigo sobre como tirar cera do ouvido: limpar só a parte de fora e, se houver sintomas, procurar o otorrinolaringologista.
Cera de ouvido líquida: é cera ou secreção?
A cera úmida é mole, mas não escorre. Se sai do ouvido um líquido que molha o travesseiro, que escorre pela orelha ou que volta logo depois de você secar, o mais provável é que seja uma secreção, e não cera. Secreção saindo do ouvido tem outras causas, e quem separa uma da outra é o médico.
A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia sobre otite externa pede que o médico diferencie a otite externa das outras causas de dor e de secreção no ouvido. Na prática, há duas situações comuns:
- Otite externa, a inflamação da pele do canal, que costuma doer mais quando se puxa a orelha. O artigo sobre otite externa explica os sintomas.
- Otite média com o tímpano furado, quando a secreção que estava atrás do tímpano sai pelo canal. Veja os tipos de otite no artigo sobre otite.
Líquido amarelo ou esverdeado, com dor, cheiro ruim ou febre, não é cera. É motivo para consulta.
Quando a cor ou a textura pedem avaliação médica
Na maioria das vezes, a cor da cera de ouvido é só genética e tempo de canal. Alguns aspectos, porém, fogem do padrão da cera e merecem ser mostrados ao otorrinolaringologista.
Pontos pretos, brancos ou amarelados, com coceira
Uma massa esbranquiçada, às vezes com pontinhos pretos, junto com coceira forte e sensação de ouvido cheio, pode ser fungo no canal (otomicose). Num estudo com 250 pacientes com otomicose, os resíduos do fungo vistos no exame eram esbranquiçados em 76% dos casos, amarelados em 15%, escuros em 6% e misturados em 3%. A coceira apareceu em 94% dos pacientes. Os detalhes estão no artigo sobre fungo no ouvido.
Secreção verde ou amarela que escorre
Como explicamos acima, líquido que escorre não é cera. Com dor, é um sinal típico de otite. Só o exame do ouvido mostra se a origem é o canal ou o ouvido médio.
Cera com sangue ou avermelhada
Um risco de sangue na cera costuma vir de um arranhão no canal, muitas vezes de cotonete ou unha. Sangue que se repete, que sai sem motivo aparente ou que vem depois de uma pancada ou de um barulho muito forte precisa de avaliação. O artigo sobre sangramento no ouvido explica as causas e o que fazer na hora.
Cheiro forte
A cera tem um cheiro leve e próprio. Mau cheiro forte, principalmente junto com secreção ou dor, sugere infecção e deve ser mostrado ao médico.
Como o médico avalia a cera e a secreção
O otorrinolaringologista olha o canal e o tímpano com o otoscópio, uma lanterna com lente de aumento, ou com o microscópio do consultório. A diretriz americana sobre cera de ouvido define a rolha de cera como o acúmulo que causa sintomas, que impede o exame do ouvido, ou as duas coisas, e pede que o diagnóstico seja feito com base no que se vê no exame. A cor que você viu em casa ajuda na conversa, mas não substitui esse olhar.
Se houver secreção, o médico procura a origem: o canal, o tímpano ou o ouvido médio. Quando necessário, colhe um pouco do material para exame de laboratório. O tratamento, quando existe, é decidido por ele.
A cor da cera muda o cuidado em casa?
Não. Seca ou úmida, clara ou escura, a regra é a mesma. A diretriz sobre cera de ouvido orienta a não remover a cera que não causa sintomas e não atrapalha o exame. O cuidado em casa é este:
- limpe só a parte de fora da orelha, com a toalha, depois do banho;
- não coloque cotonete, grampo, palito ou a ponta da toalha dentro do canal;
- não use vela de ouvido (cone), que a diretriz manda não usar nem para tirar nem para prevenir o acúmulo de cera;
- não pingue nada no ouvido sem orientação médica;
- se usa aparelho auditivo, limpe o aparelho todos os dias e leve às revisões. A diretriz pede que o ouvido de quem usa aparelho seja examinado nas consultas médicas, porque o aparelho favorece o acúmulo de cera.
Se a cera está tampando o ouvido, a remoção é feita pelo médico, que escolhe o método depois de examinar o canal. O artigo sobre lavagem de ouvido explica uma das técnicas.
Perguntas frequentes sobre a cor da cera de ouvido
Qual é a cor normal da cera do ouvido?
Do amarelo claro ao marrom escuro, na cera úmida, e do bege ao cinza, na cera seca. As duas faixas são normais. O que foge do padrão é líquido escorrendo, sangue, massa branca com pontinhos pretos e cheiro forte.
Cera de ouvido preta é normal?
Na maioria das vezes, sim. Cera escura costuma ser cera úmida que ficou mais tempo no canal. Se vier com ouvido tampado, audição abafada, coceira forte ou dor, mostre ao otorrinolaringologista.
Cera seca ou úmida: qual é melhor?
Nenhuma. As duas protegem o canal do mesmo jeito. A revisão de 2020 cita a hipótese de que o tipo de cera possa influenciar a formação de rolha e a resposta aos tratamentos, mas isso ainda não está definido.
Cera de ouvido líquida é normal?
A cera úmida é mole, mas não escorre. Líquido que molha o travesseiro ou escorre pela orelha costuma ser secreção, e não cera. Nesse caso, procure o otorrinolaringologista, principalmente se houver dor.
A cor da cera mostra se tenho alguma doença no corpo?
A cor da cera fala sobre o tipo de cera que você herdou e sobre o tempo que ela passou no canal. Ela não serve como exame de outras partes do corpo. Sinais como secreção, sangue e mau cheiro dizem respeito ao próprio ouvido e são avaliados pelo otorrino.
Por que minha cera mudou de cor?
Com a idade, a cera tende a ficar mais seca, porque as glândulas que a produzem diminuem. O tempo que a cera passa no canal também escurece o tom. Mudança acompanhada de dor, coceira forte, secreção ou sangue merece consulta.
Cera de ouvido e audição em Copacabana
Quem avalia a cera, a secreção e o sangramento no ouvido é o otorrinolaringologista. Na Hear Clean, cuidamos da audição. Se o ouvido continua abafado depois que o médico resolveu a cera ou a otite, fazemos a avaliação auditiva gratuita, com audiometria na nossa sala acústica (a audiometria atende a partir de 7 anos). Para quem usa aparelho auditivo, as revisões incluem a limpeza do aparelho, e a clínica faz a manutenção do aparelho auditivo. E para quem nada e quer manter a água fora do canal, fazemos o protetor auricular sob medida.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Horton GA et al. Cerumen management: an updated clinical review and evidence-based approach for primary care physicians. Journal of Primary Care and Community Health, 2020. PMC
- Yoshiura K et al. A SNP in the ABCC11 gene is the determinant of human earwax type. Nature Genetics, 2006. PubMed
- Toyoda Y et al. Earwax, osmidrosis, and breast cancer: why does one SNP (538G>A) in the human ABC transporter ABCC11 gene determine earwax type? FASEB Journal, 2009. PubMed
- Schwartz SR et al. Clinical practice guideline (update): earwax (cerumen impaction). Otolaryngology Head and Neck Surgery, 2017. PubMed
- Rosenfeld RM et al. Clinical practice guideline: acute otitis externa. Otolaryngology Head and Neck Surgery, 2014. PubMed
- Abraham ZS. Aetiological profile, clinical features and risk factors for otomycosis in Dar es Salaam, Tanzania: a cross-sectional study. Indian Journal of Otolaryngology and Head and Neck Surgery, 2024. PubMed