Surdez: o que é, tipos, graus e causas
Neste artigo (13 partes)
- O que é surdez
- Quando procurar o otorrino com urgência
- Surdez e deficiência auditiva: qual a diferença?
- A surdez é comum?
- Tipos de surdez
- Graus de surdez: de leve a profunda
- Causas da surdez
- Como é feito o diagnóstico da surdez
- Surdez tem tratamento? Os caminhos possíveis
- CID da surdez: quais são os códigos
- O que você pode fazer hoje
- Perguntas frequentes sobre surdez
- Surdez em Copacabana
A palavra surdez é usada para muita coisa: o avô que pede para repetir, o ouvido que tampou depois de uma gripe, a pessoa que nasceu sem ouvir e conversa em Libras. São situações bem diferentes, com causas, exames e caminhos diferentes. Você vai ver o que é surdez, a diferença para deficiência auditiva, os tipos, os graus, as causas mais comuns, o CID e como é o diagnóstico. Cada parte tem um resumo curto e um link para o artigo que aprofunda o tema.
O que é surdez
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem perda auditiva quem não ouve tão bem quanto uma pessoa com audição normal, ou seja, quem precisa de sons mais fortes que 20 decibéis (dB) para ouvir em um dos ouvidos ou nos dois. Essa perda pode ser leve, moderada, moderadamente severa, severa ou profunda, e pode estar em um ouvido só ou nos dois.
No uso técnico, a OMS reserva a palavra “surdo” para quem tem, na maioria das vezes, perda profunda, com pouca ou nenhuma audição. Quem tem perda de leve a severa é descrito como pessoa com perda auditiva, que costuma se comunicar pela fala e pode se beneficiar de aparelho auditivo, implante e legendas. No dia a dia, porém, “surdez” virou sinônimo de qualquer dificuldade de ouvir, e é nesse sentido amplo que a maior parte das pessoas pesquisa o termo.
Quando procurar o otorrino com urgência
- A audição caiu de repente, em um ouvido ou nos dois, de uma hora para outra ou em até três dias.
- A perda veio acompanhada de zumbido ou de tontura.
- A perda apareceu depois de uma pancada na cabeça ou no ouvido.
- Junto com a perda surgiram fraqueza, dormência ou alteração no rosto ou no corpo.
A diretriz da Academia Americana de Otorrinolaringologia trata a perda súbita como urgência: reconhecer e tratar rápido pode melhorar a recuperação da audição, e a audiometria deve ser feita o quanto antes. Não espere a próxima consulta de rotina.
Surdez e deficiência auditiva: qual a diferença?
As duas palavras aparecem misturadas, mas a lei brasileira separa os sentidos. O Decreto 5.626, de 2005, define a pessoa surda como aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por experiências visuais e manifesta sua cultura principalmente pela Língua Brasileira de Sinais, a Libras. Já a deficiência auditiva, no mesmo decreto, é uma medida do exame: perda nos dois ouvidos de 41 dB ou mais.
Ou seja, ser surdo, nesse sentido, tem a ver com língua e identidade, e não só com o audiograma. Há pessoas surdas que se comunicam em Libras e não usam aparelho, por escolha, e outras que usam aparelho ou implante e também Libras. E muita gente com perda auditiva se comunica só pela fala. Por respeito, vale chamar cada pessoa do jeito que ela se identifica.
Desde 2023, a Lei 14.768 também considera deficiência auditiva a surdez total de um ouvido só. Quem tem direito a ser reconhecido como pessoa com deficiência e como comprovar está no artigo sobre perda auditiva e PCD.
A surdez é comum?
430 milhões
de pessoas no mundo precisam de reabilitação por perda auditiva incapacitante (OMS, 2026)
Mais de 25%
das pessoas com mais de 60 anos têm perda auditiva incapacitante (OMS, 2026)
Muito comum, e mais ainda com a idade. A OMS chama de incapacitante a perda maior que 35 dB no ouvido que ouve melhor. Os 430 milhões incluem 34 milhões de crianças, e a projeção para 2050 é de quase 2,5 bilhões de pessoas com algum grau de perda auditiva.
Tipos de surdez
O tipo diz em que parte do ouvido está o problema: condutiva, neurossensorial ou mista. Quem define é a audiometria, comparando o som que chega pelo fone (via aérea) com o som que chega pelo vibrador atrás da orelha (via óssea).
| Tipo | Onde está o problema | Exemplos de causa | Caminho mais comum |
|---|---|---|---|
| Condutiva | Canal do ouvido, tímpano ou ouvido médio: o som não chega direito ao ouvido interno | Cera, otite, líquido atrás do tímpano, tímpano furado, otosclerose | Muitas vezes tem tratamento médico ou cirúrgico com o otorrino; quando fica perda, aparelho auditivo |
| Neurossensorial | Ouvido interno (cóclea) ou nervo da audição | Idade, barulho, genética, remédios que fazem mal ao ouvido, perda súbita | Costuma ser permanente; aparelho auditivo e, quando ele não basta, avaliação de implante coclear |
| Mista | As duas partes ao mesmo tempo | Por exemplo, perda da idade somada a uma otite crônica | Tratar a parte condutiva com o otorrino e reabilitar o que ficar |
Surdez condutiva
Na surdez condutiva, o ouvido interno funciona, mas o som encontra uma barreira no caminho. No exame, a via óssea fica normal e a via aérea fica pior. Cera acumulada, otite e líquido atrás do tímpano estão entre as causas, e várias delas têm tratamento com o otorrinolaringologista. Uma causa que costuma surpreender é a otosclerose, que afeta os ossinhos do ouvido médio.
Surdez neurossensorial
É a mais comum nos adultos. A lesão está nas células sensoriais da cóclea, as células ciliadas, ou no nervo. Como essas células não se regeneram, a perda costuma ser permanente. Além de ouvir mais baixo, a pessoa muitas vezes ouve, mas não entende as palavras, principalmente no barulho. Causas, sintomas e tratamento estão no artigo sobre perda auditiva neurossensorial.
Surdez mista
É a soma das duas. No exame, a via óssea já está alterada e a via aérea está ainda pior. Tratar a parte condutiva pode melhorar a audição, mas a parte neurossensorial continua.
Outras formas de classificar
Além do tipo, o laudo e o médico descrevem a surdez por outros critérios:
- Um ouvido ou os dois. A surdez unilateral atrapalha saber de onde vem o som e conversar no barulho. Veja surdez em um ouvido.
- De nascença ou adquirida. A congênita está presente ao nascer; a adquirida aparece ao longo da vida.
- Súbita ou progressiva. A perda que aparece de uma hora para outra é urgência. Veja perda auditiva súbita.
Graus de surdez: de leve a profunda
O grau diz o tamanho da perda. A OMS calcula a média de quatro frequências no ouvido que ouve melhor e divide assim:
- Leve: 20 a menos de 35 dB. A conversa no silêncio vai bem, mas escapa no barulho.
- Moderada: 35 a menos de 50 dB. Dificuldade para ouvir a conversa.
- Moderadamente severa: 50 a menos de 65 dB. Dificuldade com a conversa, mas a voz alta ainda chega.
- Severa: 65 a menos de 80 dB. A maior parte da conversa não chega.
- Profunda: 80 a menos de 95 dB. Extrema dificuldade mesmo com voz alta.
- Completa: 95 dB ou mais. A pessoa não ouve a fala nem a maioria dos sons do ambiente.
Muitos laudos no Brasil ainda usam outra tabela, com faixas um pouco diferentes, e por isso o mesmo exame pode ganhar nomes diferentes. Como ler o audiograma, as duas tabelas e o que cada grau muda na rotina estão no artigo sobre graus de perda auditiva.
Causas da surdez
A OMS lista causas que agem em fases diferentes da vida, da gestação à velhice. Estas são as mais frequentes.
Idade (presbiacusia)
É a principal causa de perda auditiva no adulto. A perda da idade costuma ser igual nos dois ouvidos, pesa mais nos sons agudos e soma o desgaste natural da cóclea ao barulho e aos remédios acumulados ao longo da vida.
Barulho
Trabalho barulhento, fone alto por horas, shows e estouros. Depois de uma exposição forte, a audição pode cair por alguns dias e voltar em até duas semanas. A exposição repetida mata células ciliadas e deixa perda permanente. Limites seguros e prevenção estão no artigo sobre perda auditiva induzida por ruído.
Genética e causas do nascimento
A perda auditiva hereditária atinge cerca de 1 em cada 1.000 recém-nascidos, e há mais de 100 genes conhecidos ligados a ela. Alguns desses genes só dão sinal na vida adulta, com perda que piora aos poucos. Antes e logo depois do nascimento, a OMS cita ainda infecções na gestação, como rubéola e citomegalovírus, falta de oxigênio no parto, baixo peso ao nascer e icterícia grave. Por isso o teste da orelhinha é obrigatório e gratuito no Brasil em hospitais e maternidades, pela Lei 12.303, de 2010.
Infecções e otites
Na infância e na adolescência, as otites crônicas, o líquido que fica atrás do tímpano e a meningite estão entre as causas da lista da OMS. Infecções virais podem afetar o ouvido em qualquer idade.
Cera e outros problemas do canal
A cera acumulada que tampa o canal está na lista de causas da OMS e provoca surdez condutiva. O que fazer e o que não fazer está no artigo sobre como tirar cera do ouvido.
Remédios, doenças crônicas e perda súbita
Alguns antibióticos e tratamentos contra o câncer podem lesar as células ciliadas, assim como certos produtos químicos do trabalho. Fumar e ter diabetes mal controlado aparecem associados à perda auditiva na velhice. A OMS também lista a perda súbita, que na maioria das vezes não tem causa identificada.
Boa parte da surdez pode ser evitada. Segundo a OMS, quase 60% da perda auditiva em crianças vem de causas evitáveis, e as causas mais comuns no adulto, como som alto e remédios que fazem mal ao ouvido, também podem ser prevenidas.
Como é feito o diagnóstico da surdez
O otorrinolaringologista examina o ouvido, procura causas que têm tratamento médico e pede os exames. A fonoaudióloga faz a audiometria, que mede o grau e o tipo da perda: tons pelo fone, vibrador atrás da orelha e teste com palavras, para ver quanto você entende a fala. Como o exame é feito está no artigo sobre audiometria tonal e vocal.
A imitanciometria completa o quadro, mostrando como estão o tímpano e o ouvido médio. Em casos específicos, o otorrino pode pedir outros exames, como os de imagem.
Surdez tem tratamento? Os caminhos possíveis
Depende do tipo e da causa. A surdez condutiva muitas vezes melhora com o tratamento da causa, que é indicado pelo otorrino. A neurossensorial costuma ser permanente, mas tem reabilitação, como mostra a página sobre perda auditiva. A OMS lista como caminhos de reabilitação as tecnologias auditivas, a terapia fonoaudiológica e o ensino de língua de sinais, entre outros.
Aparelho auditivo
É o recurso mais usado. Ele amplifica o som ajustado ao seu exame e ajuda principalmente quem tem lesão das células ciliadas. Funciona da perda leve à severa e, com modelos de alta potência, também em parte das perdas profundas. O que ele faz em cada grau e como escolher estão no artigo sobre aparelho para surdez.
Implante coclear
Quando a perda é severa ou profunda e o aparelho traz pouco benefício, o otorrinolaringologista avalia o implante coclear. Ele passa por cima das células lesadas e estimula direto o nervo da audição. A indicação e a cirurgia são feitas pelo otorrino.
Libras e comunicação visual
Para a pessoa surda, como define o decreto, a Libras é o principal meio de comunicação e de expressão da cultura, e não um plano B. Legendas e leitura labial também estão entre os recursos que a OMS lista. Ouvir com tecnologia, se comunicar em Libras ou combinar as duas coisas é uma escolha da pessoa e da família.
CID da surdez: quais são os códigos
Na CID-10, a classificação publicada pelo DATASUS, os códigos de surdez ficam no grupo H90 e H91. O código muda conforme o tipo e o lado:
| Tipo | Dois ouvidos | Um ouvido, outro normal | Não especificada |
|---|---|---|---|
| Condutiva | H90.0 | H90.1 | H90.2 |
| Neurossensorial | H90.3 | H90.4 | H90.5 |
| Mista | H90.6 | H90.7 | H90.8 |
Alguns casos têm código próprio: presbiacusia (H91.1), perda ototóxica, causada por remédio (H91.0), perda súbita sem causa conhecida (H91.2) e perda induzida por ruído (H83.3). A surdez sem outra especificação é H91.9. Quem põe o código no laudo ou no atestado é o profissional que atendeu você, com base no exame.
O que você pode fazer hoje
- Se a audição caiu de repente, procure o otorrino no mesmo dia.
- Repare em quando a dificuldade aparece: TV, telefone, restaurante, voz de criança. Anote para contar na consulta.
- Separe exames de audição antigos. Comparar com um exame novo mostra se a perda mudou.
- Se alguém da família tem perda auditiva, combine de conversar de frente, sem pressa e sem gritar.
Perguntas frequentes sobre surdez
Surdez tem cura?
Depende do tipo. A condutiva muitas vezes melhora quando a causa é tratada. A neurossensorial costuma ser permanente, porque as células ciliadas não se regeneram, e aí o caminho é reabilitar. Na perda súbita, o tratamento rápido com o otorrino pode ajudar a recuperar parte da audição.
Surdez é hereditária?
Pode ser. A perda hereditária atinge cerca de 1 em cada 1.000 recém-nascidos, e estudos estimam que a genética explica de 25% a 55% da perda auditiva que aparece na vida adulta. Ter casos na família é um bom motivo para fazer audiometria mais cedo e repetir com regularidade.
Existe surdez temporária?
Existe. Cera, otite e líquido atrás do tímpano podem tampar o ouvido por um tempo. Depois de um som muito alto, a audição pode cair e voltar em até duas semanas. Se não voltar, ou se o ouvido tampou de repente sem motivo claro, procure o otorrino.
O que é surdez congênita?
É a surdez presente ao nascer, de causa genética ou ligada à gestação e ao parto. O teste da orelhinha, feito na maternidade, serve para encontrar esses casos cedo.
Surdez causa demência?
A perda auditiva sem tratamento está ligada a um risco maior de demência e de declínio da memória, segundo a OMS. Uma comissão internacional publicada na revista The Lancet em 2024 concluiu que a evidência de que tratar a perda auditiva reduz esse risco ficou mais forte. Em uma das análises citadas, com quase 127 mil pessoas, quem tinha perda e usava aparelho teve 19% menos risco de declínio cognitivo.
Surdez em Copacabana
Na Hear Clean, clínica de fonoaudiologia em Copacabana, a investigação começa pela avaliação auditiva gratuita: conversa com a fonoaudióloga e audiometria completa na nossa sala acústica, sem pedido médico e sem compromisso de compra. A audiometria atende a partir de 7 anos. Se houver perda e você optar pelo tratamento, a imitanciometria completa o laudo e já está incluída. Quando a surdez pede aparelho, trabalhamos com aparelhos auditivos Oticon, Argosy, Starkey e Philips, e você experimenta modelos de demonstração antes de decidir; quando o caso permite, também testa o aparelho em casa sem custo. Quando o exame sugere causa médica, perda súbita ou indicação de implante coclear, encaminhamos você ao otorrino, porque a Hear Clean não faz implante nem trata doenças do ouvido.
Agende sua avaliação auditiva
Rua Santa Clara, 70, sala 1008, Copacabana, Rio de Janeiro. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com médico otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
Referências
- World Health Organization. Deafness and hearing loss (fact sheet), 2026. OMS
- World Health Organization. World report on hearing, 2021. OMS
- Cunningham LL, Tucci DL. Hearing loss in adults. New England Journal of Medicine, 2017. PubMed
- Chandrasekhar SS et al. Clinical practice guideline: sudden hearing loss (update). Otolaryngology-Head and Neck Surgery, 2019. PubMed
- Livingston G et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. The Lancet, 2024. PubMed
- Brasil. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Planalto