Excesso de cera no ouvido e rolha de cera: sintomas e o que fazer
Neste artigo (11 partes)
- O que é excesso de cera no ouvido
- Quando procurar o otorrino por excesso de cera
- Por que a cera existe e como ela sai sozinha
- Rolha de cera é comum?
- O que causa o acúmulo de cera no ouvido
- Sintomas de rolha de cera no ouvido
- O que a diretriz diz sobre a remoção da cera
- Excesso de cera e aparelho auditivo
- O que você pode fazer hoje
- Perguntas frequentes sobre excesso de cera no ouvido
- Excesso de cera no ouvido em Copacabana
O excesso de cera no ouvido costuma dar sinal de um jeito chato: o som fica abafado de um lado, a orelha parece cheia, aparece um zumbido ou uma coceira que não passa. Muita gente acha que o ouvido está “sujo” e parte para o cotonete, e é aí que o problema costuma piorar. Neste artigo você vai entender por que a cera existe, por que em algumas pessoas ela acumula e vira uma rolha, quais sintomas a rolha de cera provoca e o que a diretriz médica diz sobre quem deve tirar essa cera e quando.
O que é excesso de cera no ouvido
Excesso de cera é quando a cera se junta no canal do ouvido mais do que o normal e passa a incomodar ou a atrapalhar o exame do ouvido. Os médicos chamam esse acúmulo de rolha de cera, tampão de cera ou, no nome técnico, impactação de cerume. A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia define a rolha pelo efeito que ela causa: é a cera que provoca sintomas ou que impede o médico de ver o canal e o tímpano. Ela não precisa fechar o canal por inteiro.
Ver um pouco de cera na entrada do ouvido não é excesso. É sinal de que o sistema de limpeza está funcionando. A mesma diretriz lembra que a cera sem sintomas não precisa ser removida.

Quando procurar o otorrino por excesso de cera
Procure o médico otorrinolaringologista quando a cera estiver causando sintomas: ouvido tampado, audição mais baixa, zumbido ou coceira que não passa. Procure com mais urgência se houver:
- perda de audição repentina, em horas ou poucos dias;
- dor forte no ouvido ou febre;
- secreção ou sangue saindo do ouvido;
- tontura forte, com sensação de que tudo gira;
- sintomas que começaram depois de usar cotonete, objeto ou lavagem em casa.
Pessoas com diabetes, imunidade baixa, tímpano perfurado ou que usam anticoagulante não devem mexer no canal por conta própria. A diretriz pede que o médico leve esses fatores em conta antes de escolher como remover a cera.
Por que a cera existe e como ela sai sozinha
A cera, ou cerume, é uma substância produzida por glândulas da pele do canal do ouvido. Ela repele a água e protege a pele do canal contra atrito e micróbios. Não é sujeira.
O ouvido tem um jeito próprio de se livrar dela. A pele do canal cresce devagar do tímpano para fora, como uma esteira, e leva a cera junto. Os movimentos da mandíbula ao falar e mastigar ajudam. Quando chega à entrada, ela sai sozinha. Por isso, na maioria das pessoas, ninguém precisa fazer nada. O artigo sobre como tirar cera do ouvido explica o único cuidado caseiro que a diretriz considera seguro.
Rolha de cera é comum?
10%
das crianças (Michaudet e Malaty, 2018)
5%
dos adultos saudáveis (Michaudet e Malaty, 2018)
até 57%
dos idosos em casas de repouso (Michaudet e Malaty, 2018)
É bem comum. Uma revisão da Academia Americana de Médicos de Família estima rolha de cera em cerca de 10% das crianças, 5% dos adultos saudáveis e até 57% dos idosos que vivem em casas de repouso. A diferença entre os grupos mostra o quanto a idade pesa.
O que causa o acúmulo de cera no ouvido
A rolha se forma quando a cera é produzida mais depressa do que sai, ou quando algo atrapalha a saída. Em muita gente há mais de um motivo ao mesmo tempo.
Idade
Com os anos, as glândulas do canal ficam menos ativas e a cera sai mais seca e mais dura. A cera seca anda mais devagar na esteira natural. É por isso que os idosos formam rolha com tanta frequência.
Canal estreito ou curvo
Quem tem o canal do ouvido mais estreito, mais curvo, com pequenas saliências de osso ou com muitos pelos tende a acumular cera. O caminho fica apertado e a cera esbarra antes de sair. Nesses casos, a rolha costuma voltar de tempos em tempos.
Aparelho auditivo, protetor e fone intra-auricular
Tudo o que fica dentro do canal por horas seguidas bloqueia a saída natural da cera e ainda pode empurrá-la para dentro cada vez que é colocado. Uma revisão de 2020 sobre o manejo da cera cita o aparelho auditivo e o protetor auricular entre as causas de rolha, porque eles impedem a cera de sair. O fone que entra no canal ocupa o mesmo espaço e merece o mesmo cuidado.
Cotonete: por que ele empurra a cera
O cotonete pega um pouco de cera na entrada e empurra o resto para o fundo do canal, longe de onde a esteira natural consegue levá-la para fora. A cera se compacta perto do tímpano e, com o hábito, forma a rolha. As revisões médicas recomendam evitar o cotonete dentro do canal. O mesmo vale para grampo, palito e tampa de caneta.
Produção maior de cera
Algumas pessoas simplesmente produzem mais cera, sem uma causa clara. Quem já teve otite externa ou machucou o canal também pode ter a saída da cera atrapalhada.
Sintomas de rolha de cera no ouvido
Enquanto a cera deixa o som passar e não encosta no tímpano, ela não dá sintoma nenhum. Os sinais aparecem quando a rolha tampa o canal ou pressiona a pele e o tímpano.
Ouvido tampado e som abafado
É o sintoma mais típico. A cera funciona como um tampão: o som chega mais fraco ao tímpano e tudo parece distante, como se você estivesse debaixo d’água. Outras causas de ouvido tampado, como a pressão no avião ou a gripe, dão sintomas parecidos.
Cera no ouvido causa zumbido?
A rolha pode causar zumbido, aquele chiado ou apito que só você ouve. Se ele continuar depois que a cera sair, a diretriz orienta investigar outras causas, como explicamos no artigo sobre zumbido no ouvido.
Coceira
A cera acumulada irrita a pele fina do canal e dá coceira. É um ciclo ruim: a coceira leva a pessoa a coçar com cotonete ou objeto, o que empurra mais cera e pode ferir a pele.
Cera no ouvido causa tontura?
É raro. A revisão da Academia Americana de Médicos de Família cita a sensação de desequilíbrio como um sintoma raro da rolha de cera. Tontura tem muitas outras causas, algumas sérias. Se for forte, vier com sensação de que tudo gira ou com perda de audição repentina, procure atendimento em vez de supor que é cera.
Dor, pressão e tosse
A rolha pode dar dor e sensação de ouvido cheio. Em algumas pessoas provoca até tosse, um sintoma que pouca gente liga ao ouvido. Esses sintomas também aparecem em otite e em outras doenças do ouvido. Só o exame mostra se a causa é cera, como detalhamos no artigo sobre ouvido entupido.
O que a diretriz diz sobre a remoção da cera
A referência mais usada é a diretriz de 2017 da Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço (AAO-HNS), coordenada por Seth Schwartz. Para quem tem excesso de cera, os pontos principais são estes:
- Cera sem sintoma não precisa sair. A remoção é indicada quando a rolha causa sintomas ou impede o exame do ouvido.
- O diagnóstico é feito com o otoscópio, o aparelho com luz que o médico coloca na entrada da orelha. Ele confirma que é cera e mostra se o tímpano está inteiro.
- Há três formas de tratar: gotas que amolecem a cera, lavagem do ouvido e remoção com instrumentos ou aspiração. O médico escolhe caso a caso.
- Vela de ouvido não deve ser usada, nem para tirar cera, nem para evitar que ela acumule.
- Se os sintomas continuarem depois que a cera sair, o médico deve procurar outra causa.
Quem faz a remoção é o médico otorrinolaringologista, depois de examinar o ouvido. Não tente tirar a rolha em casa com seringa, gotas ou objetos: sem saber como está o tímpano, o risco é maior que o benefício. Como a lavagem funciona, quem não pode fazer e o que é normal sentir depois, você encontra no artigo sobre lavagem de ouvido.
E a cor da cera? Amarelada, marrom ou mais escura costumam ser variações normais. O que muda com a cor, e quando ela merece atenção, está no artigo sobre cor da cera de ouvido.
Excesso de cera e aparelho auditivo
Para quem usa aparelho auditivo, a cera é um assunto do dia a dia. O aparelho ocupa o canal por muitas horas e atrapalha a saída da cera. A diretriz americana recomenda que o ouvido de quem usa aparelho seja examinado com otoscópio nas consultas, porque a rolha pode passar despercebida e prejudicar o resultado do aparelho.
A cera também entra no próprio aparelho. Ela entope a saída do som e o filtro de cera, a pequena peça que protege o alto-falante do aparelho. Os sinais mais comuns são o aparelho que fica fraco ou abafado de repente, que chia ou que passa a apitar. Antes de achar que ele estragou, vale conferir:
- se a ponta de silicone (a oliva) ou o molde estão limpos;
- se o filtro de cera precisa ser trocado;
- se o apito aparece mesmo com o aparelho bem encaixado no ouvido.
Limpe o aparelho todos os dias com o pano seco e a escovinha que vêm com ele, do jeito que o fabricante e a fonoaudióloga orientarem, sem água e sem objeto pontudo na saída do som. Se ele continuar falhando mesmo limpo, ou se o apito voltar sempre, pode ser rolha de cera no ouvido, e aí quem avalia é o otorrino. Veja como funciona a manutenção de aparelho auditivo.
O que você pode fazer hoje
- Deixe o cotonete para a parte de fora da orelha, ou abandone de vez.
- Depois do banho, seque a orelha com a toalha, só por fora.
- Não pingue nada no ouvido sem orientação médica.
- Dê pausas ao fone intra-auricular e limpe as pontas de borracha com frequência.
- Se usa aparelho auditivo, limpe o aparelho diariamente e troque o filtro de cera quando ele estiver sujo.
- Anote os sintomas: de que lado, desde quando e se começaram depois de banho, piscina ou mar. Isso ajuda na consulta.
Perguntas frequentes sobre excesso de cera no ouvido
Excesso de cera no ouvido causa surdez?
A rolha de cera diminui a audição enquanto está ali. Em geral, a audição melhora quando o médico remove a cera. Se ela não voltar, a causa pode ser outra, e o próximo passo é a audiometria.
Por que meu ouvido produz tanta cera?
Às vezes o ouvido não produz mais cera, só elimina pior. Canal estreito, idade, cotonete e aparelho ou fone dentro do canal atrapalham a saída. Em algumas pessoas a produção é mesmo maior, sem uma causa clara. O otorrino consegue ver qual é o seu caso.
Muita cera no ouvido: o que fazer?
Se ela não incomoda, nada. Se o ouvido ficou tampado, a audição caiu ou apareceu zumbido, procure o otorrino e não tente tirar em casa. Enquanto isso, deixe o cotonete e os objetos longe do canal.
Rolha de cera sai sozinha?
Cera acumulada em pouca quantidade pode sair sozinha com o tempo. Uma rolha que já tampa o canal e causa sintomas raramente se resolve sem ajuda. Nesse caso, procure o otorrino em vez de esperar ou tentar em casa.
Fone de ouvido aumenta a cera?
Não encontramos estudos que meçam isso no fone. O que se sabe é que o aparelho auditivo e o protetor, que também ficam dentro do canal, atrapalham a saída da cera. Com o fone intra-auricular, pausas no uso e pontas limpas são um cuidado sensato.
Qual médico tira cera do ouvido?
O otorrinolaringologista. Ele examina o ouvido, confirma a rolha e escolhe a forma mais segura de remover no seu caso.
Excesso de cera no ouvido em Copacabana
A remoção da cera é feita pelo médico otorrinolaringologista. A Hear Clean entra antes ou depois dessa etapa. Se a cera já saiu e você continua ouvindo menos, ou se o zumbido não passou, fazemos a avaliação auditiva gratuita, com audiometria na nossa sala acústica. Para quem usa aparelho auditivo, as revisões incluem a limpeza do aparelho, e fazemos a manutenção do aparelho; quando a suspeita é de cera no ouvido, orientamos procurar o otorrino.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- Schwartz SR et al. Clinical practice guideline (update): earwax (cerumen impaction). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2017. PubMed
- Michaudet C, Malaty J. Cerumen impaction: diagnosis and management. American Family Physician, 2018. PubMed
- Horton GA et al. Cerumen management: an updated clinical review and evidence-based approach for primary care physicians. Journal of Primary Care & Community Health, 2020. PMC